Conferencista Edimilson Garcia

sexta-feira, 27 de maio de 2011

JUSTIFICAÇÃO E FÉ


                                                            JUSTIFICAÇÃO  E  FÉ


Nos relatos bíblicos a respeito da vida e obra de Jesus, percebemos que os autores sempre iniciaram a sua pregação com a mensagem do arrependimento, sendo este necessário para a participação no Reino de Deus, cuja chegada Jesus anunciava. Para que haja um genuíno arrependimento e perdão, é preciso que tenhamos fé. Martinho Lutero, na sua longa e dramática busca por um Deus gracioso, descobriu na Bíblia a doutrina da Justificação pela Fé. E a epístola de Paulo aos Romanos, que mais claramente expõem tão preciosa doutrina, foi considerada por Lutero como o mais importante livro da Bíblia inteira.
           
Fé salvadora é diferente de crença:
            É importante analisarmos este termo, pois muitos compreendem o vocábulo Fé como aceitação intelectual de uma posição ou definição doutrinária, isto é, simplesmente aceitam o que os outros dizem.
            Martinho Lutero entendeu que a crença não é idêntica à fé salvadora. João Wesley, na sua experiência na noite de 24 de maio de 1738, à Rua Aldesgate em Londres, realmente atravessou o alpendre e entrou pela porta da fé. Lutero e Wesley entenderam e traduziram o vocábulo fé como confiança. Não podemos, entretanto, eliminar todo o conteúdo intelectual da experiência da fé. A fé salvadora vai além de se crer. Fé em Jesus Cristo é a entrega pessoal de nossas vidas em suas mãos, em confiança e obediência. É engajamento no Seu projeto e na Sua obra. É o estabelecimento de um relacionamento com Jesus tipo Eu-Tu, pelo qual não somos mais nós quem vivemos, mas Cristo que vive em nós (Gl 2.20).

Justificação pela Fé:

            Sem dúvida alguma, o livro de Romanos é o que melhor esclarece a questão da justificação. Foi nas páginas deste inspirado livro da Bíblia que Martinho Lutero encontrou resposta para o seu desespero em alcançar a graça de Deus. E foi lendo o capítulo 1º, v. 17, que Lutero descobriu que o ser humano é justificado pela fé. Também foi ouvindo o comentário de Martinho Lutero a cerca da carta aos Romanos que Wesley sentiu o seu coração aquecido, e ali ele percebeu que estava sendo justificado pela fé em Jesus Cristo.

            A peregrinação espiritual de Martinho Lutero, e também de João Wesley, fora essencialmente à busca de um Deus que lhes fosse gracioso. Pois, principalmente Lutero, percebeu que não era possível fazer boas obras suficientes para agradar ou satisfazer a justiça do austero juiz, Deus. Mas ele descobriu na doutrina da justificação pela fé a essência das Boas Novas de Deus. Não seria necessário que ele, o monge Martinho Lutero, pela mortificação de seu corpo, pelas horas infindas se confessando, pela quantidade de rezas feitas, satisfizesse a justiça de Deus. Bastava confiar a sua vida nas mãos de Cristo, cujo sacrifício já era suficiente para satisfazer o pecado do mundo inteiro. Sua justificação seria por meio da sua fé em Cristo e não naquilo que ele (Lutero) pudesse fazer[1].

2 Benefícios da Justificação:

Paz com Deus e consigo mesmo:
            Tanto Wesley como Martinho Lutero viviam atormentados com a idéia do juízo e da justiça de Deus por causa dos seus muitos pecados. Martinho Lutero chegou a ponto de, a todo o momento, confessar-se ao padre. E, findando uma confissão, se ele se lembrasse de mais algum pecado, no mesmo instante voltava e se confessava novamente. Até o monge que o ouvia, irritando-se com tantas sucessivas confissões, mandar-lhe cometer algum pecado de verdade, como matar sua mãe, cometer adultério etc..
            A justificação produz paz em nosso coração, e esta paz é completa. Ela produz paz com Deus, pois sabemos que através de Jesus ele nos perdoou os pecados. Também produz paz conosco, pois sabemos que podemos confiar nessa graça manifesta em Jesus Cristo. Não mais precisamos estar a todo tempo fazendo penitências e sacrifícios, pois a justiça de Deus se revela em perdoar os nossos pecados, isto é, os pecados daqueles que se arrependem.

Confiança e Alegria:
            Lutero, de tanto sacrifício em busca da justificação, chega a ponto de dizer que não ama a Deus. Wesley, após voltar de uma campanha evangelística, diz que fora evangelizar os índios, mas quem poderia convertê-lo? Ambos eram teólogos, conhecedores das Escrituras, mas não tinham alegria nem confiança em Deus. Sempre estavam sentindo um peso, algo que lhes atormentava a alma, o coração. Até o momento que se depararam com a revelação da Escritura e compreenderam o verdadeiro sentido da justificação pela fé. Tanto Wesley, como Lutero, sentiram o coração transbordar de alegria e confiança, pois compreenderam a verdadeira face e justiça de Deus, que é salvar o pecador.

 


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