Conferencista Edimilson Garcia

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A NATUREZA DIVINA DA PESSOA DO ESPIRITO SANTO JOÃO 14.16-26

A Natureza Divina da Pessoa do Espírito Santo

João 14.16-26


Atualmente, quando tanto se tem falado sobre a pessoa e obra do Espírito Santo, percebe-se que alguns equívocos têm sido cometidos.

Talvez, até mesmo de maneira inconsciente e ingênua, muitos têm abraçado e desenvolvido uma teologia distorcida, marcada pela tentativa de manipulação do Espírito Santo, como se Ele estivesse a nosso serviço — e não o contrário, esquecendo-se de que ''o vento sopra onde quer..." E por que não dizer: como, quando e sobre quem quer?


Mais importante do que assumir uma atitude ativa em relação ao Espírito, é assumir uma atitude de passividade, docilidade e submissão, porque antes de irmos em direção ao Espírito, Ele já veio e vem em nossa direção e sobre nós.


O Espírito está a serviço do Pai e do Filho, e não a nosso serviço. A tentativa de se manipular ou monopolizar a Pessoa do Espírito Santo pode ser uma forma de resistência à Sua obra, que é inédita, criativa, livre, dinâmica, às vezes surpreendentemente simples, às vezes simplesmente surpreendente.


Uma compreensão bíblica, equilibrada e destituída de preconceitos a respeito do Espírito Santo é de fundamental importância para uma vida cristã saudável e aprovada por Deus.

1 - A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO É DE NATUREZA DIVINA

Conforme o ensino bíblico constata-se que Espírito Santo integra a Santíssima Trindade, tendo da mesma essência do Pai e do Filho, Pode-se - e devemos fazê-lo com reverência e temor - afirmar que Ele é verdadeiro Deus At 5.3,4.

Percebe-se ainda pelo ensinamento bíblico que atributos do Pai e do Filho pertencem também ao Espírito. Por exemplo: Eternidade (Hb 9.14), Santidade e Verdade (Ap 7,13), Onipotência (Rm 15.19), Onipresença SI 139.7), Onisciência (I Co 2.9-11). A divindade do Espírito é confirmada também pelo ato de que a Bíblia lhe atribui obras que somente Deus realiza (Jó 33.4; SI 104.30; Rm 8.11; I Co 6.11; 12.8-11).


Não há dúvidas de que o Espírito está em condição de igualdade junto às outras Pessoas da Trindade. Isto se verifica de maneira inequívoca na obra da redenção (Tt 3.4-7; I Jo 5.6-8); na fórmula do Batismo (Mt 28.19) e na Bênção Apostólica (II Co 3.13).


Conforme o Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana (Pergunta n.° 09), as três Pessoas a Trindade são "um só Deus verdadeiro e terno, da mesma substância, iguais em poder glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais". O Espírito Santo merece, portanto, ser compreendido e honrado como Deus, e, honrando-o como tal estaremos honrando também o Pai e o Filho.

2 - A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO TEM PERSONALIDADE PRÓPRIA

A idéia do Espírito Santo como um ser Pessoal está mais nítida no Novo Testamento. No Antigo Testamento o Espírito Santo é entendido mais como uma força impessoal, uma energia que procede de Deus. Por isso Ele é frequentemente designado como o "sopro de Deus", a "força do Senhor", o "Espírito de Deus" (Gn 1.2; Jó 33.4; SI 71.16).
O Antigo Testamento enfatiza o Espírito como sendo o "poder de Deus", enquanto que no Novo Testamento sobressai a ideia de que o Espírito é a terceira Pessoa da Trindade.

Não é uma contradição, e sim, apenas uma questão de ênfase. No caso do Antigo Testamento, especialmente, talvez para evitar confusão com o politeísmo generalizado dos povos pagãos da época.


O texto de João 14.16 indica que o Espírito Santo é uma Pessoa. O termo Consolador verificado nesse versículo pode ser corretamente traduzido também por: "Conselheiro", "Auxiliador", "Advogado", "Amigo". Com estas palavras Jesus fez uma especial apresentação do Espírito, o "outro" que haveria de vir para dar continuidade à Sua obra. Jesus deixa bem claro que esse "outro" que viria é o Espírito Santo (Jo 14.16-17,26).


O ensino bíblico de que o Espírito Santo é uma Pessoa pode ser visto nas qualidades que lhe são atribuídas e que são próprias de uma pessoa: pensamento, sentimento, vontade, consciência própria e direção própria (I Co 2.10-11; 12.11; Jo 14.26; Rm 8.27; 15.30; Ef 4.30).


Também os atos do Espírito Santo confirmam a Sua Personalidade: Ele fala, clama, testifica, convence, ensina, intercede, guia (Ap 2.7; Gl 4.6; Rm 8.14,26). Ainda, através de sua especial missão — o outro Consolador — percebe-se que Ele é uma pessoa que possui personalidade própria.


Finalmente, vale a pena destacar a passagem bíblica de Isaías 63.10 onde se faz referencia explícita ao Espírito Santo como sendo uma Pessoa: "Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles".


Há outros textos bíblicos que fazem referência ao Espírito como sendo uma Pessoa: Mt 12.31-32 e Hb 10.29.

3 - A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO AGE DE MANEIRA DINÂMICA NO MUNDO

Segundo o exegeta francês Jean Giblet "toda a ação do Espírito consiste em achegar-nos a Deus, colocar-nos em comunicação viva com Deus, introduzir-nos nas profundezas sagradas e pôr-nos à disposição os segredos de Deus" (I Co 2.10-13).

O teólogo J. I. Packer por sua vez, afirma de maneira categórica: "A obra do Espírito Santo é tão importante que, se não fosse pela Sua ação não haveria Evangelho, nem fé, nem Igreja, nem Cristianismo no mundo".


A ação do Espírito Santo se dá em perfeita conexão e harmonia com as demais Pessoas da Trindade. Ele age na Criação (Gn 1.2; SI 104.30), na Santificação (Gl 5.16; I Pe 1.2) e dia a dia na assistência ao povo de Deus, orientando, consolando e capacitando (Ag 2.5; Jo 14.26; Rm 8.26; I Co 2.4-5).


Pode-se dizer que a ação dinâmica do Espírito Santo antecede, permeia e transcende a história. Ele age antes da formação da terra (Gn 1.2); Ele age na formação e na história do homem (Gn 2.7; Jó 33.4; SI 104.30); Ele age na instauração e desenvolvimento do Reino de Deus (At 1.8; 2.1-4; Rm 14.17); Ele agirá na eternidade (II Co 5.2-5; Ef 3.20-21).


A convicção desta verdade deve nos sensibilizar, motivando-nos de tal forma que o nosso viver se dê em plena submissão a esta Pessoa maravilhosa que está entre Deus e o Seu povo, atuando e agindo para o nosso bem e para a glória de Deus.


Como cristãos verdadeiros devemos amar, obedecer e adorar ao Espírito Santo que nos regenera para uma nova vida em Cristo Jesus, nos sustenta e por nós intercede no decurso desta vida terrena, e nos introduz na glória eterna.


"E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito... ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo" (II Co 3.18; 4.6).
 

DISCUSSÃO

1. Muitos dizem por aí que o Espírito Santo é uma influência ou uma energia cósmica. Como provar o contrário?
2. A pessoa do Espírito Santo age apenas na Igreja ou age fora da Igreja também?

PARA PENSAR

A tentativa de se manipular ou monopolizar a Pessoa do Espírito Santo pode ser uma forma de resistência à Sua obra, que é inédita, criativa, livre, dinâmica, às vezes surpreendentemente simples, às vezes simplesmente surpreendente.

DONS DO ESPIRITO SANTO 1 CORINTIOS 12

Dons do Espírito Santo

1 Coríntios 12


Há indivíduos que se revelam extremamente talentosos em determinadas áreas, como por exemplo: na música, na oratória, no ensino, nas artes, nos esportes, etc. Os talentos ou aptidões naturais já nascem com as pessoas, sendo algo inerente à vida humana. Tanto cristãos quanto não-cristãos possuem talentos naturais, que são dados para a glória de Deus.

Os dons espirituais são concedidos pelo Espírito Santo aos cristãos para o serviço e adoração ao Senhor. Na Igreja de Corinto estavam presentes atitudes errôneas quanto ao uso dos dons espirituais, chegando alguns a utilizados como nível de vaidade espiritual.


Havia entre os coríntios uma atitude de se cultivar o espetacular e o fascínio pelo sobrenatural, o que refletia as práticas pagãs. É preciso deixar claro que nem todas as manifestações de entusiasmo religioso provêm de Deus.


Este estudo pretende apresentar alguns princípios para unta correta utilização dos dons espirituais, sem contudo oferecer uma análise pormenorizada de cada um deles. Eles são encontrados em Romanos 12.3-8; I Coríntios 12; Efésios 4.7-12 e I Pedro 4.10-11. 


1 - A PROCEDÊNCIA DOS DONS ESPIRITUAIS

Os dons do Espírito são dádivas de Deus, como resultado de Sua graça e presença ativa na vida de Seu povo.

O Novo Testamento mostra esta procedência de diversas maneiras:

1.1. Eles são da graça de Deus.

A própria palavra "dom" indica que é algo dado por Deus, sendo um favor imerecido de Deus. Esta dádiva é gratuita e espontânea. Isso está evidente em Romanos 12.6; Efésios 4.7 e I Pedro 4.10.

1.2. Eles são do Espírito de Deus.

Em I Coríntios 12.1 a ideia é de algo espiritual: "A respeito dos dons espirituais". O verso 11 do mesmo capítulo diz que é o "Espírito" quem distribui como lhe apraz. É o Espírito Santo quem nos dota de dons espirituais. Para o escritor John R. W. Stott "O Espírito Santo é o Executivo da Divindade".

1.3. Eles são da soberania de Deus.

Os dons são presentes graciosos e a distribuição é Soberana. "Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas cousas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente" (I Co 12.11).

Assim sendo, mesmo que tenhamos de "procurar os melhores dons" (I Co 12.31), a partilha não depende da vontade humana, mas da vontade soberana do próprio Espírito Santo (Hb 2.1-4).

Daí, não há nenhuma justificativa para inveja, arrogância e nem frustração. Cada cristão precisa estar contente com o dom que recebeu e nunca ter inveja dos outros por terem dons que você ainda não recebeu.

2. O ALCANCE DOS DONS ESPIRITUAIS

Há uma diversidade bem como uma distribuição ampla dos dons. O dom não é privilégio de um grupo seleto ou de uma determinada comunidade religiosa.

2.1. Distribuição a cada um.

Em Romanos 12.3,6; I Coríntios 12.11; Efésios 4.7 e I Pedro 4.10 há referência clara quanto à distribuição dos dons espirituais a "cada um". Todo cristão tem pelo menos um dom, mesmo que este esteja adormecido ou inativo. A Bíblia ensina que o cristão não é dotado de todos os dons.

2.2. Distribuição aos membros do corpo de Cristo.

O Apóstolo Paulo utiliza a metáfora do corpo para falar sobre a Igreja como corpo de Cristo. Neste corpo composto de sistemas coordenados, cada membro tem uma função distinta, ou seja, diferente (Rm 12.4-6; I Co 12.12,14,27).

Assim como é no corpo humano, é no Corpo de Cristo. Cada cristão tem um dom espiritual e é responsável pela sua funcionalidade. Nenhum cristão fica esquecido pelo Espírito Santo.


Portanto, o trabalho da Igreja não pode ficar apenas nas mãos de uns poucos líderes, pois os dons são dados a todos. A desculpa de que não há na Igreja pessoas capacitadas é anti-bíblica, pois a "cada um" o Espírito concede dons para o desempenho da obra.

3 - AS FINALIDADES DOS DONS ESPIRITUAIS

É preciso perguntar agora: para que o Espírito distribui dons espirituais?

3.1. Para serem utilizados.

Os dons são funcionais. A Bíblia diz que somos "despenseiros da multiforme graça de Deus", e recebemos a ordem para ser "bons despenseiros" (I Pe 4.10). Na Igreja não há lugar para a ociosidade ou comodismo.

3.2. Para assistir outros.

Os dons precisam auxiliar a outras pessoas. Eles são altruístas e não são doações para ajudar, confortar e enaltecer a nós mesmos. Conforme a tradução da Bíblia de Jerusalém, "cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos" (I Co 12.7). Veja a recomendação do Apóstolo Pedro em I Pe 4.10.
 

3.3. Para a edificação da Igreja.

"... procurai progredir, para a edificação da Igreja" (I Co 14.12). Os dons são dados para a edificação pessoal e coletiva. Quanto mais eles edificam, mais valiosos eles são. A falta de crescimento de muitas Igrejas possui como uma das causas a utilização incorreta dos dons (Ef 4.12,15,16). 3.4. Para unir a Igreja.

Está claro que a distribuição dos dons atinge a todos os membros do Corpo de Cristo. Ninguém fica sem ele. A unidade precisa ser preservada dentro da diversidade dos dons, pois o Espírito é o mesmo (I Co 12.4,5,11). E lamentável que a interpretação do significado dos dons tem provocado tantos desentendimentos. A Bíblia recomenda para que não haja divisões na Igreja (I Co 1.10).

É preciso deixar claro, de modo conclusivo, que uma coisa é o Dom do Espírito, o qual o cristão recebe por ocasião da sua conversão a Cristo, e outra coisa são os dons do Espírito, que o Espírito Santo faz depois que se encontra no coração do homem.

Eles são dados de modo soberano e livre pelo Espírito Santo, a cada um segundo a Sua vontade e sempre com uma finalidade prática e útil. Cada cristão deve buscar uma intimidade maior com Deus para compreender qual é o seu dom e aplicá-lo ao serviço do Mestre.

Procure uma integração mais dinâmica em sua Igreja, se envolvendo mais em suas atividades e assim o Espírito Santo estará conferindo a você os Seus dons, qualificando-o para melhor servir ao Senhor.


Saiba que Deus quer usá-lo e através de sua vida Ele estará realizando os Seus propósitos e manifestando a Sua graça abundante em Sua Igreja. Coloque-se integralmente e sem reservas diante daquele que deseja que você seja "perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (II Tm 3.17).
 

DISCUSSÃO

Alguns dons são mais importantes do que os outros? Por quê?
Como entender a atualidade dos dons espirituais?

PARA PENSAR

Cada cristão tem um dom espiritual e é responsável pela sua funcionalidade. Nenhum cristão fica esquecido pelo Espírito Santo.

BATISMO COM O ESPIRITO SANTO ATOS 11.-118

Batismo com o Espírito Santo

Atos 11.1-18


O batismo com o Espírito Santo é uma verdade bíblica que tem como objetivo aproximar os cristãos uns dos outros e unidos ao Corpo de Cristo. No entanto, observa-se hoje que as interpretações do assunto têm levado muitos ao separatismo e tem provocado muitas controvérsias na Igreja do Senhor Jesus Cristo.

O batismo com o Espírito Santo é a primeira e a maior bênção experimentada pelo cristão, cujos efeitos são sentidos e manifestados no dia-a-dia. Esse batismo é o que proporciona ao cristão o privilégio de ser entregue aos cuidados do Espírito Santo e viver no Seu conforto e orientação.


O texto de Atos 11.1-18 descreve a defesa de Pedro em Jerusalém, diante dos cristãos legalistas que não aceitavam a conversão de gentios ao Cristianismo. Pedro afirma que o “Espírito foi derramado sobre eles'' e que isso era a realização daquilo que foi dito por Jesus: "...João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo" (v. 16).


Assim, o Apóstolo Pedro afirma que do mesmo modo que eles (judeus) foram batizados, gentios também o foram. Está claro, nas palavras de Pedro que aqueles que são convertidos são batizados no Espírito Santo, ou seja, têm as suas vidas entregues aos cuidados do Espírito.


A abordagem desse tema tem como proposta desafiar a todos os cristãos a uma vida condizente com a necessidade do batismo no Espírito Santo.

1 - O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO ACONTECE NO ATO DA CONVERSÃO

O batismo com o Espírito Santo é sinônimo de conversão. Só recebem o batismo com o Espírito Santo aqueles que, genuinamente tiverem suas vidas transformadas. A pergunta dos ouvintes da pregação do Apóstolo Pedro é respondida: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.38).

O batismo com o Espírito Santo não é uma segunda benção, é, sim, a primeira bênção, a regeneração, o novo nascimento (Jo 3.5,6). Sem o derramar do Espírito não há mudança de vida. No Novo Testamento se aprende que a remissão de pecados e o batismo com o Espírito Santo acontecem sempre juntos: há sempre o "despojar do velho homem" (conversão) e o revestir do novo homem (batismo com o Espírito) (Ef 4.22-24).


Assim, não é o falar em línguas que autentica o batismo com o Espírito Santo, mas a genuína conversão, seguida de seus frutos. Deus tira o coração de pedra, remove o pecado e coloca no lugar o Espírito Santo, selando-nos definitivamente.


O Profeta Ezequiel escreveu o seguinte: "Diz o Senhor: Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro em vós o meu Espírito..." (Ez 36.25-27). Coração novo. Novos frutos. Frutos do Espírito. Sua vida, suas atitudes, seus frutos, testificam do batismo que você recebeu.


Não deve haver dúvidas de que o batismo com o Espírito Santo e a regeneração são experiências simultâneas e semelhantes.

Na carta aos gálatas (3.26-27), o Apóstolo Paulo escreve: "Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes". Será que o tornar-se filho de Deus e o revestir-se de Cristo são resultados produzidos simplesmente pelo batismo com água? Evidentemente que não!

O batismo com água é o símbolo externo do batismo com o Espírito Santo e deve acompanhá-lo. Percebe-se nesses versículos que a experiência do batismo com o Espírito Santo está inseparavelmente ligada à regeneração e conversão ou o novo nascimento, também chamado nascimento da água, numa perfeita alusão a este elemento que está associado, simboliza e acompanha o batismo com o Espírito Santo (Jo 3.5; I Pe 3.20-21).


Todo aquele que é convertido a Cristo é também batizado com o Espírito Santo, pois, sem esta experiência o indivíduo não é capaz nem mesmo de confessar verdadeiramente a Cristo como Senhor (I Co 12.3).

2 - O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO É UMA GRAÇA PRESENTE NA VIDA DE TODO AQUELE QUE É CONVERTIDO A CRISTO

Percebe-se em vários textos bíblicos referentes ao batismo com o Espírito Santo, uma ênfase à ideia de que todos os convertidos são participantes desta graça (Gl 3.26-27; I Jo 2.20).

O ensino aceito e divulgado por tantas pessoas sobre a existência de convertidos que ainda não receberam o batismo com o Espírito carece de base bíblica.


É impossível haver no corpo de Cristo — a Igreja — algum membro que ainda não foi batizado com o Espírito Santo, pois, segundo o Apóstolo Paulo, "em um só Espírito todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres" (I Co 12.13).


O batismo com o Espírito Santo é uma graça presente na vida de todo aquele que é convertido a Cristo e se dá no ato da conversão. E a partir daí as experiências relacionadas ao Espírito se verificam em termos de continuidade em direção à plenitude e ao fluir de suas manifestações (Ef 5.18; Hb 2.4).


A busca do cristão deve ser, portanto, não para o recebimento do batismo — se ele já é, de fato, convertido — e sim, pelo transbordar do Espírito em sua vida, a qual deve ser por Ele pautada: "Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito" (Gl 5.25).


Todo crente verdadeiro é batizado com o Espírito, porém, nem todos têm andado no Espírito. Sendo assim, devemos viver consolados porque, como os demais irmãos, também temos o Espírito. Mas, por outro lado, devemos nos sentir desafiados a demonstrar com a nossa vida a verdade desse fato.

3 - O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO É O ATO QUE HABILITA OS CONVERTIDOS A TESTEMUNHAR COM INTREPIDEZ

Em Atos, Lucas informa sobre a admiração do Sinédrio ao ver a intrepidez de Pedro c João. Eles eram homens simples, pescadores, e foram transformados em eloquentes oradores, enfrentando multidões (At 4.13).

Estes homens que haviam recebido o batismo com o Espírito Santo quando creram em Jesus, se tornaram verdadeiras e corajosas testemunhas de Jesus Cristo.


Realmente, é o Espírito Santo quem confere este poder para testemunhar, revestindo o cristão de poder (At 1.5,8). Em seu livro "O Espírito Santo", o Dr. Reynaldo Purim declara: "Em vista da experiência do Batismo com o Espírito Santo, os apóstolos se tornaram testemunhas para dar testemunho consciente e destemido dc Jesus Cristo, como ele mesmo o havia pedido, dizendo: Ele testificará de mim e vós também testificareis" (Jo 15.26-27).


O batismo com o Espírito Santo habilita o cristão para testemunhar de Jesus. Logo, aquele que é marcado pela presença do Espírito Santo, possui o desejo de proclamar a Palavra de Deus e de viver conforme os Seus ensinos.


O Apóstolo Paulo, que se converteu na estrada de Damasco, recebendo assim o dom do Espírito Santo, "logo pregava nas sinagogas a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus" (At 9.20).


É inconcebível uma pessoa que se diz batizada com o Espírito Santo e não sente o desejo de proclamar a Palavra de Deus, especialmente através de um testemunho autêntico. Os cristãos do período apostólico sempre revelaram intrepidez na proclamação, a partir de uma experiência lúcida e equilibrada com o Espírito Santo (At 4.31).


Assim sendo, muito mais do que um privilégio, o batismo com o Espírito Santo impõe ao cristão uma elevada responsabilidade. Infelizmente, muitos batizados com o Espírito Santo não manifestam o Seu poder.


Uma comunidade consciente do seu batismo com o Espírito Santo não é arrogante, nem presunçosa, nem orgulhosa e nem aquela que tenta separar os batizados com o Espírito dos supostamente não batizados.


Mas, é aquela comunidade submissa, que se deixa possuir mais e mais pelo Espírito Santo, buscando uma vida de compromisso com o Reino dc Deus, através de um testemunho intrépido.
 

DISCUSSÃO

1. O batismo com o Espírito Santo ocorre antes, durante ou após a conversão?
2. Que evidencias comprovam que alguém foi batizado com o Espírito Santo?

PARA PENSAR

Muito mais do que um privilégio, o batismo com o Espírito Santo impõe ao cristão uma elevada responsabilidade.

A TRANSFIGURAÇÃO MARCOS 9.2-13

A Transfiguração

Marcos 9.2-13


Jesus quis, com a transfiguração, cumprir a promessa de Marcos 9.1, ou seja, revelar a alguns a glória e o poder do seu Reino. A chave é a expressão: "foi transfigurado diante deles". A cena ali, para os três amigos mais chegados, especialmente para Pedro, que se escandalizara com a notícia da cruz do Messias, foi para dar-lhes impulsos de ânimo e de beleza espiritual.

Para João, que devia ser, mais tarde, o evangelista que ia fixar de modo claro a doutrina da sua divindade, da sua glória: "e vimos a sua glória..."


Para Tiago, que devia abrir entre eles a fileira do sacrifício.


2 Pe 1.16-18 identifica a transfiguração com o poder da segunda vinda de Cristo.


Logo, cumpria-se, de fato, Marcos 9.1. E para Jesus, a transfiguração era um grande gozo de comunhão com o Pai, e de confirmação de sua missão.

1 - ORAÇÃO E GLORIFICAÇÃO.

"Seis dias depois tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João."


Note-se que foi Jesus quem teve a iniciativa de ir à montanha, não propriamente para ser transfigurado, mas para uma reunião de oração, conforme explicitamente o afirma Lucas (9.28,29).

A transfiguração foi conseqüência natural da comunhão de Jesus com o Pai; talvez, no caso, como resposta à sua oração. No batismo deu-se também a glorificação de Jesus, não na forma como a da cena aqui, mas pela aprovação do céu à sua missão: "abriu-se o céu."


Não fazia muito tempo, ao dar de comer à multidão no deserto, tinha ele passado a noite em oração. Nosso Salvador orava sempre principalmente nas crises importantes de sua vida (Hb 5.7). Sem dúvida, os três discípulos que estavam com Cristo oravam também com ele, e cumpria-se a promessa de Mt 18.20.


Jesus levou consigo só três dos 12 apóstolos. Não foi isto favoritismo seu a um "grupinho", como os críticos, ironicamente, dizem. Foi apenas medida muito natural. Jesus, o Mestre, tinha na sua escola várias classes de discípulos e de aprendizes, uns mais e outros menos adiantados, e Ele distribuía seus dons conforme melhor havia de ser à glória do Pai.


Há necessidade de hierarquia inteligente e sem vaidade, no mundo. No céu mesmo há hierarquia entre os anjos. Para o progresso, é preciso dividir o trabalho entre os capazes, os técnicos, os especialistas. Jesus tinha os seus técnicos e especialistas da piedade.


Pedro, Tiago e João tinham dons especiais (1 Co 12.1-12), eram os mais alertas do seu grupo, já tinham acompanhado a Cristo na sua ida à casa de Jairo e iam acompanhá-lo no Getsêmane.


Era como que uma preparação especial dos três, por motivo não explicitado por Cristo. Deus usou algumas vezes uma tríade de servos especializados: Abraão, Isaque e Jacó; Moisés, Hur e Arão; Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; Pedro, Tiago e João.


Cristo levou os amigos a um monte, longe da multidão, longe do barulho, longe das atrações do mundo. "E transfigurou-se diante deles." O verbo transfigurar significa não simplesmente uma mudança da forma exterior, mas uma mudança real e essencial de dentro para fora.


"E os seus vestidos se tornaram resplandecentes."

Mateus diz que seu "rosto ficou refulgente". Isto aconteceu à vista dos discípulos, de sorte que pudessem ser testemunhas. Jesus refletia, em antecipação provisória e parcial, a glória que Ele é e tem. Convém comparar a sua aparência, aqui, com a que se revelaria mais tarde a um dos três discípulos na Ilha de Patmos.

Será proveitoso notar os pormenores da transfiguração como nos foram transmitidos pelos evangelistas. Diz Mateus que "seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz".


Segundo Marcos, "as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas."


E Lucas diz que "suas vestes resplandeceram de brancura."


Evidentemente, houve na transfiguração mostras do que seremos na segunda vinda de Jesus.

2 - A GLÓRIA DE JESUS E OS PROFETAS GLORIFICADOS

"E apareceu-lhes Elias com Moisés."

Seria difícil escolher dois personagens que fossem mais aceitáveis aos olhos dos judeus do que estes. Os dois falaram com Deus no monte Horebe; os dois eram tipos de Cristo; jejuaram quarenta dias; sofreram muitas coisas pela glória de Deus; dividiram as águas; foram mensageiros enviados por Deus a reis; foram admiráveis na sua vida bem como no fim de sua carreira mortal.

Elias foi levado para o céu num carro de fogo, e não viu a morte. E tanto que Moisés morreu e foi sepultado, o seu corpo foi retirado do domínio daquele que tinha o império da morte, isto é, o diabo.

Moisés era representante da Lei. Por ele a Lei foi dada, foi fundado o reino e instituídos os sacrifícios, que figuravam o sacrifício de Cristo. Elias era representante dos profetas, os quais predisseram a vinda do Messias, os seus sofrimentos e a sua glória real. Eram a síntese da velha dispensação.

"E estavam falando com Jesus."

De Lucas sabemos que o grande tema dessa conversa era a sua morte, o seu "êxodo" deste mundo, e que havia de cumprir-se em Jerusalém. De certo esta palavra trouxe consolo e fortaleza a Jesus, confirmando-lhe a convicção de ser o caminho da cruz o caminho direito. A conferência, sem dúvida, fortaleceu também a fé dos discípulos. Eles viram que o que Jesus lhes ensinara a respeito do Messias padecente era verdade. E, vendo Moisés e Elias conversando com Jesus, mais facilmente podiam acreditar na ressurreição.

3 - A GLÓRIA DE JESUS E OS APÓSTOLOS NA TERRA.

"E disse Pedro" - não a qualquer pergunta de Jesus, mas, antes, à vista do que tinha ouvido.

Pedro, sempre impulsivo, pronto a falar e a escutar, propõe fazer três tendas, feitas de ramos de árvores. A companhia em que Pedro se achava era muito boa, e ele queria ficar aí, nas alturas, acima dos cuidados mundanos, e, portanto, julgava oportuno arranjar um abrigo para o Mestre e seus visitantes celestiais. Mas, Pedro "não sabia o que dizia".

Os três discípulos estavam pasmados, atônitos. Lucas diz que "encheram-se de medo ao entrarem na nuvem". As grandes manifestações do poder de Deus, vistas de perto, enchem de medo a alma cônscia de fraqueza e de pecado.

4 - A GLÓRIA DE JESUS E A VOZ CELESTIAL.

Jesus nada responde a Pedro, mas enquanto este falava, formou-se uma nuvem que os envolveu. Qual o Sheknah no Tabernáculo e depois no Templo, quando foi dedicado por Salomão, a nuvem era o sinal da presença imediata de Deus. A nuvem atenuava um pouco o brilho da glória.

"Saiu uma voz da nuvem que dizia." A mesma voz que falou quando foi Jesus batizado. "Este é meu Filho amado; a ele ouvi." Importava que os discípulos ficassem impressionados com a realidade da natureza de Jesus, de maneira que não perdessem a sua fé, mesmo nos tempos angustiosos que se haviam de seguir.


Quando os discípulos ouviram a voz, diz Mateus, "caíram de bruços, tomados de grande medo." Mas Jesus lhes tocou, dizendo: "Erguei-vos, e não temais"; e, olhando ao redor, não viram ali a mais ninguém, senão somente Jesus.


Os dois personagens o tinham deixado só com os discípulos. Jesus é a Supremacia, é, a Autoridade máxima no céu e na terra.

5 - A GLÓRIA DE JESUS E O MUNDO

A descida do monte, na luz da manhã, sem dúvida nenhuma foi acompanhada de reflexões agradáveis sobre a cena que haviam presenciado. Ali houve nova e maravilhosa confirmação de ser Jesus o Cristo, o Filho de Deus.

Naturalmente, desejavam contar a outros a história do que tinham visto e ouvido, mas Jesus "mandou que a ninguém contassem o que tinham visto até que o Filho do Homem houvesse ressurgido dos mortos."


E foi sobre esta palavra que disputavam entre si: "até que houvesse ressurgido dos mortos." A idéia de uma ressurreição geral eles eram capazes de entender, mas não podiam compreender como seria possível o Messias morrer e ressurgir, por isso tomaram a "palavra" em sentido figurado; e sabemos que, mesmo depois da ressurreição de Jesus, as palavras das mulheres que contavam a nova gloriosa pareceram a estes mesmos discípulos um como "desvario", e não lhes deram crédito.


Pois bem, se estes três tão favorecidos só em parte compreenderam as palavras de Jesus, muito menos seria possível ao povo alcançar o sentido delas.

A Transfiguração acha-se entre a Tentação e a Agonia no Getsêmane como o ponto culminante da missão de nosso Senhor na terra.

Aos que acabavam de ouvir das coisas que o Cristo havia de padecer foi concedida uma visão profética da glória que nele seria revelada, de sorte que pudessem caminhar seguros, sem ficar ofendidos ou completamente desencorajados à vista dos padecimentos atuais e futuros. A Transfiguração era um prelúdio e um penhor da glória de Cristo.


"Então lhe perguntaram: Pois, como dizem os fariseus que Elias deve vir primeiro?" - como profetizou Malaquias (3.1; 4.5-6). Os escribas tinham razão. Elias viria restaurar e reformar todas as coisas. A reforma consistia em estabelecer de novo os princípios que devem reger o Reino de Deus, e que os judeus tinham pervertido. Jesus torna a explicar-lhes o plano divino: É verdade o que dizeis. Elias há de vir e reformar todas as coisas, convertendo o coração dos pais aos filhos, como preparação para o grande dia do Senhor.


Jesus esclarece ainda mais a questão. Diz Ele: "Elias já veio" na pessoa de João Batista - o profeta que manifestou o poder e o espírito de Elias, mas os judeus não o reconheceram e Herodes fez-dele quanto quis. 18

6 - O TRABALHO ESPERAVA JESUS AO PÉ DO MONTE.

A cura de um menino possuído de espírito imundo. O pai do menino o trouxe aos nove discípulos, pedindo-lhes que expelissem o demônio, mas eles, por falta de fé, não puderam. Jesus, depois de repreender a incredulidade dos discípulos, mandou vir o menino e com sua palavra de poder curou-o perfeitamente, de sorte que "pasmaram todos do grande poder de Deus."

CONCLUSÕES

1. A Transfiguração é uma profecia da Ressurreição e Glorificação.

2.
A comunhão com Cristo transfigura as nossas vidas. Quando Moisés desceu do monte, onde tinha estado com Deus, o seu rosto resplandecia (Ex 34.29-35).

3.
A Transfiguração é prova da existência além-túmulo. Moisés e Elias conversavam com Jesus.

4.
A luz, a glória e a bem-aventurança do mundo celestial são tão inefáveis que até o cristão, vendo-as, delira, como quem não sabe o que diz.

5.
De vez em quando avistamos de longe a glória que nos espera: "o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo de sua glória" (Fp 3.21)."E assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial" (1 Co 15.49).

6.
A Transfiguração foi, para Cristo, preparação para a cruz.

7.
A limitada inteligência humana delira em face da glória divina. Por isso, seremos transfigurados ao irmos para o céu. Senão, deliraríamos ante a majestade celestial.

8.
Pedro propôs uma infantilidade no monte: fazer tendas para quem morava no céu; reter no monte árido os que residiam no Alto da Glória e reter na terra seres já glorificados...
 
8. Elias "já veio e há de vir", disse Jesus. Veio figuradamente por meio da pessoa e obra de João Batista. Mas, Elias virá ainda, na segunda vinda de Jesus à terra, Elias mesmo.

9.
Jesus não era homem de reclames espetaculares, sensacionais e ruidosos, como os mestres de hoje, agitadores de povos e classes. Jesus é a expressão máxima da candura, da serenidade e da discrição. A proclamação de sua glória é feita pela fé, sim, mas no silêncio de uma vida eloqüente que vive na prática do bem.

A SALVAÇÃO GRACIOSA LUCAS 19.1-10

Salvação Graciosa

Lucas 19.1-10


Introdução

Durante a última semana antes da crucificação, Jesus, na sua última jornada para Jerusalém, foi o Hóspede Salvador do principal dos publícanos na cidade de Jericó, no vale do baixo Jordão, onde se achava a sede dos agentes romanos para regulamentação dos produtos de exportação e importação, entre o Império Romano e o domínio de Herodes.

Luz sobre o texto

• v. 1 - Entrando em Jericó. Depois da cura do cego, que se deu perto da cidade (18.35-45).

• v. 2 - Um dos principais... rico. Tinha cobradores subordinados. Os publicanos principais avaliavam os bens e estipulavam impostos. Por isso, dispunham de meios amplos para se enriquecerem. E Zaqueu, que era judeu de origem, era tido entre o povo como quem se enriquecia ilicitamente.


• v. 3 - Multidão. Alguns peregrinos de Samaria, Galileia, Peréia e, provavelmente, de outras partes, e também outros de Jericó e sua redondeza, porque bem conheciam a Zaqueu.


• v. 4 - Subiu... passar por ali. Para um homem de sua posição, correr assim e subir numa árvore a fim de ver Jesus e conhecê-lo era sinal de um desejo ardente, nascido, sem dúvida, num coração convicto. Provavelmente, ouviu falar da cura do cego, dos poderes e da graça de Jesus.


• v. 5 - Olhando para cima. Conhecia de antemão, justamente como conhecia Natanael (Jo 1.47-48).


• Convém-me pousar na tua casa. Jesus convidou-se a si mesmo para pousar em casa de Zaqueu, assim como está sempre convidando os pecadores a se converterem de seus maus caminhos para serem salvos.


• v. 6 - Recebeu-o com alegria. Obedeceu pronta e alegremente.


• v. 7 - Hóspede de um homem pecador. Os que murmuravam conheciam Zaqueu.


• Todos murmuravam. Para falar bem dos outros nem sempre há unanimidade, mas para criticar é coisa muito comum.


• Pecador. Aqui significa "um que havia abandonado a fé". Zaqueu era, para os judeus, herege, mau, traidor de sua Pátria e mundano.


• v. 8 - Disse a Jesus. Bonita atitude a de Zaqueu. Ele não deu mostras de irritação contra os murmuradores. Quando falou, foi a Jesus. Ótimo exemplo para nós!


• Vou dar... restituirei. Zaqueu, em contato com Cristo, resolve duas coisas excelentes: fazer o bem, usando com sabedoria as riquezas adquiridas na sua carreira pública de funcionário trabalhador. Dar metade dos bens era, sem dúvida, ato de grande generosidade e espírito de sacrifício. Contrasta-se Zaqueu, aqui, com o jovem rico avarento (Mc 10.17-22).

Restituiria ele, também (e esta foi a segunda ação imediata do Zaqueu convertido), o que, porventura, houvesse recebido indebitamente de alguém. Note-se que Zaqueu não diz ter feito isso de plena consciência, mas se alguém se apresentasse como defraudado por ele, pagaria o prejuízo quatro vezes mais, com juros bem grandes.


Zaqueu queria cumprir o espírito das leis do Senhor (Ex 22.1; Nm 5.6-7). Caridade e restituição - eis provas de um coração transformado. Além disso, ficou evidente que sua conversão era mesmo genuína, porque mexeu com seu bolso, tirando daí sua carteira para depositá-la ao serviço do bem e da justiça.


• v. 9 - Filho de Abraão. Isto é, crente, participante das promessas do pacto, filho de Deus pela graça. Os críticos tinham Zaqueu como não membro da família da fé, um apóstata; Jesus o reintegrou nela.


• Casa - Entrou salvação na casa toda? E isso mesmo. Uma alma salva é bênção para muitas outras almas. Certamente o lar de Zaqueu o acompanhou na sua nova vida. Veja você At 2.39-42; 16.14,15; 16.31-33. Cristo salva para que os salvos levem outros a se salvarem em Cristo.


• v. 10 - Veio salvar. Este é um dos textos mais consoladores da Bíblia. Aqui estabelece Jesus, com a clareza da luz meridiana, qual a sua missão e qual o dever dos pecadores. Na rede da graça salvadora cabem todos os pecadores perdidos, caso eles venham.

Estudo da lição


1 - O CRISTO QUE PASSA.

Jesus, às vésperas de entregar-se à prisão e à morte, não deixava de passar por toda parte, semeando profusamente oportunidades de salvação. Este fato inspirou João Diener a escrever a linda poesia: (HE 236)

Há hoje alguém esperando, Para Jesus encontrar?
Venha, não mais se demore. Cristo vai hoje passar!
Ei-lo de mãos estendidas, Cheio de graça sem par.
Oh! que ventura inaudita, Cristo vai hoje passar!

Cristo vai hoje passar! E vem de amor transbordando,
Todos a si convidando, Cheio de graça sem par.
Oh! vinde vê-lo passar!
Há ainda alguém duvidando do seu poder de salvar?
Venha, já, experimente, Cristo vai hoje passar!
O seu poder é divino, O seu amor não tem par.
Ó coração quebrantado! Cristo vai hoje passar!

Há ainda alguém demorando,

Em Jesus Cristo aceitar?
Eis que o Senhor está perto,
Ele vai hoje passar!

O pecador desditoso.

Por que hás de o bem recusar?
Estás ainda hesitanto?!
Cristo vai hoje passar!
"Oh! Vinde vê-lo passar!" Não apenas para vê-lo passar; é também para segui-lo, como Zaqueu o fez.

2 - O LADO DIVINO DA SALVAÇÃO

1. É eletiva e eterna. Abra sua Bíblia e leia com atenção Jo 6.37; 15,16; Rm 9.11-13; Ef 1.4. A salvação do pecador está, antes de tudo, no coração de Deus e é parte integrante de seus decretos eternos.

2. É livre e gratuita. Leia Ef 2.8-9. Não está baseada em nada de bom que porventura Deus visse no homem.


3. É soberana. Leia Mt 20.1-16; Rm 9.14,29. Saulo de Tarso não queria nenhuma salvação que viesse de Jesus Cristo. No entanto, foi salvo so-beranamente por Cristo.

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4. É completa e instantânea. Leia Lc 23.39-43; 19.9. Deus é livre para salvar o pecador e o salva completamente e de uma vez por todas (Fp 2.13)


5. É segura e definitiva. Leia Jo 10.28. Se a salvação fosse obra do homem, hoje ele estaria salvo e amanhã, não. Como a salvação é obra de Deus, o pecador, uma vez salvo, permanece salvo para sempre.


6. É pela iniciativa de Deus. Leia Ap 3.20. Foi Cristo quem convidou Zaqueu a descer da árvore; foi Cristo quem o convidou a hospedá-lo. Se a salvação não partisse de Deus, o homem jamais seria salvo! (Ef 2.8; Jo 3.16).

3 - O LADO HUMANO DA SALVAÇÃO.

1. É preciso que o homem queira.

Leia Mt 16.24-25; 19-17. A Bíblia ensina por toda parte que o homem precisa querer a vida eterna, mas aprendemos que esse querer do homem também vem de Deus (Fp 2.13).

2. É responsiva, isto é, o homem precisa responder positivamente ao apelo divino. Leia Ap 3.20. "Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta..." O homem é um ser responsável e não uma "coisa" impessoal.


3. Exige esforço. Leia Mt 11.12; Lc 13.24; 16.16. O Espírito de Deus é quem dinamiza o homem para que este aja dentro e de acordo com a vontade soberana de Deus.


4. É progressiva e santificante. Leia Fp 2.13; 2 Pe 1.10; 1 Pe 1.14-16. Não existe salvação estática.


5. É para as "boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). Estas boas obras, preparadas por Deus, significam não apenas atos bons, mas a vida inteira do crente - o que ele é e o que faz.

CONCLUSÕES

Quais os pecadores que podem e devem ser salvos por Cristo?
1. Pecadores proeminentes. Um dos principais dos publicanos. Zaqueu era bem conhecido. Era profundamente odiado. Parece que merecia o ódio devido à sua profissão e sua fama. Mas não estava fora do alcance da graça divina, como nenhum pecador está.

2. Pecadores ricos. "E era rico." Amava o dinheiro. Mamon era seu deus. Entrou em negócios desonestos, somente pelo dinheiro que neles havia. Era culpado, talvez, de extorsão. Mas havia um Deus maior que o deus-dinheiro.


3. Pecadores ansiosos. "Procurava ver Jesus." Primeiro, por curiosidade de ver Jesus. E o Mestre transformou a centelha do seu interesse numa chama ardente e perene.


4. Pecadores obedientes. "E, apressando-se, desceu." O publicano ansioso foi reconhecido pelo Cristo amoroso que se aproximava. O Homem da Galileia tinha uma palavra para o homem de Jericó. Zaqueu reconheceu o seu Senhor; e seu coração respondeu imediatamente à chamada do Amigo.


5. Pecadores receptivos. "E o recebeu com alegria." Os fariseus passavam de largo pelo publicano. Nem um sacerdote atravessaria o seu portal. Era um homem repudiado. Mas Jesus tornou-se o seu Hóspede. E Zaqueu recebeu o grande Hóspede com verdadeira alegria interior.


6. Pecadores criticados. "Todos... murmuravam." Odiavam tanto a Jesus quanto a Zaqueu. Estavam mais interessados no cerimonialismo do que na salvação eterna de alguém ou de si mesmos. Acreditavam mais no ódio do que no amor.


7. Pecadores confessantes. "Senhor." Jesus era agora para Zaqueu mais do que mero profeta itinerante ou famoso operador de maravilhas. Ele o proclamou como o seu Senhor. Ele lamentava na presença do Santo de Israel sua alma pecadora e sua vida corrupta.


8. Pecadores consagrados. "Metade dos meus bens." Amava Zaqueu o dinheiro? Sem dúvida, e de todo o coração, no passado; mas, agora, e dali em diante, o seu ouro seria uma alavanca com que ia mover o mundo. Para mostrar sua fé, dividiu sua fortuna em duas partes e deu uma aos pobres.


9. Pecadores altruístas. "Restituo quatro vezes mais." Não haveria em Jericó e nas cercanias pessoas que duvidassem da conversão de Zaqueu? Não foram elas vítimas de sua ganância? Mas, o publicano convertido mostraria sua fé através da restituição do fruto de sua avidez. Suas vítimas de outrora seriam as primeiras a louvá-lo e a receberem os benefícios de sua nova vida.

PARA VOCÊ PENSAR

1. Quem foi Zaqueu?
2. Explique os vv. 8,9 e 10
3. Que sabe sobre o Cristo que passa?
4. O lado divino é distinto do lado humano da salvação? Explique.
5. Como obter a salvação?
6. Discuta as conclusões da lição.

O TEMPLO DO ESPIRITO SANTO 1 CORENTIOS 6.19

O Templo do Espírito Santo

1 Coríntios 6.19


Estudaremos hoje uma lição sobre o corpo humano. Não se trata de um estudo teórico, de como ele é formado, e sim de um estudo prático, que visa a dar-nos uma consciência mais esclarecida quanto aos nossos deveres para com ele.

Nossa salvação não só traz bênçãos para a nossa alma, mas também para nosso corpo. Como crentes, temos uma nova compreensão da sua finalidade. Como mordomos, devemos sentir nossa responsabilidade para com Deus em relação ao nosso corpo.


Paulo, cônscio de sua mordomia, exclamava: "Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte." (Fp 1.20.)


1 - O CORPO HUMANO FOI CRIADO POR DEUS

Quando Deus criou o homem, fê-lo com um cuidado especial. Ao criar as demais coisas, simplesmente disse: "Faça-se." Quando, porém, criou o homem, com carinho preparou a habitação de sua alma, formando-a do pó da terra. (Gn 1.26-28; 2.7.)

A maravilha do corpo humano

Não podemos deixar de ficar deslumbrados diante da perfeição do corpo humano. O salmista, pensando nesse fato, exclamou: "Eu te louvarei, porque de modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem" (SI 139.14 - Nova Versão IBB).

O mundo antigo celebrizou sete maravilhas, consideradas como monumentos do gênio humano. Incomparavelmente superior em sua estrutura, a qualquer delas, é o plano arquitetônico do cérebro. Aí temos colunas, câmaras, galerias e pilares, velados por cortinas rendilhadas; admiráveis corredores e um inextricável labirinto de vias misteriosas, que jamais foram trilhadas por alguém.


O cérebro é o quartel-general do corpo, de onde partem as ordens que são executadas através de um magnífico sistema de comunicações chamado sistema nervoso. Com o auxílio do sistema nervoso, podemos ver, ouvir, provar, cheirar, falar, respirar, digerir e assimilar o alimento.


Possuímos, em nosso corpo, o mais extraordinário laboratório químico, em que o alimento é transformado em ossos, músculos, cabelos, unhas, pele e inúmeros tecidos. Temos ainda uma bomba poderosíssima, o coração, que faz circular o sangue através do sistema circulatório.


Nosso sistema de ventilação é perfeitamente controlado pelas narinas pulmões e pele. A única lente perfeita conhecida é a dos olhos; um dos aparelhos mais sensíveis ao som é o ouvido.

Exemplo digno de imitação

Fomos agraciados por Deus com os dons inestimavelmente valiosos dos cinco sentidos, janelas pelas quais nos podemos pôr em contacto com o mundo e suas belezas. Nem sempre sabemos apreciá-los como deveríamos, É preciso que alguém, privado de algum deles, nos venha despertar à mordomia fiel desses poderes.

Helena Keller, desde tenra idade, ficou privada dos mais ricos privilégios naturais concedidos a um ser humano. Cega, surda e muda, não julgou que essas deficiências devessem ser causa de desânimo. Orientada por sua bondosa e paciente professora, Srta. Sullivan, chegou a falar à custa de mil sacrifícios e é hoje credora da admiração do mundo inteiro.


Num artigo intitulado "Três dias para ver", ela narra o que faria se lhe fosse concedido o privilégio inaudito de recobrar, por três dias apenas, o poder da visão. Assim termina seu magistral artigo: "Eu, que sou cega, posso dar este conselho aos que vêem: usai os vossos olhos como se soubésseis que amanhã perderíeis a vista. E o mesmo método deve ser aplicado aos outros sentidos."


Meu irmão, diante desta vida notável que tanto realizou com a falta do mais precioso, que é a vista, como te sentes?


Que estás fazendo com os sentidos que Deus te deu?


O corpo humano, figura da Igreja

Querendo Paulo uma ilustração para uma igreja ideal, vai procurá-la no corpo humano, cujas partes se completam e em que cada uma exerce sua atividade especial, unificadas todas pelos centros nervosos, num sistema sem rival. (1 Co 12.12-31.)

Se os membros de nossas igrejas repetissem, num trabalho harmônico, o que se realiza no corpo humano, o reino de Deus receberia um enorme impulso.

2 - O CORPO É A HABITAÇÃO DO ESPIRITO SANTO

Foi esse corpo, tão cuidadosamente criado e mantido por Deus, que o Espírito Santo se dignou tomar por habitação.

"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Co 6.19-20).


Honra maior não poderia ser dada ao crente do que ter por companheiro constante o Espírito de Deus. É um privilégio sem paralelo de que nos devemos aproveitar, dando-lhe um lugar cada vez maior em nossa vida.

3 -  NOSSOS DEVERES PARA COM O CORPO

Visto que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, devemos conservá-lo nas melhores condições possíveis. Se cuidamos da casa em que moramos procurando mantê-la limpa e bem cuidada, quanto mais devemos cuidar do nosso corpo, que se tornou habitação do próprio Deus!

Vejamos algumas coisas essenciais ao bom funcionamento do corpo.

1. Devemos manter o corpo limpo. O asseio é de valor fundamental para a saúde. Assim como nossas casas são limpas diariamente, do mesmo modo o nosso corpo o deve ser.

2. Devemos manter o corpo em bom funcionamento. Para isso precisamos, antes de mais nada, de uma alimentação sadia e racional. Devemos evitar os alimentos prejudiciais à saúde. Há livros que nos orientam numa boa dieta. Devemos beber mais leite, comer mais verduras, menos carne e comidas gordurosas e de tempero forte.


Os pais têm grande responsabilidade em orientar os filhos numa dieta equilibrada e saudável. É importante também que não pratiquem os excessos prejudiciais ao corpo. Há os que se excedem, comendo em demasia. Sua saúde forçosamente sofrerá.


Há os que trabalham em demasia. Precisamos ter um limite para as nossas horas de trabalho. O corpo necessita de descanso, do contrário sofrerá abalos.


Uma visita ao médico, periodicamente, é dever de todo bom mordomo do corpo. Não devemos esperar que a enfermidade chegue. É melhor prevenir do que remediar. Também o dentista deve ser procurado. Muitos males têm origem em infecções dentárias, que podem causar graves prejuízos ao organismo.

4 - INIMIGOS DO CORPO

Desejamos apresentar dois inimigos do corpo, talvez os maiores. Houve tempo em que eram desconhecidos, no meio evangélico. Aos poucos, porém, vão entrando sorrateiramente no ambiente de nossas igrejas.

O fumo

Fumar é um vício. Quem fuma, é, pois, escravo. Aquele que já experimentou a liberdade de Cristo, como viverá escravo de um cigarro? Fumar é queimar dinheiro. "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão?" (Is 55.2.) Fumar é encurtar a existência. As companhias de seguros de vida dizem que o fumo reduz a vida uns dez anos, em média. Fumar é prejudicial à saúde. O fumo irrita a garganta, envenena o pulmão e o coração, prejudica o aparelho digestivo e afeta os nervos.

São impressionantes estas declarações do Prof. Antônio Prudente, do Serviço Nacional do Câncer: "O câncer, no Brasil, ceifa uma vida cada dez minutos. O câncer dos lábios, em 90% dos casos, é provocado pelo fumo." A estatística do grande cirurgião Graham é alarmante. Em 200 mortes causadas pelo câncer, 191 das vítimas eram fumantes!

A bebida

Já se encontram defensores do uso de bebidas alcoólicas, em nossas igrejas. De maneira insidiosa, Satanás vai penetrando em nossos arraiais. Há os que procuram na própria Bíblia defender o uso de bebidas alcoólicas. Esquecem-se tais pessoas das afirmações fortes e impressionantes da Bíblia quanto aos que bebem.

Afirmam muitos que o uso moderado da bebida não é prejudicial. O Dr. Araoz Alfaro, ex-presidente da Liga Argentina Contra a Tuberculose, assim declara: "Tenho procurado chamar a atenção do público argentino para os perigos do que peço permissão para chamar "alcoolismo aristocrático", isto é, o hábito cada vez mais difundido em nossos círculos sociais, de ingerir, várias vezes por dia, e de diversas formas mais ou menos engenhosas, aperitivos, coquetéis e licores finos, além dos vinhos "generosos" e variados, consumidos durante as refeições... É preciso repetir que as bebidas consumidas dessa forma fazem tanto mal em pequenas porções, como os excessos de embriaguez."


A Liga Brasileira de Higiene Mental publicou uma circular, cujo resumo é o seguinte: "Não são apenas as bebidas fortes, como a cachaça e o uísque, que fazem mal à saúde. Não existe nenhum meio prático de determinar o limite entre a moderação e o abuso do álcool. Até hoje não se conseguiu debelar o alcoolismo, em parte devido à crença errônea de que somente os ébrios são as vítimas do álcool.


"É um erro supor que haja conveniência em tomar bebidas alcoólicas durante o trabalho, seja corporal, seja mental, ou durante o tempo frio. Outra idéia falsa é acreditar que a bebida possa prevenir as infecções, a gripe, ou quaisquer outras doenças. Não é certo que haja vantagem em dar bebidas alcoólicas, tais como a chamada cerveja preta, às mulheres que estão amamentando. É um verdadeiro crime dar bebidas alcoólicas às crianças."

CONCLUSÃO

Cuidar de nosso corpo é um dever religioso. O mesmo Deus que fez o nosso corpo, escolheu fazer dele o seu templo, onde tem prazer de morar.

Visto que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, cuidar dele e mantê-lo puro e digno é parte do nosso culto a Deus. "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm 12. 1, Versão Revista e Atualizada — SBB).

A IGREJA PRIMITIVA ATOS 4.32

A Igreja Primitiva

Atos 4.32


Introdução

As experiências da Igreja, nos dias dos apóstolos, são de alto valor e extraordinária importância para a Igreja de hoje. Não para a Igreja viver, hoje, exatamente como a Igreja viveu, naqueles dias.

Mas suas experiências, naqueles dias, devem ser consideradas à luz do que a Escritura estabelece para a Igreja. Não é preciso que os membros da Igreja, hoje, vendam suas propriedades para a manutenção conjunta da comunidade, porque a Escritura não ordena que se faça isto. Se um grupo, hoje, não contar com a simpatia de todo o povo, não deixa, por isso, de ser Igreja.


As experiências da Igreja Primitiva nos inspiram na prática da fé cristã e, muitas vezes, até nos emocionam. Mas as experiências naqueles dias não são regra para os dias de hoje, mesmo estando elas registradas na Escritura. A não ser que seu registro esteja acompanhado de algum ensino ou ordem, para isso. (Isto é um princípio de interpretação bíblica). Porém, suas experiências, num tempo especial, mostram e, portanto, ensinam sua condição de vida em todos os tempos.


Assim, esta lição não deve ser apenas de informações históricas, e, sim, informações históricas que informem ou ensinem para a prática de agora. Pois não há uma Igreja Primitiva e outra nos dias de hoje, mas, sim, experiências, nos primeiros dias e nos dias de hoje, na vida da mesma Igreja.


Então, vejamos a IGREJA PRIMITIVA, em suas experiências, ou seja, a Igreja em suas primeiras experiências.

1 - VIVEU ALGUM TEMPO DE BONANÇA

Durante algum tempo, a Igreja viveu uma experiência de "um cantinho do céu na terra".

1. Havia acatamento da doutrina e temor (At 2.42,43). O temor de Deus, que havia em cada alma, ou seja, o reconhecimento de que Deus é o Senhor e que tem o poder, a autoridade e o domínio sobre tudo e sobre todos, fazia com que houvesse perseverança na doutrina dos apóstolos, pois ela era acatada como provinda de Deus.


2. Havia unanimidade (At 2.46; 4.32). O acatamento da doutrina estabelecia unanimidade, pois não havia quem quisesse fazer as coisas de acordo com as suas próprias idéias. Ao contrário, aceitava-se o padrão dado por Deus, através dos apóstolos.


3. Havia comunhão (At 2.42,44-46). Já que ninguém discordava do padrão, antes, "perseveravam unânimes", proporcionava-se a comunhão. Não só estavam juntos os crentes, como tinham convivência fraterna.


4. Havia liberalidade e suprimento (At 2.45; 4.32,34,35). Resultante da fraternidade na convivência em que, "Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das cousas que possuía"; "nenhum necessitado havia entre eles", pois "se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade".

5. Havia simpatia do povo (At 2.47). Até este ponto, o povo, ainda não sublevado pelos sacerdotes, por certo, estaria admirando e apreciando o modo de vida dos cristãos.

6. Havia milagres encorajadores. A realização de milagres por mãos dos apóstolos (At 2.43; 5.12; 14.3; 19.11) autenticava a pregação da Igreja (2 Co 12.12) e convencia os ouvintes da palavra (At 4.4) e até encorajava a Igreja (At 4.30,31).


7. Havia conversões animadoras. Num só dia a estatística da Igreja cresceu quase 2.600% (At 2.41) e continuou a crescer, dia a dia (At 2.47).

Mas esta experiência de bonança não perdurou.

2 - COMEÇOU, LOGO, A ENFRENTAR PROBLEMAS

Pedro, Tiago e João tiveram a experiência de presenciar a transfiguração de Jesus, e nela queriam permanecer, conforme a sugestão de Pedro: "Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas; uma será tua, outra para Moisés e outra para Elias." (Mc 9.5b).

Mas, a seguir, havia uma multidão abaixo do monte e, com ela, o sofrimento. Houve um tempo como o monte da transfiguração; depois, começaram as aflições de que falara o Senhor aos primeiros componentes da Igreja: "No mundo passais por aflições" (Jo 16.33b); — "Antes, porém, de todas estas cousas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome" (Lc 21.12); — "porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos" (Mt 24.24).

1. Ressentimento, inveja e oposição

Estes foram os primeiros problemas que surgiram na vida da Igreja. As autoridades ficaram ressentidas e sobrevieram e prenderam Pedro e João (At 4.1-3) e, "Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja e prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública" (At 5.17,18). Assim, se fez oposição à pregação e ao ensino em nome de Jesus (At 4.18; 6.9-14).

2. Falta de sinceridade, de acatamento, de unanimidade e de consideração uns com os outros

Pior que aqueles, foram estes, porque dentro da própria Igreja. Pessoas querendo parecer o que, na realidade, não eram (At 5.1-10). Ainda que este caso tenha sido sanado de modo drástico, de maneira a ter vindo grande temor a toda a Igreja, aquele temor não se conservou.

A autoridade apostólica começa a ser contestada (1 Co 9.1,2; 2 Co 11.4; 12.11; 3 Jo 9). Aquela unidade de alma se desfez (1 Co 1.11-13; 3.3,4; At 15.36-39). E também aquela convivência de comunhão fraterna já não era a mesma (1 Co 11.21,22).

3. Discriminação e murmuração ou queixa (At 6.1)

Esta passagem informa que o próprio crescimento da Igreja ocasionou estes problemas. Enquanto as pessoas a serem atendidas na distribuição diária eram poucas, não acontecia de algumas ficarem esquecidas; enquanto as viúvas eram todas dos hebreus, não havia preferências ou proteção; mas, surgindo estas coisas, houve também murmuração, queixa, reclamações.

4. Perseguição (At 8.1)

A inveja, que motivou a oposição iniciada com a prisão de Pedro e João, e ampliada com a prisão dos apóstolos, tornou-se em ódio enfurecido, que apedrejou Estêvão, e resultou em "grande perseguição contra a Igreja, em Jerusalém", dispersando os discípulos. "Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere" (At 8.3).

Mas, como o Senhor prevenira Seus discípulos de que passariam por aflições, também lhes prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16.18).

3 - ENFRENTOU OS PROBLEMAS E SUPORTOU AS AFLIÇÕES

Se o Senhor permitiu problemas e aflições na vida da Igreja (e, se eles existiram, foi por permissão de Deus), também, foi a providência de Deus que a sustentou.

1. Por ter garantia da palavra do Senhor (Mt 16.18)

A afirmação de Jesus é que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. E os discípulos creram que as palavras de Jesus são palavras da vida eterna (Jo 6.68). Por isso, podiam dizer: "Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Rm 8.37). E "estas cousas" são as do sofrimento (Rm 8.35).

2. Sua ação e sua sustentação não vinham de si mesmas

Ainda nos dias bonançosos, o Senhor é que lhe acrescentava os que iam sendo salvos (At 2.47). Quando as pessoas olhavam, admiradas, para Pedro e João, por terem curado um coxo, na Porta Formosa, eles explicaram que não foi por seu próprio poder que realizaram aquele milagre (At 3.12).

Paulo, ensinando a segurança vitoriosa dos eleitos (portanto, da Igreja), esclarece que a segurança vem de Deus: Se não há quem possa ser contra nós, para nos acusar, condenar ou separar-nos do amor de Deus, é porque... "se Deus é por nós", justificando-nos e nos mantendo, em Cristo Jesus (Rm 8.31-39). Se em todas as coisas (e até as coisas do sofrimento) somos mais que vencedores, é "por meio daquele que nos amou" (Rm 8.37). Se o servo do Senhor está em pé, é "porque o Senhor é poderoso para o suster" (Rm 14.4).


Foi por este poder e cuidado de Deus que a Igreja Primitiva se manteve em meio aos problemas e aflições.


3. Pela esperança da "glória por vir"

O que Estêvão — o primeiro mártir da fé cristã — demonstrou, em seu apedrejamento (diante da fúria dos homens, que rilhavam os dentes contra ele, e via o céu aberto — At 7.54-60), isto mesmo Paulo ensina: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós."

Esta esperança sustentou a Igreja Primitiva para enfrentar os problemas e suportar as aflições que lhe sobrevieram.

CONCLUSÃO

Os primeiros tempos do cristianismo foi uma fase especial da vida da Igreja, mas não diferente. Até retrata a vida da Igreja, através dos séculos. Teve tempo de paz e prosperidade. Mas os problemas não tardaram em surgir, pois a Igreja naqueles dias, embora vivendo uma fase especial, era constituída de homens e vivia neste mundo em meio a pessoas descrentes.

Contudo, tinha garantias de perseverança. Estas garantias não vinham de suas próprias condições, mas da providência infalível de Deus. Assim é a Igrejja, em todo tempo.