Conferencista Edimilson Garcia

quinta-feira, 26 de maio de 2011

JOSÉ, UMA VIDA PERMEADA POR SONHOS



Gn 30 - 50
O primeiro filho de Jacó com Raquel. Por ser o filho da mulher amada, torna-se, ao mesmo tempo, querido por seu pai e odiado por seus irmãos. Deus lhe revela que ele será grande, isso através de sonhos. Seus irmãos se iram, uma vez que o sonho revelava que eles se curvariam perante José (os feixes de seus irmãos rodeavam e se inclinavam perante o dele – 37.7). Um novo sonho revela que a Lua, o Sol e onze estrelas se curvavam (37.9). Acaba repreendido por seu pai, uma vez que o Sol e a Lua significariam ele e sua esposa, Raquel.
Certa feita, os seus irmãos, mais velhos, saíram para cuidar do rebanho. E isso implicava em caminho de muitos dias. Passados alguns, Jacó envia José a seus irmãos para lhe trazer notícias. Com sua túnica diferenciada (37.3 – que o seu pai lhe deu por ser ele o filho da mulher amada), vai a procura de seus irmãos, que já estavam mais longe do que se esperava. Quando ele se aproxima, os irmãos aproveitam a oportunidade para o prender e, sob orientação de Rúben, o mais velho, nada deveria ser feito com ele. Quando este se ausentou, seus irmãos o venderam para uma caravana de ismaelitas. Rubén, desolado, quando retorna e não vê o irmão, rasga a suas vestes. Seus irmãos tomaram um bode, mataram e molharam a túnica de José para, retornando ao pai, mentir que haviam encontrado, dando a impressão que um animal o teria matado.
Mas sua história não acaba aí. Os ismaelitas o venderam a Potifar, oficial de Faraó, do Egito, comandante da guarda (37.36). Como o Senhor era com José, tudo que estava em suas mãos prosperava. Potifar o coloca como “chefe” de todas as coisas. Tudo era lícito a José tomar conta e tocar, menos a esposa de Potifar que, por José ser formoso, se encantou e queria se deitar com ele. José escapa algumas vezes do assédio dessa mulher, até que, num belo dia, ela o agarra a força e, quando José consegue escapar dela, obedecendo a Potifar, sua túnica fica com ela. E por não ter conseguido o que queria, a esposa de Potifar mentiu dizendo que era José que queria se deitar com ela e, quando ela começou a gritar, ele fugiu, nem se preocupando em pegar a sua túnica, com medo por ter desobedecido. Como as evidências estavam contra José, ele foi preso (39). Mas o Senhor era com José. Na prisão, tudo que estava sob seus cuidados prosperava. Por isso o carcereiro deixava José cuidando de tudo. Ainda na prisão, ele interpreta dois sonhos: o do padeiro (que o levava para a morte) e o do mordomo (que o levava para fora da prisão). Ao último, José pediu que não esquecesse dele, o que acabou acontecendo (40). Depois de dois anos, Faraó é que sonhou e ficou muito incomodado com o sonho. Como ninguém dava a interpretação, o mordomo se lembrou de José, que foi trazido até a presença de Faraó. Depois de interpretar o sonho de Faraó, é colocado como chefe dos egípcios, apenas abaixo de Faraó. Passaram-se 13 anos até José ser colocado por chefe, de maneira reconhecida, e não como chefe abaixo de um outro empregado, mas abaixo do soberano do Egito (cf. 37.2 – José com 17 anos e 41.46 – José com 30 anos). Mesmo se passando tanto tempo, José continuava acreditando na promessa do Senhor para sua vida. Precisamos ser assim também.
A interpretação do sonho de faraó dava conta de 7 anos de grande prosperidade (nos quais, José liderou uma “grande economia” no Egito), seguidos de 7 anos de muitoa fome. Durante esse tempo de grande fome, Jacó, pai de José, juntamente com seus filhos/as, sentiram os efeitos dessas coisas. Os filhos de Jacó subiram ao Egito para comprar mantimento, pois grande era o celeiro que tinha sido formado no tempo anterior a fome. Somente Benjamim, segundo e último filho de Jacó com Raquel (ela morreu depois do parto), além de caçula, ficou com Jacó. No Egito, José reconhece seus irmãos, mas estes não o reconhecem. Eles voltam com a sacola cheia de mantimentos, com o dinheiro, e com uma orientação: voltar com Benjamim da próxima vez, senão o irmão que ficara preso não seria solto (eles poderiam ser vistos como espiões que poderiam atacar Faraó e José fez tudo para mostrar que eles não o eram). (Cf. 42). Lenvando-se em conta que o tempo desde a venda como escravo até a interpretação do sonho de Faraó corresponde a 13 anos, que a terra teve 7 anos de fartura (13 + 7 = 20 anos) e foi durante o tempo de fome que os irmão de José vão ao Egito e se encontram com José, sem reconhecê-lo e devem ter obedecido ao “protocolo” de respeito ao líder do Egito, passou mais de 20 anos desde o sonho de José (a promessa que seus irmãos se prostrariam diante dele, que ele seria grande) até a cena propriamente dita. A promessa, ainda que tenha demorado, foi cumprida. Quando o Senhor promete, não falha, independente do tempo que passe.
Passado mais algum tempo, o mantimento que eles levaram acabou e era necessário retornar ao Egito. Jacó não queria deixar que Benjamim fosse. Judá se responsabiliza pelo menino. Com isso, eles descem mais uma vez ao Egito. José os recebe e novamente os despede com o mantimento e o dinheiro. Mas manda colocar um de seus copos na sacola de Benjamim. Que golpe para Judá! Benjamim seria preso e ficaria no Egito. Ele, então, argumenta com José, pedindo que o moço vá embora e ele, Judá, fique em lugar dele. Quando mais moços, tinham inveja do filho de Raquel, José, por ser querido. Agora, depois de anos, ele quer ser preso em lugar do outro irmão! O tempo muda atitudes, é só deixar o Senhor agir durante o tempo...
José não resistiu. Deu-se a conhecer a seus irmãos (cf. esta história do cap. 43 a 45), manda buscar Jacó para o Egito, com toda pompa, e os recebe para morar com ele. Na doença de Jacó, este vai abençoar os filhos de José e a mão direita deveria ficar sobre o primogênito, Manassés e a esquerda sobre Efraim, o mais novo. Jacó inverte isso e, mais uma vez, como foi com ele próprio, o mais novo é abençoado com a bênção que caberia ao primogênito. Jacó morre na terra do Egito e, embalsamado, é levado para o campo de Macpela, onde estavam enterrados Abraão e Sara. José morre também no Egito, mas lembrou aos seus irmãos as promessas que Deus fez a Abraão e pediu que quando tudo se cumprisse que seus ossos fossem levados com eles. Ele viveu a certeza do cumprimento da promessa do Senhor em sua vida, independente do tempo que passou. Tinha motivos mais que suficientes para ter certeza que o Senhor cumpriria a promessa da Terra Prometida. E sua história serve de testemunho para cada um de nós, dando-nos a certeza que, independente de tempo ou demora (aos nossos olhos), o Senhor cumpre Suas promessas no tempo certo! Foi porque José foi para o Egito que ele pode interpretar o sonho de Faraó e, durante o tempo de fome, alimentar a sua família. O mal que foi pensado, foi transformado em bênção tanto para José, como para sua família (seus irmãos!). Vale a pena esperar pelo momento certo da parte de Deus! Ele age na história para, na história, dar testemunho de Si e do Seu cuidado!

Forte abraço.
Em Cristo,

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