Conferencista Edimilson Garcia

quinta-feira, 2 de junho de 2011

OS DEZ MANDAMENTOS - A DESEFESA DA VIDA ÊXODO 20.13

Os Dez Mandamentos - A Defesa da Vida

Êxodo 20.13


O direito à vida é um dos direitos fundamentais do ser humano. Os cristãos consideram que a vida é criada por Deus e, sendo um dom de Deus e, por isso, não podem ter uma atitude de passividade diante de qualquer avanço da violência que espalha a morte e destrói a vida.

A lei que, há milênios Deus entregou por meio de Moisés, diferenciava-se de todas as outras leis dos povos vizinhos de Israel por defender a vida e frear a violência e a vingança. Prova disso eram as antigas cidades de refúgio, que funcionavam como barreira contra a vingança indiscriminada (Nm 35.9-15).


O biblista brasileiro Milton Schwantes em um artigo recente intitulado "Violências" (publicado no suplemento "Debate" do jornal Contexto Pastoral) lembra que a intenção divina de contenção da vingança e violência indiscriminadas pode ser vista em Gênesis 4.9-15, quando o Senhor poupa Caim de tornar-se vítima de alguém que quisesse matá-lo por ter assassinado Abel.


"Não matarás", diz o sexto mandamento. Muitos especialistas em língua hebraica dizem que este texto seria melhor traduzido por "não assassinarás".


Isto explicaria algumas passagens difíceis do Antigo Testamento em que o próprio Deus permite ou mesmo ordena que algumas pessoas sejam mortas (Ex 17.14; I Sm 15.1-3, etc.).


Os cristãos, que vivem em um contexto completamente diferente daquele vivido pelos fiéis da antiga aliança, devem lutar pela defesa da vida. Com base em Êxodo 20.13 pode-se dizer o seguinte:
 

1 - A DEFESA DA VIDA - ASPECTO LITERAL

“A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência" - este resumido relato bíblico (Gn 6.3) descreve como a violência dominava a sociedade humana antes do dilúvio.

Exemplo bem característico do desprezo à vida humana naquele período, é Lameque, que se orgulhava de ser assassino e expressou isso em seu estranho cântico: "... matei um homem porque me machucou, e um rapaz só porque me pisou..." (Gn 4.23 em A Bíblia Viva).


O comentário a este versículo na Bíblia de Jerusalém diz: "este cântico selvagem composto para a glória de Lameque... é recolhido aqui como testemunho da crescente violência dos descendentes de Caim".


Uma análise da história da humanidade mostra que esta atitude anti-vida tem sido uma presença constante em todas as sociedades e culturas.


Diante desta triste realidade, o sexto mandamento continua tendo uma grande variedade de aplicações.


O mundo presencia cada vez mais assassinatos provocados muitas vezes por motivos absolutamente fúteis.


Além disso, há inúmeras outras questões ligadas à aplicação deste mandamento, que são:


• A pena capital (pena de morte) em que criminosos são mortos (mas sempre com o risco de erros judiciais que levam inocentes à morte);

• A guerra (que sempre destrói milhares de vidas que não têm nada a ver com as questões que a produzem);
• O aborto (que mata o feto completamente indefeso e desprotegido);
• A eutanásia (que mata doentes incuráveis);
• O suicídio (que leva a pessoa a tirar a própria.vida);
• O genocídio (a tentativa de eliminação completa de um povo, como Hamã tentou fazer com os judeus (Et 3.12-15) e, mais recentemente, Hitler também tentou contra o mesmo povo);
• O infanticídio (o assassinato de crianças, seja em sacrifícios a entidades do Candomblé, ou de crianças nascidas com defeitos físicos ou mentais e ainda os assassinatos de meninos de rua por grupos de extermínio).

Todas estas questões são sérias e complexas e não receberão neste breve estudo uma análise mais detalhada. São apenas citadas, para que se saiba quantos ataques a vida tem sofrido em nossa sociedade.


O sexto mandamento exige dos cristãos conscientes e consagrados uma postura de cobrar dos governantes leis que dificultem o acesso a armas de fogo e que sejam mais eficientes na defesa da vida.


Como seguidores do Príncipe da Paz, temos que nos destacar dos não cristãos também no sentido de assumirmos em tudo que nos for possível, uma postura pró-vida e anti-morte.

2 - A DEFESA DA VIDA - ASPECTO EXISTENCIAL

É fato conhecido pelos estudiosos da Bíblia que no conhecido Sermão da Montanha, o Senhor Jesus citou alguns dos Dez mandamentos, onde criticou a interpretação dada pelos mestres da lei.

Isto, porque estes mestres da lei apresentavam uma interpretação deturpada para justificar sua própria desobediência à lei. Conforme o Rev. John Stott, Jesus "em cada antítese ("Ouvistes o que foi dito... eu, porém, vos digo..."), rejeitou a acomodada tradição dos escribas, reafirmou a autoridade das Escrituras do Velho Testamento e apresentou as decorrências plenas e exatas da lei moral de Deus".


A compreensão deste ponto nos ajuda a entender melhor o comentário feito por Jesus ao sexto mandamento, que aparece em Mateus 5.21-26. Nosso Senhor nos ensina que este mandamento tem uma aplicação bem mais abrangente que normalmente pode-se pensar.


O já citado Rev. John Stott com muita sabedoria diz: "os escribas e fariseus estavam evidentemente procurando restringir a aplicação do sexto mandamento apenas ao ato do homicídio, isto é, ao derramamento de sangue humano... Mas Jesus discordou deles. A verdadeira aplicação da proibição era muito mais ampla, assegurou; incluía pensamentos e palavras, além de atos; cólera e insultos, além do homicídio".


Há, então, um aspecto existencial, isto é, relacionado com o mundo interior da pessoa. Mata- se alguém não só literalmente, mas também no coração (I Jo 3.11-15). Se alguém tem ódio de uma pessoa, é como se a tivesse assassinado em seu coração. Jesus ensina que, para Deus isto é tão errado e condenável como um assassinato.


É possível que haja crentes que frequentem regularmente a igreja e participam de suas atividades, mas tenham ódio de outras pessoas, quem sabe até mesmo dentro da própria igreja.


Crentes que se reúnem em torno da mesa do Senhor, participam da Santa Ceia, mas com o coração carregado de ódio. Estas atitudes devem ser abandonadas pelos que pretendem ser fiéis a Jesus. A Bíblia recomenda a todos que tenham um esforço especial para viver em paz com todos os homens (Rm 12.18).

3 - A DEFESA DA VIDA - ASPECTO SOCIAL

Finalmente, a defesa da vida, que é o objetivo do sexto mandamento, tem seu aspecto social. Isto, porque a própria sociedade muitas vezes cria condições perversas e deformadas de vida, o que impede, ou dificulta muito que os cidadãos tenham condições suficientes para uma vida com um mínimo de dignidade.

Quando isto acontece, a sociedade vai matando aos poucos os que não têm recursos e condições para sustentar a própria família.


É por isso que há no Brasil milhões de miseráveis, que não têm emprego, moradia, condições para tratamento de saúde ou educação de seus filhos, enfim, não têm o básico para a vida.


O Brasil, que é um dos piores países do mundo em termos de distribuição de renda (que faz com que muitos tenham pouco, ou mesmo nada, e poucos tenham muito) está matando aos poucos os seus pobres.


Por esta causa, muitas pessoas se vão para o banditismo, a prostituição, o tráfico e uso de drogas, etc. Outros vão viver como mendigos, dependendo da boa vontade das pessoas para sua sobrevivência. Toda essa gente - mendigos, meninos e meninas de rua, e tantos outros sofredores - está sendo morta pela sociedade.


A defesa da vida obriga os cristãos a uma tomada de posição quanto a este problema social tão grave.


É bom lembrar que, já no século XVII, o Catecismo Maior de Westminster ensinava que um dos deveres exigidos no sexto mandamento é confortar e socorrer os aflitos e proteger e defender os inocentes (Mt 25.35,36; Pv 31.8,9; Is 58.7).


Antes ainda, o reformador João Calvino dizia que é dever do Estado providenciar recursos para a vida de todos os cidadãos. Calvino foi um pioneiro neste sentido. Se o governo não cumpre seu papel, está matando seus cidadãos.


Mas, isto não quer dizer que os cristãos devem cruzar os braços e não fazer nada a respeito, pensando que, se é dever do governo, a Igreja não precisa fazer nada.


Este pensamento é errado, pois os cristãos devem lutar para defender a vida também no aspecto social. Todo esforço cristão nesta área é válido, pois levará os não cristãos a glorificar ao Pai que está nos céus (Mt 5.16).

 

DISCUSSÃO

1. Há situações em que o cristão pode matar?
2. Você concorda que quando o governo, os patrões, etc, se omitem em seus deveres para com os mais carentes, estão praticando a morte social? O que a igreja deve fazer diante desta situação?
3. Você acha que na vivência dos cristãos o sexto mandamento tem sido quebrado?

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