Conferencista Edimilson Garcia

terça-feira, 29 de outubro de 2013

- Comentário - Epístola Aos Gálatas




COMENTÁRIO
A Epistola Aos Galatas

CAPÍTULO IV
1-7 Paráfrase: Vou me explicar. Esta sujeição à Lei. Que classifico como um estágio de menoridade espiritual, não impossibilita que seja filho de Deus algum irmão, zeloso da Lei. Há tantos crentes que ainda não se emanciparam de sua infância espiritual para a liberdade dos filhos de Deus. Moisés foi escravo na casa de Deus (Heb. 3:5). Serviu de tutor a Israel. Os crentes no Messias prometido que viviam ou vivem sob a jurisdição da Lei teocrática dele estão na menoridade espiritual, embora filhos e herdeiros de Deus. A função do tutor é legítima, pelo prazo determinado pelo pai. Vosso Pai, porém, fez cessar a tutela da Lei no Calvário, deu aos seus filhos a comunhão mais íntima, a responsabilidade de cidadãos e sócios na empresa do reino, a presença santificadora e eficaz do Espírito de Cristo para vos orientar, e a revelação final da moral, no exemplo e no ensino de Jesus e seus apóstolos, com o poder para progressivamente realizá-lo. São as bênçãos da maioridade evangélica. Estas bênçãos outorgam-se a crentes sem distinção de raça judeus e gentios. Entrastes logo em pena maioridade de fé. Como buscais a tutela da menoridade, uma tutela caduca para outros e nuca estabelecida para vós? Cabe ao pai escolher o tutor do filho, e vosso Pai escolheu o Espírito Santo para ser vosso orientador e a vontade de Cristo para ser a vossa lei. Neste intuito êle enviou ambos num apostolado de salvação. O Filho fez a obra objetiva da redenção, para, legalmente, tirar-vos de toda a possível jurisdição de qualquer legalismo e dar-vos a liberdade responsável de filhos maiores. O Espírito, pela obra subjetiva da salvação, torna vital, real e eficaz em vós esta filiação, levantando em vosso espírito o sentimento filial de amor, que balbucia a Deus o “Papai” da criança aramaica, tão preciosa lhe é esta filiação e o amor que gera em vós. Sendo assim filhos, e na maioridade, já sois herdeiros; e não há ganho em imiscuir-vos num regime morto que nunca vos foi predestinado. É por Deus que entrastes na filiação e liberdade evangélica. Não o entristeçais por uma atitude retrógrada que repudie seu amor e propósito paterno.
2 “ Na lei grega o pai estipulava a data quando havia de começar a maioridade do filho. A lei romana conservava o menor debaixo de tutores até chegar à idade de quotize anos e debaixo de curadores até à idade de vinte e cinco. Esta passagem se ajusta a ambas estas leis.” A. T. Robertson, (de um artigo numa revista).
3 “Nós” – A palavra é bem enfática e se refere aos leitores gentios e judeus. O Evangelho é a única religião na história humana, de salvação pela graça, de uma aliança unilateral, de um regime sem condições de mérito legalista ou eclesiástico. Os homens, absolutamente todos, têm estado debaixo de lei, elementos fundamentais de lei estão escritos nas próprias consciências dos pecadores e incorporados parcial e imperfeitamente em legislações vigentes de cada povo. Cristo veio redimir a esperança e a conduta, da impotência de lei, de todas as leis, qualquer que fosse sua espécie. A retenção consiste em anular a jurisdição da lei sob a qual o crente lutava em desespero, satisfazer suas exações contra nós pelo mérito de nosso Fiador, remover sua jurisdição e nos animar por motivos adequados a cumprir a moral e a vontade de Cristo. Cristo nasceu debaixo de uma lei na sua mais completa manifestação na vida humana: lei mosaica, regulamentos dos escribas que se sentavam na cátedra de Moisés e aos quais, na sua capacidade autorizada na Palestina, Jesus exigia obediência pelos seus apóstolos; lei romana que regeu a crucificação e o túmulo de Jesus, e a lei íntima de Deus, perfeitamente orientando a Jesus Cristo em toda a sua vida. Jesus nasceu sob este peso complexo de lei, para nos redimir, por completo, de toda aquela esfera, tanto para conseguir a nossa salvação, como para conseguir a nossa santidade e vitória espiritual na vida cristã. Nem pela lei íntima de Deus somos salvos ou santificados, antes esta é a mais exigente de todas as leis, somente podendo condenar o pecador. Somos salvos à parte de lei, pela graça divina, salvos “pela graça gratuitamente”. Jesus nasceu sob a lei do romano, do grego, do judeu, do africano, do índio, do aborígene, do homem universal, nasceu para efetuar uma redenção absoluta para o crente, libertando-o da lei genérica, no terreno de salvação, santidade e vida eterna. Esta vida havia de ser a vida de filhos, obedientes pelo amor e pelos sentimentos filiais de liberdade e responsabilidade.
3 “elementares disciplinas morais do mundo” – Termo de significação muito discutida, e de várias ideias indisputáveis. “Mundo” é cosmos. Em comparação com a ética cósmica, qualquer lei é mera gota do mar, mera cartilha de sabedoria, mero alfabeto versus o mundo de literatura, um corpúsculo do sangue em comparação com o coração, um reflexo de sol numa gota de orvalho em comparação com a majestade, o calor, a força do astro-rei. O progresso espiritual inevitavelmente deixa para trás o rudimentar. Nós outros não soletramos as palavra que lemos. Também os melhores crentes agem espontaneamente, no entusiasmo do amor cristão, sem pensar em esta ou aquela legislação como tendo sua conformidade nas suas vidas. Todo o ritualismo, quer do judaísmo, quer das sociedades secretas de filosofia, religião, ascetismo, culto aos mortos ou ao estado, não passa de infantilidade. Na falta de coisa melhor, talvez tenha um regime legalista rudimentar certo valor na menoridade de um povo ou da raça; voltar, porém, de Jesus para tão fraca e insignificante disciplina de nossas consciências é estupendo recuo moral. As idades das trevas são sempre os períodos de muita lei e pouco evangelho.
3 “rudimentos do mundo” “Tertuliano distingue (em de Virg. Vol. 1) quatro etapas de evolução histórica da religião: (1) rudimenta – a religião natural; (2) infantia – a Lei e os Profetas; (3) juventus – o Evangelho; (4) maturitas – o Paráclito” (David Smit em Life and Letters of St. Paul p. 208, nota 3.
4 “completação do período de tempo predeterminado” – “O enviar (o ‘ex-apostolar’) de Cristo marca, para Paulo, a pleroma tou chronou (citando o grego que é traduzido no título deste parágrafo – W. C. T.). A frase sem dúvida significa mais do que a mera ideia da estação própria para introduzir o Cristo no mundo. A ‘plenitude do tempo’ significa o término de uma época (aeon) e o começo de outro período da existência do universo. (Geerhardus Vos, em “Princeton Seminary Essays”, p. 213). James Moffatt cita dos papiros o verbo congênere numa frase que ele traduz: “expirar o prazo estipulado”. (“The Expositor” Vol. XX, p. 139, num artigo: “Pickings from the New Papyri”).
4 “plenitude de tempo” – “A vontade de Deus é a alma da história universal. A marcha dos afazeres humanos mostrou a evolução progressiva da vontade divina dentro das condições de tempo e espaço que constituem os confins da vida terrestre. Paulo nos aponta o aparecimento de Cristo na terra como a culminação do período antigo da história e o início de nova época. O passado conduziu a raça até esta plenitude e nela se encabeça e acha sua explanação; a era nova parte daí em sua jornada multissecular”. (De “The Teaching og Paul”, p. 91, por Sir William Ramasay).
5 “adoção” – “Nossa posição de filhos maiores” é a significação desta palavra neste contexto, embora geralmente seja traduzida “adoção”. Mas “adoção” significa a colocação legalizada na posição e com os privilégios de filiação. Aqui se trata da salvação dos crentes, quer judeus, quer gentios. O contexto, porém, salienta esta salvação no seu aspecto anti-legalista, de plena maioridade – superioridade e emancipação de qualquer regime legalista, especialmente da Lei de Moisés.
Ora, David Smith e outros erradamente interpretam a palavra que traduzi “tomássemos posse”. Afirmam que significa: receber de novo. Com isto advogam a ideia de que o pecador não regenerado já era filho de Deus, mas o pecado lhe roubou do gozo de sua filiação. Agora ele “recupera seu estado perdido de filiação”. Tenho isto como um sentimento anti-evangélico e anti-bíblico, desleal também, ao elementar conhecimento do grego. O verbo retrata uma transacção comercial. A preposição composta com o verbo é a base da referida exegese: “Recebemos de novo”. Tal não é a ideia, absolutamente. O sentido é: recebemos de alguém, como o comprador recebe do vendedor. Compro uma laranja por 50 centavos. Recebo a laranja do pagamento dos 50 centavos, ou do vendedor. Mas não recupero a laranja. É interpretação tendenciosa, para amparar o velho erro de que o pecador em seu estado natural é filho de Deus e apenas precisa recuperar sua filiação negligenciada. O dr. A. T. Robertson e outros peritos em grego negam o alegado sentido do verbo em que se baseia esta exegese contestada. Pela recebemos nova filiação, regeneração e adoção, a realidade e a posição de filhos, e de filhos maiores, no gozo de sua herança evangélica. Conservemos, pois, toda a rica ideia do vocábulo e do contexto.
5 “nossa posição de filhos maiores” – Esta palavra, insiste Lightoof, nunca significa “filiação”, mas sim os privilégios de filiação. Cristo, pois, trouxe, pelo resgate pago pela sua morte, esses privilégios a crentes que estavam na sua menoridade, como aos crentes da nova era evangélica que entravam logo na sua posição privilegiada na família de Deus quando creram em Jesus. A filiação podia existir, e existia, sem a maioridade e liberdade de filhos.
Ouvi um sermão notável sobre “similaridades e dissimilaridades entre nossas praxes de adoção e as de Deus”. Algumas similaridades são: (1) Deus e nós adotamos pessoas que antes não eram filhos – verdade evidente, senão no sentido especial da palavra aqui. (2) Deus, como nós na qualidade de pais, corrige o filho, pessoalmente, quando erra, com castigos convenientes, não o entregando à lei para condenar. (3) O filho destina-se à casa de seu pai – João 14:2. Dissimilaridades entre as bênçãos que Deus pode outorgar, e outorga, pela adoção e as nossas limitações no caso: (1) Nós quando adotamos um filho não lhe podemos mudar a natureza, removendo a velha natureza e implantando uma nova disposição. Deus muda a mente (arrependimento) e o espírito (regeneração) e o rumo (conversão) da vida e ajuda a nova vida a superar a velha natureza e mortificá-la. Esta consideração faz com que nós procuremos adotar um órfão que tenha os méritos de saúde, boa mentalidade e hereditariedade favorável, pois não podemos mudar a herança do sangue. Deus oferece filiação a todos, pois com a posição de filho ele pode dar sobrenaturalmente a natureza de filhos de Deus aos que entram na família divina pela fé. (2) Nós podemos deserdar filhos maus; Deus nunca lança fora os que se chegam a ele por Jesus, João 6:37. Ele castiga o errante e o reclama e santifica. (3) Nossa adoção somente afeta o estado legal do filho adotivo, mas a adoção divina não para até incluir a personalidade completa, pois Paulo usa a palavra também concernente à ressurreição do corpo em glória inefável. Adoção, pois, é uma grande doutrina de Paulo e tem no seu horizonte o tempo e a eternidade.
5 “adoção” – “Esta palavra significa para Paulo a recepção por Deus de homens na relação de filhos, objetos de seu amor, gozando sua comunhão, sendo que o resultado final é a vida futura na qual estão revestidos com um corpo espiritual; a palavra, porém, pode ser usada para contemplar qualquer uma das etapas desta experiência toda.” (Burton, Comentário sobre Gál., in loco no “International Critical Commentary”.)
6 “apostolado” – Sobre este aspecto da obra do Espírito Santo, consultai o estudo suplementar sobre o Espírito.
1-7 A linguagem é forte. Esta menoridade, escravidão, regime de tutores e curadores, disciplina elementar, situação da qual Cristo nos resgatou, tudo descreve Êxodo 20 em diante até o fim do Penteteuco, juntamente com a história de seus efeitos como a religião de um povo. Não fujamos à realidade da Epístola aos Gálatas. O que se está discutindo é concreto, é urgente, é o problema da crise na Galáxia, sim da grande controvérsia na vida de Paulo que produziu estas quatro epístolas.
Diz o dr. Machen (em “What is Faith?”, p. 185, 186): “O caráter cerimonial da Lei do Velho Testamento, que é tão inferior à operosidade no interior do homem que caracteriza a nova dispensação, foi do propósito de Deus, visando assinalar a inferioridade de qualquer regime de em distinção de um regime de graça”… “Muito enfaticamente diga-se que o contraste não foi entre uma lei inferior e uma lei superior. Foi um contraste entre qualquer espécie de lei, por mais elevada que seja, concebida como meio de obter mérito, e a graça absolutamente livre de Deus.”
William Paley, comentando 3:23-25 e 4:1-5, diz: “Estas passagens são nada menos de que uma declaração de que as obrigações da Lei judaica, consideradas como dispensação religiosa, cujos efeitos haviam de se realizar na vida do outro mundo, já cessaram, mesmo em relação aos próprios judeus.” O mesmo autor explica o motivo do apóstolo em cumprir a Lei judaica como “amor à ordem e à tranquilidade, sim a vontade de não ofender desnecessariamente (Atos 16:3;21:26)”. (Obra e página não anotadas).
8-20 Paráfrase: Sei que a maioria de vós, convertida do paganismo, não está voltando para a Lei, pois nunca esteve sob a jurisdição do judaísmo. A Lei de Moisés, porém, é do género do legalismo, e vós tivestes em vossas religiões aí na Galáxia outro legalismo. No judaísmo se observam sábados, luas novas, festas religiosas das estações do ano. Nas demais religiões, com a exceção do Evangelho, observam-se tais dias também. É a alma do legalismo e vive no regime mosaico, como em muitos outros. Já experimentastes, pois, esses rudimentares exercícios de religião exterior, disciplina elementar. No que em vosso culto havia de paralelo ao ritual de Moisés, bem sabeis sua impotência. Escravizando-vos, pois, à circuncisão e ao legalismo para o qual serve de iniciação, estais apenas trocando jugos insuportáveis, voltando para o mesmo género de legalismo, se bem que para outra espécie de lei, que para vós parece oferecer novidade. A única coisa substancial no legalismo pagão era o ritual. No Evangelho, porém, por via de fé em Cristo, chegaste ao conhecimento espiritual e mútuo que se travou em Cristo entre vossas almas e o vosso Deus. Tendes somado a realidade. Haveis agora de abandoná-la para caçar uma sombra?
Minha relação pessoal em tudo isso é extremamente íntima. Sou vosso exemplo. Não vos dei nenhum exemplo exótico. Em questões de costumes e praxes eu segui a vossa norma gálata, vivendo na maneira do povo e do seu meio ambiente. O exemplo moral e espiritual, que vos mostrei na minha vida e vos ensinei, foi o essencial, e foi um exemplo de liberdade e maioridade evangélica. Não judaizei entre vós, uma vez terminado meu breve ministério nas sinagogas de vossas cidades. E parecia-me razoável esperar de vós atitude mais leal. Com quanta ternura me acolhestes quando cheguei entre vós enfermo e bem podíeis ter achado meu estado repugnante, até virando o rosto para cuspir. Naqueles tempos me tratastes como se eu fora um anjo do Senhor, ou mesmo Cristo Jesus. Estáveis prontos a dar-me tudo, até os próprios olhos. Quão diferente agora! Chegam esses partidários da Lei, enfeitiçando as igrejas. Sou franco, digo-vos a verdade. Os vossos aduladores declaram que este feto me classifica na categoria de inimigo. Pudera! Minha fraqueza procede, pelo contrário, de um amor que é quase como o amor materno, na sua brandura e carinho. O prazo desta luta é para mim quais dores de parto laborioso até que eu verifique pela vossa atitude que sois realmente filhos de Deus, Cristo estando em vós, esperança da glória. Não há terceiro nascimento; vosso vacilante desvio da verdade, porém, me faz voltar toda a ansiedade que me cabia, originariamente, como instrumentalidade humana na vossa regeneração. Para confirmar a vossa fé, quem me dera que eu agora estivesse face a face convosco. Com quanta ternura modularia os tons da voz, em súplica pela lealdade a Cristo. Estou longe, porém, e mui perplexo.
9 “rudimentares, impotentes, depauperados, escravizar-vos.” – Terríveis palavras para analisar uma situação religiosa medonha – a observação da Lei. Voltai a estudar as notas sobre a palavra nos capítulos 2 e 3 e os estudos suplementares no fim do livro. É o assunto da epístola.
9-11 “São Paulo refere-se, definitivamente, ao culto idólatra seguida outrora por esses gálatas, e, não menos definitiva e enfaticamente, descreve o apego deles ao ritualismo judaico, como uma volta á disciplina impotente e depauperado da menoridade, da qual foram emancipados quando abandonaram aquele culto… O apóstolo aqui considera os elementos mais elevados de religiões pagãs como correspondendo, embora imperfeitamente, ao elemento inferior da Lei mosaica.” (De Lightoof, Com. sobre Gál, p. 170). E ainda encontramos, no mesmo contexto: “O judaísmo era um regime de escravatura como o paganismo. O paganismo fora uma disciplina, como o judaísmo.”
9 “rudimentares, impotentes, depauperados” – O dr. A. T. Robertson lamenta que hoje em dia tantos homens ainda se enganem e se deixam famintos “negligenciando a Cristo para caçar o fogo fátuo de falsas filosofias”. (Word Pictures, Vol. IV, p. 303).
10 “dias guardais” – Quando crentes gentios começam a guardar dias santos, meses especiais, tempo como “Quaresma”, “Semana Santa”, e anos como o ano sabático ou o “ano santo” do Papa, Paulo perde confiança no seu cristianismo, e considera o trabalho gasto na sua conversão trabalho perdido, v. 11. Que desdém não sentiria pelo ano sagrado dos calendários eclesiásticos com seu ritualismo!
10 “Guardais dias e meses e tempos” – “Dia de lua nova” – diz o apóstolo em Col. 2:16. Há centenas de milhões de observadores da lua nova, na atualidade, e não são judeus. Estes observaram cerimonialmente todas as luas novas. Colocavam sentinelas nos altos para verificar o primeiro sinal da fase da lua que iniciava o período do santo e com tochas passavam o aviso das montanhas para os vales, às cidades e ao templo.
Agora, porém, toda a terra costuma judaizar na semana pseudo-santa. Por que varia a semana dessa fictícia santidade, um ano caindo em março e outro em abril? É porque é regulada pela lua nova. O romanismo encaixou a festa judaica da páscoa em os costumes pagãos de um cerimonialismo que caía mais ou menos na mesma época em honra a uma deusa adorada na primavera do ano e crismou tudo com um “santidade” católica. Tendo Jesus sido crucificado durante uma páscoa judaica, misturam páscoa, história cristã e paganismo num ecletismo em que é Roma semper eadem. Ora, a páscoa se governava pelo calendário judaico lunar, e Roma persiste no mesmo caduco regime na sua anti-bíblica observação de “dias santos”.
A Organização das Nações Unidas procura regularizar a data, com erudição, diplomacia e consideração financeira – pois a observação de dias santos é sempre comercializada e acumula todas as sortes de vícios, explorações e acréscimo de tradições dos homens, seus mais zelosos promotores, às vezes, sendo negociantes ímpios, ateístas, ou infiéis, por causa do lucro comercial com a praxe. Em vão o ONU se ativa no caso. Ramos comerciais dos pequenos exploradores do dia não percebem o ponto de vista dos altos capitalistas e diplomatas. O assunto é preso também a uma das mais antigas controvérsias pós-apostólica e afeta a polémica entre a “Igreja Ortodoxa Grega” e a “Igreja Católica Romana”. A mocidade carnal não vê com bons olhos qualquer medida que toque em seu carnaval, pois como vai a santidade da páscoa vai a santidade do carnaval, em todas trocaria as civilizações católicas. Quem de índole carnal não trocaria uma semana santa por cinquenta e uma semanas de licenciosidade, mesmo descontando um pouco os quarenta dias da quaresma? Mormente, com o tácito consentimento do clero a uma orgia de três dias e três noites em vastas populações se entregam deliberadamente a buscar o Diabo na rua e folgar com ele sem freios. Que espírito mau não veria uma vantagem em trocar esses três dias por uma noite de vigília sobre o frio ídolo do Senhor morto? Certamente que sim. E, de sobra, ganha logo depois da noite com o Senhor morto o sábado de aleluia, nos bailes de uma carnalidade bem viva e remuneradora da cobiça.
A tendência de guardar “dias santos” é uma das influências mais perversas na história humana. Permite organizar as forças do mal, ampará-las com tradições sócias e eclesiásticas e, com prévio aviso, de longe planejar a carnalidade. Mas se damos cada domingo ao Senhor, sendo todos os domingos comemorações da sua ressurreição, nutrimos sempre a nossa fé sem essa multidão de consequências terríveis e pecaminosas. Com razão podia Paulo supor que tudo estava perdido em igrejas que descambavam para o ritualismo e um regime contaminador de guardar dias e meses e meses e luas novas. A “semana santa” é um culto preso à lua nova. Páscoa é elemento do judaísmo. Nada disso faz parte do cristianismo apostólico gentio.
12 Lightfoot parafraseia: “Larguei todos aqueles honrosos e tradicionais costumes do meu povo, todas as praxes associadas com a minha raça, para me tornar como vós. Tenho vivido como um gentio a fim de pregar eficazmente a vós, gentios. Vós haveis de me abandonar agora, quando abandonei tudo por vós?” (Com. sobre Gál., p. 174) Quando a Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira enviou seu primeiro missionário, Zacarias Campelo, aos índios, preguei o sermão de sua consagração ao ministério abnegado, que encetava com a santa Noemi Campelo ao seu lado. Usei desta sentença, que, para mim, constitui belo ideal de todo o trabalho missionário. Conformidade com o povo em tudo que não seja matéria de revelação divina, a fim de que o povo chegue, juntamente conosco, a amar e crer em Cristo e conformar-se com tudo quanto ele revelou e mandou.
12 “sempre me imitai” – Paulo é exemplo do cristianismo. Há excelente paradoxo neste versículo. Paulo, nas minúcias da vida, se tornara como seus conversos. Nas grandes questões da vida cristã, porém, seu viver é norma para os crentes. O missionário, o pastor, o evangelista devem conformar-se ao seu ambiente em tudo, - ressalvando, porém, as verdades e ordenanças reveladas por Deus no Novo Testamento – apresentando-se como exemplo somente na obediência à Lei de Cristo; no mais imitarão, por sua vez, ao povo que procuram ganhar para Jesus.
No v. 13 encontramos uma referência história. Paulo pregou aos gálatas por acaso. Não foi do seu pleno. Ramsay pensa que ele e Barnabé não ficaram em Perga porque Paulo teve um acesso de impaldusimo, que grassa aquela zona, portanto foi logo à Galácia, uma terra alta como o sertão. Chegou ali assim, estando doente ao ponto de se sentir repugnante, mas o povo, longe de o repelir, tratou-o como um anjo de Deus.
12-16 “Podemos, com o Sir William Ramsay, supor que Paulo na sua primeira jornada missionária pretendia, partindo de Perga, evangelizar a Panfília, mas naquela praia palustre foi atacado por alguma moléstia (o impaludismo ou a oftalmia) que o obrigou a buscar o clima vigoroso do alto sertão de Antioquia, alguns mil e cem metros acima do nível do mar. marcos, não estando preparado para esta jornada extensa na serra de Tauro, voltou à casa de sua mãe em Jerusalém (Atos 13:13-14). A condição desanimadora do apóstolo bem poderia parecer repugnante a estes gálatas. Provocou, pelo contrário, a simpatia e o cuidado amoroso. Tanto maior o motivo de surpresa em estes generosos hospedeiros abandonarem o Evangelho que tão alegremente recebem do apóstolo (Gál. 4:13-15; 1:6-7)”. (Notas do Novo Testamento, Versão Weymouth, in loco.)
13 “enfermidade” – Paulo pregara na Galáxia por motivo de saúde. Sir. William Ramsay seguiu as pisadas do apóstolo nas suas jornadas. Há um salto na primeira viagem missionária depois de deixar a ilha de Chipre para o continente. Não evangelizaram a província de Panfília. Era e é uma zona terrível de impaludismo, baixa, quente e doentia. Marcos voltou de lá e Paulo e Barnabé deram um salto para uma zona sadia. Icónico, Listra e Derbe eram o Garanhuns, Caruaru e Campina Grande, ou Petrópolis, caxambu e Campos do Jordão, daquela região. Paulo chegou bem doente. Recuperou-se e foi bem recebido, a despeito da sua moléstia. O impaludismo ou uma grave oftalmia que grassam naquela zona são suficientes para explicar o incidente.
15 O primeiro sentimento do convertido é o gozo, a alegria! Onde ficou dissipado? Por que não continua hoje em dia? Examinemo-nos para ver o motivo de desgostos e desânimo e voltemos à nossa alegria cristã.
17 Confessamos que exclui tem mais apoio dos dicionários do que “isolar”. Se aquela for a tradução melhor, revela que os agitadores judaizantes estavam procurando eliminar das igrejas os gentios incircuncisos e humilhá-los, obrigando-os a implorar restituição pela influência dos tais agitadores. Paulo preveniu aos gálatas que os motivos dos judaizantes não eram bons. Há recente testemunho, partindo das descobertas nos papiros gregos, que me leva a traduzir isolar, isto é, isolar a Paulo para desprestigiá-lo como autoridade na vida de seus conservos.
19 Figura amistosa, termo de carinho – “filhinhos”. “dores de parto” num homem! Paulo aplica audazmente a figura a si. As dores maternais que resultam em dar à luz as igrejas de Galáxia foram dores sofridas por Paulo, e ele quer usar tom suave e persuasivo para Cristo ser formado nos membros das igrejas.
Eis o que Paulo espera de crentes, que sejam um Cristo na terra, que no caráter Cristo seja formado, em suas vidas Cristo viva.
4:21 – 5:1 Paráfrase: Nesta ternura quase materna, vou narrar-vos uma história, tirada da própria Escritura da Lei, que tem para mim, como para vós, todo o valor histórico, devocional e de lições proveitosas, mesmo contra o próprio legalismo que impõe sobre o judeu. Costumam fazer das relações entre Abraão e duas mulheres uma alegoria religiosa. Tomo emprestada a alegoria deles, para aplicá-las de maneira mais legítima e coerente. O patriarca, na alegoria, em suas relações com as duas mulheres, Agar e Sara, representa as duas alianças que recebeu de Deus, a aliança da hereditariedade espiritual, segundo a qual são herdeiros os crentes, e a aliança da hereditariedade natural, o Israel segundo a carne, sua Lei, cujo rito de inicição começou com o Abraão, definindo-se afinal o sistema todo do Sinai. Eis a alegoria. Agora a aplicação: As duas mulheres são as duas alianças. A da Lei só pode ser a mãe escrava, pois está em regime de sujeição e dá à luz filhos sujeitos à mesma escravatura. A do Evangelho é a esposa legítima, a mãe legítima, dando à luz o filho legítimo, o filho da promessa original. Dos filhos, Ismael é o “filho natural”, ilegítimo, bastardo – num regime monógamo – Isaque, porém, é filho sobrenaturalmente prometido e nascido. Sua filiação não vem por meros processos naturais; é o filho da promessa; o Espírito Santo é autor de sua vida. O Evangelho é a promessa. O Espírito é o autor de nosso nascimento espiritual. Não nascemos por uma semente material, física, como um rito, mas sim por uma experiência sobrenatural, a graça por via da fé salvadora. Agar é o Sinai, agora tão idolatrado em Jerusalém que é quase sinónimo do legalismo. Ismael é o judeu; a expulsão de Ismael é o repúdio da Lei e dos legalistas no cristianismo. Sara é a aliança da graça, o Evangelho, a nova Jerusalém celeste. O crente é cidadão nesta pátria espiritual, filho, na família de Deus, por uma filiação sobrenatural. A promessa se realiza em nosso santo gozo no Espírito. A promessa é universal no seu alcance, a Lei é para Israel segundo a carne, que está na iminência de desaparecer. O Evangelho crescerá; o judaísmo diminuirá. O judaísmo persegue; o Evangelho é um regime de liberdade e ama a liberdade. Os dois sistemas não se misturam, não se coadunam, não se confundem, nada de ecletismo! Eles vos excluem! Pois bem. A decisão é inevitável. O Evangelho e a Lei, o crente e o legalista não podem viver lado a lado mas mesmas igrejas gentias. Expulsai os adeptos da escravatura legalista. Tomai vossa posição corajosa no terreno da liberdade e nunca mais consintais em sujeitar-vos a qualquer jugo de legalismo. Para liberdade Cristo vos deu liberdade. Não é, pois, de livre escolha, mas obrigatória para o crente, pois sem sua liberdade é impossível exercer sua responsabilidade.
24 “duas alianças” – Já notamos, 3:15-18, a verdade das duas alianças, feitas por intermédio de Abraão e Moisés, sendo a aliança legal e nacional, definida na sua plenitude e entregue por Moisés a Israel, 430 anos menos antiga do que a aliança evangélica e universal, dada aos crentes, judeus e gentios, em o Cristo prometido, a semente de Abraão. Agora, 4:21-31, Paulo ilustra estas duas alianças por uma alegoria tirada da vida de Abraão e suas relações com Agar e Sara, com Ismael e Isaque. Isaque era filho da promessa, um filho sobrenaturalmente dado aos seus velhos pais. Ismael era filho pelas leis da procriação natural. Deus mandou rejeitar o Ismael e considerar filho único do pacto a Isaque, filho da promessa. Portanto são os crentes, sobrenaturalmente nascidos de Deus, e não os judeus, filhos legítimos, carnais, de Abraão, que são os herdeiros da aliança, os filhos da promessa.
24“duas alianças” - O consagrado e original missionário à África Dan Crawford, escreveu numa carta de 1 de maio 1918, ao “Sunday School Times”: “Naquela época o lema era FAZEI, agora é FEITO (Como nosso hino: ‘Cristo tudo fez completo, nada por fazer deixou’. W. C. T.). Era FAZEI E VIVEREIS: agora é VIVEI E FAREIS. Naqueles tempos era MUITAS VÊZES, agora é UMA VEZ. nesses dias era SALÁRIO, agora é DOM. Naquele regime a Lei apagava o transgressor, agora apaga seu pecado: então eram açoites e perdas para o filho pródigo, agora é a melhor roupa e o beijo paterno. Naquele tempo todos os homens de Siquém foram mortos, neste todos da referida cidade se chegaram a Jesus. A Lei deixou os homens sem desculpa; a graça, porém, lhes dá um advogado. A Lei FECHOU TODA A BOCA; em Rom. 10 toda a boca se abre. Assim eu afirmava com pressa e alegria, como verdadeiro filho de Martinho Lutero, terminando com o contraste cumulativo entre os primeiros atos públicos de Moisés e Cristo. O primeiro feito de Moisés, em Ex. 2, é matar um homem. O primeiro ato de Jesus, pelo contrário, que Marcos história, é curar um homem!”
25 “Sinai” – “Até o dia de hoje os árabes chamam o Sinai Agar, o g soando com dj”, diz Weymouthm in loco.
25 “Arábia”, - isto é, no país dos edomitas, longe da terra da liberdade e da promessa. Não é apenas uma nota geográfica. Está prenhe de significação. A Lei e aliança sinaítica não dada na terra de promissão, senão muito longe no deserto da Arábia.” (Moffatt, “The approach to the New Tesyament”, p. 138).
26 “Jerusalém” – Regozijemo-nos na doutrina da Nova Jerusalém, capital celeste, da qual somos colonos, a dispersão na terra, que ambiciona gozar sua cidadania e temos antegozos de sua comunhão e seus costumes. Os filhos da Jerusalém atual são escravos, sob o jugo levítico. Somos o Israel de Deus, colónias da Nova Jerusalém. Vede o estudo suplementar sobre “O Israel de Deus”.
27 Esta citação é da Septuaginta. A Versão Brasileira assim traduz o original hebraico: “Canta, estéril, que não deste à luz; rompe em cânticos, e clama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da desolada, do que os da que tem marido, diz Jeová. Alarga o sítio da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças: alonga as tuas cordas e segura as tuas estacas; a tua posteridade possuirá as nações, e fará que sejam habitadas as cidades desertas.”
Carey, pois, apenas segui ao apóstolo Paulo quando interpretou esta Escritura como uma das grandes profecias missionárias do Velho Testamento. O Israel de Deus, lá no cativeiro, a nação espiritual, parecia divorciada de Jeová, seu marido, segundo a linguagem figurada dos profetas. Demos tempo ao tempo, porém, e seja esclarecido o futuro do propósito divino missionário. Então este Israel de Deus, composto de crentes dentre todos os povos, membros do Israel espiritual pela fé, terá uma gloriosa união frutífera com seu Deus e uma semente natural do Israel segundo a carne que se julga ser único meio legítimo de alguém ser filho e herdeiro da aliança feita com Abraão. A profecia se interpreta à luz da encarnação e do reino de Jesus entre todos os povos. Notai, porém, como Paulo modifica a figura. Aqui ele não chama o Israel espiritual a mãe. “A Escritura prevendo…” Alguém com uma lógica eclesiástica diria: O Israel de Deus é a Igreja Católica. A Igreja Católica é a grei do Papado. Logo a Santa Madre Igreja de Roma é que dá à luz filhos de Deus e extra ecclesiam mulla salus. Paulo não vai até esse ponto de exploração da figura. A mãe é a aliança da graça, não o eclesiásticos de um recrudescimento eclético de judaísmo com todos os paganismos dos séculos. Aprendemos a nunca ser sábios “além do que está escrito”. Nunca levar uma figura além de seu alcance bíblico, nunca aplicá-la a uma entidade que esteja completamente fora do horizonte do escritor inspirado. A Igreja ainda é virgem, noiva do Cordeiro. Jeová era esposo de Israel, mas Jesus ainda nos autoriza a sair pelas encruzilhadas e convidar hóspedes às bodas do Cordeiro. Seu casamento ainda está no porvir.
28 “filhos da categoria de Isaque” – Na aliança de Abraão, a promessa é dada ao indivíduo, não ao homem e seus filhinhos. Os recém-nascidos são filhos da carne, “pois o que é da carne é carne”. Todos os gentios que crêem, porém, são filhos da promessa. Seus filhinhos que não podem crer não fazem parte da aliança, mas únicamente os que nascerem segundo o Espírito, v. 29. Um só nascimento, mesmo na família de um crente, não basta. Só os que nasceram duas vezes são “filhos da promessa”. Os nascidos “segundo o Espírito” são unicamente os beneficiários da aliança. O próprio Ismael é prova de que a filiação carnal não dá a ninguém entrada na aliança. Ismael era filho de Abraão mas foi excluído do pacto.
29 “persegue” – Toda a religião legalista persegue, como Ismael, filho carnal, perseguia a Isaque, filho da promessa. Haja visto o romanismo, e mesmo Lutero, Calvino, e Zwínglio com suas ideias cerimoniais do pacto de Abraão.
30 “expulsa” – Paulo não manda perseguir, antes a perseguição é sinal de legalismo, da velha aliança. Manda, porém, separar os evangélicos dos legalistas, os filhos da escrava dos filhos da promessa, os adeptos do Sinai, dos cidadãos da Nova Jerusalém. Neste “lança fora”, se refere às igrejas, não ao poder civil. Ninguém que confie na Lei e observe suas cerimónias para a salvação te direito a fazer parte de uma igreja de Cristo.
30 “Descendência natural de Abraão não constituía, título válido para privilégios nenhuma prova era também de legitimidade; Abraão mesmo expulsou de casa um filho natural, em antecipação ao método de Deus ao preferir os cristãos aos judeus. Ismael tipifica os judeus, Isaque os cristãos”. (“The Approach to the New Testament”, James Moffatt, p. 137.)
Podemos ver quão larga a distância que se abrira entre os judeus e os cristãos, e a posição a que a atitude de Paulo o conduzira. Imaginai um fariseu ddisposto a chamar seu povo: “Ismael!” Ismael eram aquelas tribos da península da Arábia com as quais os israelitas tinham parentesco mas contra os quais nutriam ressentimentos e ódios figadais. Agora Paulo toma o nome predileto “Israel de Deus” para uma mistura de gente cristã em que não há distinção de raça ou ração, e ao verdadeiro e histórico Israel, residente na Palestina, o apóstolo dá o nome de Ismael. Jerusalém fica transformada em Agar, escrava, concubina, fugitiva! E o odiado Evangelho se torna a Nova Jerusalém, e esses crentes cuja salvação se negava nos círculos judaizantes e cuja comunhão se recusava à mesa, eis que se transformaram naquele filho do sorriso, da paz, da aliança, da fé – Isaque. Com mais uma década, a Epístola aos Hebreus formalmente chamará todo o crente, da raça hebraica, para sair do arraial do seu povo e sofrer com seu Salvador num novo Gólgota, fora do acampamento nacionalista. Mas ainda estamos no período de transição, em 57 d. C. Voltando a Jerusalém, Paulo ainda agirá segundo os conselhos de Tiago, Atos 21:20-26. Por ora, só há plena liberdade evangélica entre os gentios.
1 “liberdade” – “A liberdade dos gentios, de acordo com Paulo, não era uma concessão, antes era um fato absolutamente exigido. Exigia-se justamente pela interpretação mais fiel da Lei do Velho Testamento. Se Paulo houvesse sido um judeu liberal, jamais teria sido o apóstolo dos gentios; jamais teria desenvolvido sua doutrina da Cruz. A liberdade gentia, em outras palavras, não era, de acordo com Paulo, um relaxamento de exigências restritas em favor dos interesses práticos da obra missionária; era uma questão do princípio. Pela primeira vez a religião de Israel podia avançar, (ou melhor, foi compelida a avançar) em boa consciência, para a conquista espiritual do mundo.” (“The Origim of Paul’s Religion”, por Machen, p.13.)
1 “liberdade” – “No princípio do século décimo-sexto, Deus escolhera um homem que começou a ler a Epístola aos Gálatas com seus próprio olhos. O resultado foi a redescoberta da doutrina da justificação pela fé. Sobre esta redescoberta assenta o todo da liberdade evangélica. Comentada por Lutero e Calvino, a Epístola aos Gálatas tornou-se a Magna Carta da liberdade cristã”. (“Christianity and Liberalism”, por Machen, p. 143-4.)
1 “liberdade” – “Na religião, bem como na vida política, a liberdade tem que ser cuidadosamente protegida; nada mais fácil do que perdê-la mais ou menos inconscientemente. Existe uma gravitação instintiva por parte do ego inferior, para nível em que regras externas e um código objetivo nos livram das obrigações da liberdade, do raciocínio próprio e da pressão de viver sob os supremos motivos de uma compreensão vital. E as forças reaccionárias jamais são tão fortes como no período imediato a um avanço. Explica-se, pois, o tom imperativo de Paulo.” (“The Approach to the New Testament,” por James Moffatt, p. 140.)
1 “liberdade” – “Paulo mesmo, de qualquer modo, baseia sua doutrina da liberdade dos gentios, completamente, em Jesus. Apoia a doutrina sobre o que Jesus filzera, e não sobre o que Jesus dissera, ao menos, nos primeiros tempos de sua vida”. (“The Origim of Paul’s Religion”, por Machen, p. 13.)
1 “liberdade” – “Internamente, é bom verdade, os primitivos discípulos em Jerusalém já estavam livres da Lei; estavam realmente confiando, para a salvação, no que Cristo por eles fizera, e não em sua observância da Lei. Não entendiam aparentemente, porém, que estavam plenamente livres; ou melhor, não sabiam bem por que estavam livres.” (“The Origim of Paul’s Religion”, por Machen, p. 19.)


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