Conferencista Edimilson Garcia

terça-feira, 29 de outubro de 2013

- Comentário - Epístola Aos Gálatas




COMENTÁRIO
A Epistola Aos Galatas

CAPÍTULO VI
Paráfrase: 5:25 – 6:5 – A vida no Espírito! Eis a norma do Evangelho e dos crentes.
Somos soldados nas fileiras do Senhor dos Exércitos. Marchemos em união, em disciplina, em perseverança. Marchemos com passos cadenciados. Se o mesmo espírito nos orienta, não será em unidade de convicções e propósito? Não entravemos a marcha unida e o progresso e a vitória com desvios para a esquerda ou para a direita em rivalidades pessoais ou atitudes irritantes. Ninguém marcha pavoneando-se para sofrer dissipação em vaidades ocas.
A marcha, porém, cansa! Ah! isso é outra coisa. Ao camarada que tropeça na longa jornada e cai, impensadamente, carreguemo-lo em nossos braços até que de novo ele nos possa acompanhar. O exército não abandona seus enfermos. Nosso dia de cansaço e fraqueza talvez venha chegando. Lembremo-nos de que somos pó. A essência daquele lei do amor que Cristo nos deu é o altruísmo serviçal, a ternura prática, a camaradagem fraternal. O fardo daquele que tropeçou – alguém o leve, como leve avante também aquele que tropeçou. E quem é forte para si e para outro não se envaideça de sua força. Saiba bem a obra que leva a termo e se meça pelo realmente fez com êxito. Se é forte, é responsável pela sua força. A quem muito se deu, do mesmo muito se pedirá. Tal capacidade, tal responsabilidade.
5:26 a 6:10 – Paulo sempre procurou nas igrejas a união da verdadeira doutrina e a vida coerente entre regeneração pela Espírito e os frutos do Espírito, e entre fé e as obras.
1. A nova vida como uma fraternidade. 5:26-6:6. (a) Admoestação contra a vanglória. O homem que sabe as doutrinas de Paulo realmente tem uma aquisição rara. Existe a tendência de ficar soberbo pela própria crença no Evangelho. Há tentação de desprezar os crentes fracos que não reconhecem os seus privilégios no Evangelho. Este espírito provoca ódio aos fortes e deve ser evitado. O Espírito ama a todos os crentes. Se tivermos o Espírito, não provocaremos a nenhum deles pela manifestação de qualquer superioridade real ou imaginada. (b) A resposta à vanglória é sempre a inveja por parte dos outros. Um professor meu dizia: “Moços, pregadores no Seminário, nunca fiqueis ansiosos com medo de que o vosso próprio mérito não seja apreciado. Fazei o vosso trabalho bem. Haverá sempre quem aprecie a vossa diligência e o valor do vosso trabalho.” A inveja é a ferrugem do caráter. (c) Pelo lado positivo, a vida do Espírito é simpatia e consideração. As tragédias da disciplina nas igrejas vêm da negligências do versículo 1 do capítulo 6. Começo uma igreja que nunca decida uma questão de disciplina séria sem um dia de oração pelo desviado. Esta compaixão tanto ganha o ofensor como é também a melhor fortaleza contra a mesma tentação na própria vida. (d) A lei de Cristo não é cerimonial mas benéfica. O crente egoísta não pode cumpri-la. O seu cumprimento está em levar as cargas dos outros. (e) A despeito disto cada obreiro é julgado por sua própria obra. Um profundo exame revelaria que, muitas vezes, quando pensamos ser alguma coisa, não somos nada, enganados em nossa opinião a respeito de nós mesmos. A prova é a obra e a sua duração. Nenhuma simpatia de outrem pode me livrar da minha própria responsabilidade.
2. A nova vida como semeadora e ceifa. O apóstolo está ensinado a virtude de gratidão e o dever de sustento do ministério. Por esta razão sua doutrina tem lugar importante para qualquer igreja e deve ser pregada fielmente pelos pastores. É o plano divino que os pregadores do Evangelho dêem o seu tempo ao Evangelho e recebem o seu sustento material daqueles a quem trazem as bênçãos espirituais. Requer-se, também, que os pastores vivam como os membros, não em escala superior ou inferior. “Aquele que é ensinado na Palavra faça participante em todas as coisas boas aquele que o ensina.” Eis a divina reciprocidade. Havia e há hoje aqueles que se eximem deste mandamento de Deus. Ainda pregadores há, que, às vezes, recusam-se a ensinar esta doutrina tão vital à alegria e ao êxito das igrejas. Paulo disse que tudo segue a lei de semeadora e ceifa. O membro da igreja que usa os seus bens para si mesmo, gastando-os em comida, bebida, prazeres, propriedades novas, vestido bonito ou outras gratificações dos desejos naturais, não o empregando para a pregação da fé, semeia na sua carne e da carne ceifará corrupção. Quantas vezes temos visto isto? Recebi carta de minha mãe, uma vez, descrevendo a morte de um crente, nosso conhecido, na outra América. Antes de morrer, ele confessou a tolice de sua vida. Era cristão, porém gastou a sua energia em ganhar dinheiro. E gastou o dinheiro na gratificação da carne, não em imoralidade, mas em agradar-se a si mesmo e à sua família. Sua filha experimentou os prazeres do mundo que as riquezas do pai podiam lhe oferecer. Ficou aborrecida com a vida e suicidou-se. Seu irmão andou no mesmo caminho de egoísmo e, numa contenda, matou ao semelhante. Escapou à prisão pelas riquezas do seu pai, o qual morrendo, disse: “Tenho sido louco. Negligenciei a minha igreja. Vivi para o dinheiro. Causei a perdição da minha família. Entro no céu confiando em Jesus, salvo; sou, porém, um tolo, com a vida perdida.” Semeou na sua carne, da carne ceifou a corrupção. O apostolo alarga a aplicação deste princípio universal e diz: “Não somente aos pastores, mas a toda a família da fé e a todos os homens, fazei o que é bom. E assim fazendo, ceifareis como semeais.”
1 “O homem espiritual é o que tem o Espírito de Deus; o homem psíquico tem apenas a alma humana.”
2 “Os fardos” – O contexto, como sempre, nos ajuda. “Os fardos” são a fraqueza, o receio, a vergonha, o acanhamento, e as tentações de nosso irmão tentado. Devemos por o nosso ombro sob suas cargas e ajudá-lo a suportá-las e levar a palma de vitória na sua luta.
2 Este versículo serviu de texto do meu primeiro sermão. A ideia da lei de Cristo me empolga cada vez mais, com o acúmulo dos anos na vida cristã. Note-se o estudo especial, no fim do livro, sobre “a lei de Cristo”. W. C. T.
2 “a lei do Cristo” – devemos dar muitíssimo maior ênfase à soberania de Jesus Cristo na vida do seu povo. Ele é o único legislador em Sião, a Nova Jerusalém, e no Israel de Deus. Ele deu centenas de mandamentos para orientar a nossa vida. É esta a nossa lei, não a caduca legislação de Moisés. A Epístola aos Hebreus faz a declaração categórica de que ao passar o sacerdócio mosaico, passou também a Lei mosaica: “Ora se o aperfeiçoamento fosse pelo sacerdócio levítico (pois sob este o povo recebeu a Lei) que necessidade havia de que um outro sacerdote se levantasse segundo a ordem de Melquisedeque e de não fosse contado segundo a ordem de Aarão? Pois mudado que seja o sacerdócio, é necessário que se faça também mudança da Lei.” (Heb. 7:11, 12) Thayer verte o verbo – a própria palavra lei transformada em um verbo, no original – “o povo recebeu a Lei mosaica estabelecida sobre o fundamento do sacerdócio.” Notai que a Epístola aos Hebreus nega também o que a Epístola aos Gálatas nega e foi escrita para negar, isto é, que a Lei sirva para “aperfeiçoamento,” a regra de vida do crente, sua norma ética. Nem salva nem orienta moralmente. Houve, mesmo para as realidades e necessidades de uma ética eficaz, uma mudança de lei. A Lei de Moisés está tão certamente excluída de nossa vida cristã quando o sacerdócio dos Caifás e dos Anás que crucificaram a nosso Senhor. E por ser Jesus o Senhor e Legislador, Moisés já não o é.
Para ter certeza disto, examinemos a única outra palavra sob a qual poderia se esconder uma justificativa da Lei, mesmo para fins éticos. É “mudança”. Poderia alguém alegar: “Sim, houve mudança da Lei, passou a parte cerimonial e ficou a moral para ainda nos aperfeiçoar na vida ética”. A palavra “mudança” não significa isto. É a mudança feita por colocar uma coisa em lugar de outra. Meu Dicionário Grego a traduz: “mudança, trasladação, remoção.” O verbo congénere se emprega nesta epístola sobre a iminente deserção dos gálatas (1:6). O substantivo se usa três vezes no Novo Testamento: em Heb. 11:5, a respeito de Enoque passar completamente desta vida a celeste, a trasladação; em Heb. 12:27 é traduzida por remoção; e estas ideias não são estranhas. No arrependimento (palavra do mesmo parentesco, de mudança radical) e na fé, a pessoa convertida é trasladada do regime de lei para o da graça; a Lei sofre remoção. O crente está em Cristo, e em Cristo a lei de sua vida ética é Cristo, que nele vive e ordena e dá a legislação orientadora. Como em Col. 2:14, todo o escrito de dívida fica inteiramente removido, cancelado, cravado na cruz do Calvário. “De modo que, meus irmãos também fostes mortos à Lei pelo corpo de Cristo, para pertencerdes a ouro… agora desligados estamos da Lei.” É esta a natureza absoluta da mudança. Jesus mesmo tornou isto categórica e eternamente claro, inconfundível e fundamental no cristianismo, quando afirmou que não veio operar ou tolerar um ecletismo de Lei e Evangelho, mistura das duas alianças em consideração. Propôs-lhe também uma parábola: “Ninguém tira remedo de vestido novo e o põe em vestido velho; de outra forma rasgará o novo e o remendo do novo não condirá com o velho. Outrossim ninguém põe vinho novo em odres velhos; de outra forma, o vinho novo arrebentará os odres e ele se derrama e estragar-se-ão os odres. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos.” (Luc. 5:36-38) A Epístola aos Gálatas não é mais cabal negação do ecletismo. Oxalá evangélicos genuínos se convençam da veracidade e do juízo do seu Senhor quando afirma: “O remendo do novo não condirá com velho.” O ensino ético de Moisés não tem e nunca teve o vigor expansivo, a potência vitalizadora, a vitória transformadora de Cristo em nós, e sua lei escrita em nossos corações. “A Lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo… todos nós recebemos de sua plenitude, e graça sobre graça.” E nesta graça é a única esperança de qualquer filho de Adão ser genuinamente moral. E a nossa vida cristã consiste em “obedecer a verdade” (Gál. 3:1), sim “praticarmos a verdade” (I João 1:6), aliás tornar a verdade em um verbo, como fazia Paulo, e verdadarmos, fazendo da revelação de Jesus Cristo e de sua vontade a própria essência vital de nossa existência na terra.
A Grande Comissão apela para toda a autoridade no universo em apoio à lei de Cristo, ao nosso dever inescapável de ensinar perseverantemente (presente linear do verbo) a observação “TODAS AS COISAS QUE VOS TENHO MANDADO”. Eis a nossa lei, a nossa ética, a nossa religião, traduzida em vidas santas e obedientes ao nosso único Senhor, o qual atónito, pergunta: “Por que me chamais, Senhor, Senhor e não fazeis o que vos mando?”
Para ver a superioridade do novo vinho de Cristo nos odres de uma vida cristã obediente às igrejas do Novo Testamento, experimentai-o. muitos crentes nunca por um instante tomaram a sério a Jesus como Senhor. Daí a pobreza de suas vidas éticas e espirituais. Ouvi seu convite e o aceitai: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave, e o fardo leve.” E espírito do fardo é levar as cargas uns dos outros. Esta responsabilidade altruística, porém, é fardo que ninguém na vida cristã pode largar ou delegar, “pois cada um levará o seu próprio fardo”, o fardo da vontade revelada de nosso Senhor Jesus Cristo, imposta pela Espírito Santo e pelo Novo Testamento sobre a consciência do crente.
Ainda se deve notar que o verbo usado na Grande Comissão de Cristo é o verbo formal de legislação. O substantivo congénere foi usado nos papiros a respeito de “éditos reais”. E o mesmo verbo está usado a respeito de Deus mandar, Moisés mandar, e Cristo mandar. Legalistas hodiernos fogem desta Epístola aos Gálatas para o Apocalipse e suas referências a “guardar os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus” (12:17), “a perseverança dos santos” em guardar “os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”, (14:12) – a passagem em 22:14 nada tem sobre “mandamentos”, nos textos genuínos da antiguidade. Tanto a frase imediatamente associada com os mandamentos contemplados (“o testemunho de Jesus” ou “a fé em Jesus”), como todo o contexto em ambas as passagens e o uso total da palavra mandamentos pelo apóstolo João se unem em demonstrar que aqui não existe a mínima referência aos mandamentos da Lei mosaica, mas sim aos da autoridade de Deus e de Jesus, nesta era cristã. João usa a palavra mandamentos nas seguintes passagens: João 10:18; 12:49; 50:13:34; 14:15; 14:21; 15:10, 12; I João 2:3; 2:4, 7, 8; 3:22, 23, 24; 4:21; 5:2; II João 4, 5, 6 e as citações do Apocalipse. Não há vislumbre de sugestão de legalismo nestas passagens, nem os mandamentos são da Lei de Moisés, para os quais morremos pelo corpo de Cristo; João esclarece que são os mandamentos para ser salvos pela fé: “Este é o seu mandamentos que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros.” “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” é mandamentos evangélico e é acompanhado pela promessa; está, porém, tão longe de ser salvação pela conformidade com um sistema legalista de boas obras e cerimónias quanto o dia é de ser trevas de negrume egípcio. A fé em Cristo e o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo constituem nossa conformidade com os mandamentos que João tem em mira desde seu primeiro escrito ao último. Este amor preza e cumpre, alegre e voluntariamente, a vontade soberana de Jesus, a lei de nossa vida. Vede o estudo suplementar sobre “A Lei de Cristo”.
3 Estes vossos fardos, esta vossa lei – não ordenanças cerimoniais (cf. Luc. 11:46; Atos 15:28), mas as enfermidades alheais; não a Lei de Moisés mas a lei da Cristo (cf. João 13:24); (David Smith, in loco).
3 “não é nada” – Devemos sentir uma satisfação em cumprir nosso dever, em levar nosso fardo. Que triste engano quando alguém imagina ser alguma coisa quando outros sabem que para nada presta no reino de Deus, “não sendo nada”. A prova é a obra. Cada um prove sua obra. Conte o que fez, não a outros, porém, a si. E veja se sua vida é frutífera, ou é como a figueira que Jesus amaldiçoou – nada de fruto, tudo folha – conversa, prosa, profissão, vanglória, soberba. Oremos como Moisés: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; estabelece tu sobre nós as obras das nossas mãos, sim a obra das nossas estabelece-a”
4 “Cada um prove a sua obra” – Em Rom. 12:3, Paulo no dá a medida com que devemos estimar o nosso próprio valor. “pela graça que me foi dada” – sendo a exortação desta divina procedência, não é presunção no apóstolo “digo o todo aquele que está entre vós, que não pense de si mais do que convém, mas dirija sua atenção para pensar sabiamente, CONFORME A MEDIDA DA FÉ que Deus a cada um repartiu.” O desconfiado, que em ninguém crê, antes duvida amarguradamente de todos e do êxito de todos os bons empreendimentos, diga a si mesmo, e sem fingimento ou pessimismo: “Eu nada valho. Só posso pensar de mim como uma nulidade. Sendo, pois, eu mesmo tão grande fracasso, nunca mais criticarei a pessoa ou a obra alguma. Quem sou eu para censurar? Que fiz eu para dar-me o direito de medir a operosidade de outrem? Fé pequena é sinal de uma personalidade diminuta e apoucada, um anão espiritual. Cada um vale na proporção de sua fé. Se crê em Deus, se crê em seus irmãos, companheiros na mesma falibilidade e imperfeições, se crê na cooperação no mesmo santo afã, na camaradagem no bem, no êxito de esforço pessoal e unido, então este crente tem direito a certa estima de si, fonte de confiança nas santas iniciativas. Para ele é lícito certo respeito próprio. Provou sua obra de fé, sabe que tem alicerce e não é casa edificada de palha sobre areia movediça. Não nos convém uma humildade fictícia, hipócrita. Como medimos sem vanglória nossa estatura ou nosso peso, por um metro padrão ou um peso de estatuto, assim tenhamos o mesmo juízo em saber nossa capacidade espiritual. Suba o termómetro de confiança e estima própria até o grau em que o calor espiritual faz registar a temperatura da fé. A balança em que pesamos nosso valor espiritual é a fé. Valemos tanto quanto seja o peso da nossa fé. Nossa altura espiritual é igual à elevação da nossa fé nos empreendimentos do reino. A quantas iniciativas tiveste a fé de empreender, ou de aceitar pelo conselho do vosso pastor ou companheiro que esteja na direção de uma atividade cooperadora, ou mesmo de apoiá-las moral e substancialmente? É quanto vales cristãmente! Não penses mais carinhosamente de ti, com respeito e admiração, do que a fé que manifestas na vida justificada.
5 “responsabilidade” – O contexto desta sentença é trabalho. No terreno de responsabilidade não há procurações. O dever que Deus deu a cada um, importa cumprir, tomando sua própria responsabilidade. Não há burro de carga no reino de Deus, sobre o qual se possa lançar responsabilidades, deveres e trabalho. (“Infelizmente, em algumas igrejas há!” – acrescentou um dos meus distintos revisores.)
Paráfrase: 6-10 – A lei de Cristo provê nosso cuidado mútuo nas horas de emergência e estabelece uma escola, e nós que nela aprendemos somos ensinados na verdade e espiritualidade por aqueles que o Cristo glorificado deu como pastores e mestres às suas igrejas. Sua lei é: os que proclamam o Evangelho, vivam do Evangelho. Esses nossos mestres são sócios em nossa vida espiritual: considerai, pois, que são sócios em vossos bens materiais. Que esses sócios tenham sua parte legítima na vossa mordomia. Bens temporais que Deus vos confiou são como suas outras dádivas. Seu uso determina sua utilidade. Se os semeais em gratificação da vida que vos seria natural, à parte de vossa vida eterna em Jesus, haveis de colher uma corrupção carnal que vos surpreenderá. Se semeais vossos bens materiais na vossos bens materiais na vida espiritual, em mordomia fiel e generosa, então a colheita será gloriosa e na mesma esfera duradoura de vossa vida eterna. A lei de Cristo, pois, opera na esfera daquela lei geral do universo: o que o homem semeia, ceifará. O deus da lei do sustento pastoral é o Deus da lei da seara inevitável. Não penseis, pois, em burlar uma ou outra lei. São princípios fundamentais do universo. De fato, viveis para dar e para com o ministério que vos serve e depende de vós. Quanto ao mais, manifestemos o mesmo espírito seviçal a todos, segundo as nossas oportunidades e posses, a todos sim, mas especialmente àqueles que como nós são domésticos na casa da fé.
6-8 Para manter a espiritualidade, “para andar no Espírito”, é mister ser instruído na Palavra de Deus. E para este fim Deus um ministério oficial às igrejas, “pastores e doutores”. Deu-lhes o encargo: “Pregai a Palavra.” E ordenou que os que pregam a Palavra vivam da Palavra. I Cor. 9:14.
É vital para a espiritualidade coletiva que haja pregadores, e que ensinem a Palavra, e que sejam pagos. A regra é que o que é ensinado faça seu ministro participante em todas as coisas boas que possui ou ganha.
Paulo anuncia, então, uma das grandes leis do universo, cuja aplicação pode ser universal, embora a aplicação de Paulo seja ao assunto de dinheiro. Diga-me como o crente gasta seu dinheiro e lhe direi o que há de ceifar na sua vida espiritual. Cruzeiros, ou centavos ou milhares de cruzeiros semeados na carne serão ceifados numa safra de corrupção. Muitos crentes roubam de Deus o dízimo, furtam do ministério seu sustento e gastam tudo na sua carne, e mais tarde se admiram porque a sua vida, a sua família, o seu negócio, a sua reputação sejam manchados pela corrupção. O dinheiro que custeia muita indulgência dos pais para com os filhos, se fosse repartido com o ministro que lhes ensina a Palavra de Deus seria uma bênção ao contribuinte e pouparia aos filhos a corrupção que sempre segue a carnalidade.
Como podemos semear para o Espírito? Empregando nosso tempo, dinheiro, dotes sociais, talentos e voz no trabalho que o Espírito Santo procura realizar neste mundo, na tarefa para a qual ele nos chama particularmente, no sustento do ministério que é também por ele chamado, e em fazer bem a todos.
9 A espiritualidade não é obra de um dia. É a seara de uma vida. A inconstância impossibilita a espiritualidade. “Não nos desanimemos em fazer o bem.” Perseverai, se quiserdes ser espirituais. Buscai sempre oportunidades de fazer o que é bom a todos os homens, sem desfalecer. A espiritualidade não é um êxtase ou fanatismo egoísta, é fazer o que bom aos outros.
10 “família da fé” – Somos devedores a todos os homens, mas num sentido especial somos ainda mais devedores à família da fé. Não seio de uma família as responsabilidades mútuas são maiores. Somos a família de Deus. Temos deveres mútuos de excepcional obrigação. Um crente que fizesse mais para ajudar um homem, no que fosse de seu interesse, por este maçom ou correligionário da política do que por ser ele cristão, é um crente carnal. As supremas obrigações mútuas são as que pesam sobre a família de Deus.
Paráfrase: 11-18. Agora termino. Escolhei. Eu impugno os motivos e a mensagem dos agitadores judaizantes. seu motivo é medo do escândalo necessário da cruz. Não querem perder a popularidade onde residem. Lá mesmo nem cumprem a Lei de Moisés nem qualquer outra lei. Apenas escolheram umas coisinhas exteriores para cavalo de batalha e bandeira de vaidade pelas conquistas pessoais do partidarismo de que se orgulham em Jerusalém. Escolhei entre eles e mim, entre Cristo e a circuncisão, entre a Lei e o Espírito Santo, entre as obras da carne e o fruto do Espírito, entre o Evangelho e o pseudo-evangelho. Não me gloriarei na vossa decisão. Quanto a mim – estar gloriando-me – isso nunca! O foco da glória única que enxergo na vida é a cruz do Calvário com sua trindade de crucificações: Cristo em meu lugar o mundo, morto para mim; qu igualmente morto para o mundo, vivendo, porém, eternamente, para o Salvador que vive em para mim. Perante esta cruz, novos valores surgem. Circuncisão e o partidarismo contra a circuncisão passaram igualmente do terreno de valores substanciais. Só ficou a nova criação espiritual de que Cristo é o autor pelo sue Espírito. O exército que o Espírito criou pela fé é um novo Israel de Deus, libertado de uma escravatura da atualidade e dos séculos, a de lei. Sobre todos que marcham nessas fileiras realmente evangélicas, minha bênção: paz, misericórdia, a promessa realizada na vida.
Nada mais peço para mim. Continuo na luta. Sou veterano nesta guerra e não pedi tréguas. Apenas que os que se dizem de Cristo respeitem as cicatrizes de minhas feridas, ganhas em sua devoção. Graça seja a companheira de vosso espírito e o faça triunfar sobre a carne, o mundo e a tentação, por Jesus nosso Senhor!
11 “Neste transe, o apóstolo tira do amanuense a pena e escreve o último parágrafo de seu próprio punho. Desde quando se começou a falsificar epístolas em seu nome, (II Tess. 2:2; 3:7), parece que se tornou hábito seu terminar as epístolas com umas poucas palavras em sua própria letra, para servir de precaução.” (Lightfoot, Comentário sobre Gálatas, p. 220).
“Quando pensamos de S. Paulo preparando uma de suas epístolas, podemos imaginá-lo, medindo a passos seu pequeno aposento, seus pensamentos, seus olhos fixos sobre Corinto ou Filipos distantes; e ao crescerem diante dele as necessidades de seus correspondentes, profere frases incandescentes ao escriba, revendo o que escrevera, adiciona sua assinatura de autenticidade; de meu próprio punho”, para mostrar que toda a epístola procedia dele.
“A Epístola aos Gálatas é particularmente interessante inste respeito. No caso desta carta muito severa, é possível que S. Paulo dispensasse mesmo o amanuense. Quando havia tanto que condenar, S. Paulo, com a cortezia que lhe era natural, e que revela a toda mão, Paulo o cavalheiro, não gostaria de pensar que qualquer pessoa interviesse entre ele e aqueles irmãos errados, porém, amados. Teria ele, assim, dispensado o auxílio costumeiro, e escrito toda a carta de seu próprio punho. De um modo ou outro, meticulosamente, porém, ele dá ênfase a sua parte pessoal no parágrafo final. “Vede” – aponta-lhes assim – “com que grandes letras vos escrevi de meu próprio punho”, 6:2. Sou inclinado, por vezes, a ver nas grandes leras a caligrafia tosca e esparramada de um homem pouco habituado a escrever, ou a de alguém cujas mãos e pulsos traziam sinais do labor diário. É mais provável, todavia, que, como em inscrições e em outras partes, as “letras grande” fossem empregadas para atrair atenção especial ao que seguisse.” (Esta citação copiei de um livro cujo nome negligenciei de anotar. O Camentário de Dummelow sobre toda a Bíblia, com vários colaboradores, opina que Paulo escreveu esta epístola inteira com a própria mão. Acompanho, porém, a grande maioria de intérpetes em pensar que somente a parte que está impressa acima em maiúsculas é da pena de Paulo.)
11 Deissmam, a grande autoridade alemã sobre os papiros, descobriu um MS grego, escrito em letras maiúsculas pelo amanuense, mas assinado com o acréscimo de um parágrafo do próprio punho do autor. Este parágrafo estava em letra minúscula e cursiva, para distingui-lo do corpo da epístola ditada ao amanuense. No caso de Paulo, deu-se o inverso disto.
12 “Paulo duvidava da boa fé de seus oponentes (1:7; 2:4; 6:12)” – Deissmam.
14 “gloriar-me” – Poucos textos servem como base para mais sermões. Muitos destes nunca se aproximam por um instante do espírito do texto. Quando alguém cita a passagem de modo a deixá-la truncada, terminando com a palavra “cruz,” é mutilador da Palavra de Deus. Paulo não se gloriou na cruz, parando assim. O apóstolo gloriou-se na cruz qual se efetuam uma dupla crucificação, mutuamente eficaz do mundo para Paulo e de Paulo para o mundo. Um Calvário que tenha em nosso pensamento uma só cruz, é um Calvário platónico, friamente teológico, moral e espiritualmente impotente. Se a um lado do Jesus certificado não se ergue outro vulto crucificado, o EU do personalismo, e do outro lado, um vulto igualmente sinistro, o MUNDO, sobre outra cruz, então deixemos de citar este versículo a nosso respeito, pois não temos o direito de aplicar sua linguagem a nós. Dizer que nos gloriamos na cruz quando não queremos morrer para nossa amizade ao mundo é hipocrisia. Não no gloriamos na morte de Jesus se, pelo contrário, sentimos relutância e horror das consequências da sua cruz em nossas vidas. O texto proclama a obra redentora de Jesus Cristo, na sua fase objetiva, como base desta dupla fase subjetiva, pela obra de Cristo em nós, esperança da glória, fonte de vida, a vida no Espírito. Só podemos dizer que nos gloriamos na cruz, na linguagem e espírito de Paulo, quando realmente consideramos fundamental a obra redentora objetiva do Cristo, e consentimos nos efeitos subjetivos desta refenção em nossas vidas.
É interessante, sim, e santificador, contemplar os efeitos múltiplos da crucificação de Jesus no pensamento de Paulo. O corpo dilacerado do Filho de Deus no Calvário é a nossa morte para a Lei, nossa união com Cristo (Rom. 7:4, 5), é o cancelamento das ordenanças mosaicas (Col. 2:14), é a morte do mundanismo – o qual é a adaptação de nosso pensamento e vida ao ambiente da maioria sem Deus – a morte do egoísmo e personalismo, que é o querer a nossa vontade na vida religiosa. Completemos sempre a sentença. Gloriemo-nos na cruz histórica que intimamente nos crucifica, removendo também o mundo de nossa vida como um cadáver repugnamente.
Os tradutores católicos sempre vertem a cláusula relativa “por quem”. É possível. O grego permite qualquer uma das duas traduções. No original, Cristo e Cruz são masculinos, de sorte que não temos a diferença do género que existe em português. Por que os tradutores evangélicos geralmente traduzem “pela qual”, em lugar de “por quem”? A razão é que o assunto da cláusula principal é indubitavelmente a cruz de Cristo. é natural supor que é também o assunto do resto da sentença, se não há motivo de mudar. “A cruz de Cristo”, não o Cristo da cruz, é o que Paulo está discutindo. Certamente, não é um Cristo desassociado da cruz quem erguerá a cruz em nós e matará o mundo para nós. Nossa identificação com Cristo, nosso divino Sacrifício, nos tornará sacrificiais na vida, indiferentes às considerações personalistas e á opinião popular, na sua oposição a Jesus. Os tradutores católicos eliminaram o Espírito Santo, quase inteiramente, da Epístola pelo simples subterfúgio de imprimir a palavra espírito com letra minúscula em tantas passagens onde a maiúscula cabe e é vital. Não lhes atribuo motivos quaisquer pela preferência que estou discutindo. O efeito é, a meu ver, porém, uma indefinível perda do grande valor associado com a redenção histórica de Jesus no Calvário. Não sei se o clero achas que um Cristo vivo, talvez o “Jesus Sacramentado” de suas hóstias, sejas mais a seu gosto do que a real fonte de santidade e sacrifício na vida cristã que foi aberta uma vez para sempre no Calvário.
Os pronomes, no original, são bem enfáticos, na forma e em saliência pela posição. Duas vezes as palavras mundo e o pronome pessoal da primeira pessoa estão colocadas em justaposição enfática; é, porém, a justaposição dos dois ladrões crucificados no Calvário. Isto não agrada à soberba da carne.
17 “marcas” – “Os estigmas são a insígnia verdadeira da liberdade; daqui em diante ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo os estigmata do Senhor (isto é, o Proprietário) Jesus”, (T. R. Darlow, em “The love of God”, p. 236, é citado fazendo menção de três valores da “marca”. (1). Indica título, domínio, posse legal. Assim no caso, atualmente, das marcas usadas para distinguir o gado, e, há poucas décadas, ainda usadas para marcar escravos. Levar “as marcas” de Jesus significa ter Jesus como Proprietário e Senhor. Está ideia justifica o apóstolo ao dizer: Ninguém continue a molestar-me. Um escravo, simplesmente porque é escravo, fica aliviado da metade de suas ânsias. Seu amo provê a comida e a roupa e lhe indica o trabalho a ser feito. Satisfazendo ao seu Senhor, pode estar indiferente ao louvor ou à censura de outros. Assim, por um paradoxo, a escravatura traz uma espécie de liberdade que diz: “Se eu viver, é para o Senhor; se eu morrer, é para o Senhor; logo, vivendo ou morrendo, sou do Senhor.”
2. As marcas constituem um reclamo. Identificamos logo o carregador no cais, o policial na rua. Cada um leva os sinais de seu ofício. E não deve o crente mostrar na conduta de quem é servo?
3 A marca prova a genuinidade. A cruz de Cristo, reproduzindo nos sofrimentos de Paulo, de certa maneira, identificava o apóstolo como sendo de Jesus, pois ele levava as marcas de Jesus na vida.
Hausrath representa Paulo como um velho general que desnuda o peito perante seus legionários e lhes mostra as cicatrizes das feridas que sofrera em outras campanhas, como prova de que não é indigno de ser chamado o comandante e de chamá-los também a sofrer pela pátria.
18 “Paulo atribui a Cristo as mesmas funções que a Deus e os mesmos atributos, e transfere para Cristo palavras usadas no Velho Testamento a respeito de Deus. Ele recebeu seu apostolado de Deus ou de Cristo. Seu título predileto para Cristo, ‘o Senhor’, era o nome dado a Deus na Septuaginta – fato mais extraordinário do que o uso do mesmo termo pelos pagãos contemporâneos a respeito de seus deuses.” (T. R. Glover, “Paul of Tarsus”, p. 220).
18 “graça” – Vejam-se as notas sobre 1:3, 15; 2:9,21. Dois estudos suplementares acrescentei às notas sobre este capítulo. Um é sobre a lei de Cristo, cuja jurisdição substitui, em nossa vida de crentes gentios a Lei de Moisés. Outro é um estudo especial do “Israel de Deus”, a que pertencemos pela graça. Não é acidental que Paulo deixasse para o fim este pensamento. Na discussão do assunto desta epístola, tal ideia constitui um clímax glorioso. Seu sentido é riquíssimo mais do que um relance casual às palavras nos daria a entender, um sentido que se enriquece e se torna possível pelas muitas fases desta verdade esclarecidas e enfaticamente doutrinadas nas partes anteriores da epístola. Terminada a parte controversial da discussão, eis que repousamos o espírito na terra da promissão do crente. Jesus é nosso Josué (Heb. 4); ele nos introduziu em nosso descanso espiritual: somos seu Israel no Espírito. Já estamos usufruindo a promessa.


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