Conferencista Edimilson Garcia

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"por terra te lancei,"

Ezequiel 28:11-19, v.17, "por terra te lancei,"
Judas 6, !E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação,..."
II. As Estratégias de Satanás para Promover O Pecado no Mundo e as Soluções para Escaparmos delas 
A. Colocar uma isca dourada em um anzol enferrujado - Gên. 3:1-5 
B. Pintar o pecado com cores virtuosas - Josué 7:18-26 
C. Desprezar a impiedade do pecado - II Sam 11:1-17 
D. Representar a Deus Unicamente Misericordioso - Lucas 3:8; Jer 7:4-11 
E. Aconselhar que o arrependimento é fácil - Efés 6:12-20 
Estudaremos então mais sobre os ardis de Satanás para não sermos ignorantes deles. Uma outra tática usada por Satanás para promover o pecado no mundo é:
F. CONVENCER QUE A ASSOCIAÇÃO AO PECADO NÃO É PERIGOSA - I Cor 15:33
1. A Tentação 
Satanás tenta as pessoas dizendo que é possível andar perto de pecado sem se contaminar com ele. Satanás diz que é possível contemplar a prostituição sem nunca participar em seu envolvimento. A tentação semeia o pensamento que é possível andar entre ladrões e ter a ficha limpa na delegacia. Satanás diz que é possível ter simpatia com o vicio de um bêbado sem sucumbir aos efeitos da bebida forte. A mentira é que é possível brincar com qualquer pecado sem ser dominado por ele. Através deste tipo de tentação Satanás convença a muitos esbarrando os mesmos de chegarem à verdade, Cristo. Veja o exemplo de Ló: Gên. 13:12,13, !armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o SENHOR."; Gên. 14:12, Ló, !habitava em Sodoma? e foi levado cativo pelos quatros reis; Gên. 19:1, !Ló assentado à porta de Sodoma?; Gên. 19:8, Ló tendo simpatia com os homens pecadores de Sodoma.". Somente pela misericórdia de Deus que Ló não foi julgado junto com Sodoma.
2. As Soluções.
a. Entender o mandamento da Bíblia sobre as aparências do pecado. 
I Tess 5:22, !Abstende-vos de toda a aparência do mal." (Comercio, vestimenta, língua, adoração) 
Prov 4:14,15, !Não entres ... nem andes no caminho dos maus ... evita-lo; não passes por ele, desvia-te e passa de largo." O menos perto melhor. 
Prov 5:8, !Longe dela seja o teu caminho, e não te chegues à porta da sua casa." 
Judas 23, !odiando até a túnica manchada da carne."
Prov. 6:28,"...andará alguém sobre as brasas, sem que se queimem os seus pés?"
b. Entender: Somente é possível ter vitoria sobre o pecado, abandonando-o 
I Cor 10:13 só é possível suportar a tentação tendo um escape. 
II Cor 6:14-18, !que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? ... Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas ..." 
Tiago 4:7, Satanás só foge de nós quando resistimos (I Ped 5:8,9). 
Tiago 4:8, Deus só chega aos que primeiro cheguem a Ele. Não pode ser dividido com o mau (Mat. 6:24; 12:30).
Para Satanás uma meia vitória já é uma vitoria total. O amigo do pecado logo será companheiro do pecado. Próv 13:20;28:24 
Brincar com o pecado apenas fortalecerá o seu poder dele em a sua vida.
c. Entender: Os exemplos dos santos mostram que a separação é agradável a Deus - Sal 1:1-3 
José - Gên. 39:10-13 · Jó - Jó 31:1 
Davi - Sal 26:1-12, · Salomão - Prov 13:20 
Jeremias - Jer 15:17
Estamos no mundo mas não somos do mundo (João 17:15,16) e podemos ter a vitória somente tendo um andar perto de Deus diariamente (Prov 9:6, !Deixai os insensatos e vivei; e andai pelo caminho do entendimento."). A graça de Deus é que nos dá a vitoria. (Veja o exemplo de Daniel na Babilônia, Dan 1:8,9).
Você tem esta graça? É por Cristo (Fil. 4:13). Você está a exercitando para ter a vitoria?
3. Defesa habitual para qualquer pecado - I Cor 15:33, !Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes." 
Mar 12:30 "Amar Deus de Tudo..." 
Sal 139:23,24 "Sonda-me, ... Deus..." 
Ecl 12:13, "Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos;" 
Fil. 4:8, !Tudo o que é verdadeiro ... honesto ... justo ... puro ... amável ... boa fama ... nisso pensai."


Exortação à Separação


Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com infiel? II Co. 6:14-15 
Qualquer pessoa que se disponha a ler tais palavras, logo se verá confrontado por essas perguntas desafiadoras. Elas nos levam a pensar com seriedade, e nos chama à subordinação. De outra forma, responda a Deus os motivos de sua rebeldia.
Diga-lhe que Seu mandamento é pesado; e indo contra a própria natureza. Diga-lhe que a boa sorte do fiel é de se unir ao infiel; e que a paz e a harmonia reinará na sociedade da justiça com a injustiça. Diga a Deus e explique a ciência, como a luz e as trevas podem pousar simultaneamente debaixo do mesmo teto; explique como pode haver concórdia entre Cristo e Belial; e diga-lhe como é possível o fiel e o infiel compartilhar dos mesmos sonhos, andarem juntos, em um mesmo Espírito, em um só coração, rumo a conquista do mesmo alvo. ?Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis?.
Que fruto dará tal união? Certamente, um lar sem padrões harmônicos definidos, sem estruturas sólidas, frustração mútua, insatisfação, filhos confusos por causa dos ensinamentos divergentes entre os pais, e a desaprovação total do Deus santo, por tal ato de pecado e rebeldia contra Ele. 
 O crente foi feito filho de Deus, e deveras é fiel, justo, luz, e um com Cristo. E se o tal persistir em casar-se com um incrédulo, estará estabelecendo uma união para toda a vida com um filho do Diabo, e para o resto de sua existência, terá por sogro a Satanás. 
Por conseguinte, eu suplico ao leitor, em nome do Senhor Jesus, que dê a devida atenção a esta palavra de amor. Mesmo que ela venha a ferir seu coração, ainda assim, é a espada do Espírito, usada para o seu próprio bem. ?Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis?.
Existe ainda aquela tentação de darmos tiro no escuro, e entregarmos a nossa própria vida à Sorte, a Loteria, a um Talvez, Se, Quem sabe... Há uma tendência que nos leva a confiarmos mais nas trevas do que na luz da vontade revelada de Deus que se irradia da Palavra. Caindo em tal armadilha, pessoas têm  crido que podem desobedecer a Deus, com o pretexto de que podem ganhar os seus pretendidos para Cristo, e esta tem sido uma ilusão fatal.
Conta-se que certa vez uma senhorita visitou o senhor Spurgeon e lhe apresentou esse argumento. Como resposta, ele mandou-a sentar-se sobre a mesa. Espantada, a moça acabou fazendo o que ele pedia. Depois, Spurgeon pediu-lhe que o erguesse.
?Impossível?, disse ela.
?Exatamente?, disse o pregador; !mas eu posso puxá-la para baixo?.
Dito e feito: Num segundo ela estava no chão.
Com toda a gravidade o servo de Deus advertiu-a de que se ela desobedecesse ao Senhor, jamais levantaria o moço, mas ele, sim, a rebaixaria! 
Dois não podem andar juntos a menos que estejam de acordo. 
Cuidado com tal embaraço nos seus relacionamentos, pois os mesmos deveriam ser estabelecidos para a glória de Deus, e não para a sua ofensa!
O homem e a mulher crentes, são livres para casarem-se com quem quiserem, ?contanto que seja no Senhor?. I Co. 7:39   Com tantos filhos da luz no mundo, porque haveríamos de compartilhar o nosso tempo, as nossas maiores intimidades, e construir uma família, justamente com um filho das trevas?
Para mim, além de ser rebeldia, não me parece algo são, e a minha consciência não me permite aprovar ou ficar indiferente a tal atitude, pois também é a morte do bom senso e o louvor da decadência espiritual.
?Não vos prendais a um jugo Desigual com os infiéis?. Medita estas coisas! Em nome de Jesus. Amém.

Exorcismo Também Significava mais do que Muitos Vêem e Entendem


Marcos 1: 27 - E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! 
Mateus 12: 28 e 29 - Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus. Ou, como pode alguém entrar em casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não maniatar o valente, saqueando então a sua casa? 
Há duas realidades espirituais no milagre de exorcismo feito por Cristo: 
1- A chegada do Reino de Deus 
2- A Derrota do diabo 
A enfermidade requer um milagre de cura, que verifica a verdadeira situação espiritual da pessoa. 
Qual a verdadeira situação espiritual do homem? (Efésios 2: 2; I João 5: 19; João 8: 44; II Timóteo 2: 25 e 26) 
Enfermos, mortos em delitos e pecados, dominados pelo diabo, filhos de satanás, completamente cegos em seus entendimentos, escravos voluntários de satanás, instrumentos para disseminar heresias. 
Esta escravidão ao diabo (Romanos 6 – escravos libertos do pecado) é exatamente o que vemos em forma externa na realidade de uma pessoa possuída pelo demônio, era uma evidência externa do domínio que satanás exercia sobre esta pessoa, utilizando sua mente, seus membros, sua voz, etc. Numa perspectiva espiritual, todos os não convertidos tem feito um pacto com satanás, estão sob seu domínio, fazem sua vontade, estão no maligno (I João 5: 19). Portanto, para serem livres desta escravidão, das garras do diabo, elas necessitam do mesmo poder salvador e regenerador. O mesmo poder que cura um enfermo, expulsa satanás, é o mesmo que salva, regenera, e tira a pessoa do reino das trevas e a conduz para o reino da luz. 
Mateus 9: 5 - “Pois, qual é mais fácil? dizer: Perdoados te são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te e anda?” 
Para tratar com uma pessoa não convertida, ou com uma pessoa enferma, ou endemoninhada, o ponto é o mesmo, se requer o mesmo, a conversão, pois todos são escravos de satanás. É uma realidade da doutrina da depravação total e hereditária. Acaso pode uma pessoa possuída expulsar por si só o demônio, curar-se de qualquer enfermidade? Não há, na lista dos dons, o dom de expulsar demônios. Todos os exemplos bíblicos de exorcismo ocorrem no contexto do evangelismo, a proclamação do evangelho (Lucas 4: 41 – os Setenta; Atos 8: 7 – Felipe; Atos 16: 18; 26: 18 – Paulo). Quando uma pessoa é salva, é libertada do poder de satanás, da sua escravidão e trasladada ao reino de Deus (Colos 1: 16). Não importa se está doente ou não, se era possuída ou não, somente o poder do evangelho é que a pode resgatar. Em Atos 19: 13 vemos que alguns judeus, pretensamente exorcista, não puderam expulsar o demônio, pois tentaram fazer sem a proclamação do evangelho. Não há fórmula mágica para tratar com possessões demoníacas, a não ser a proclamação do evangelho, caso contrário, o efeito é pior. O único remédio é a pregação do evangelho e a intervenção do Espírito Santo, através da regeneração. 
E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má. Mateus 12: 43-45. 
Em Mateus 17: 14-21, os apóstolos não puderam expulsar aquele demônio, ou como diz o texto, curar aquele menino (v.18). Cristo os repreende por causa da pouca fé deles (depender totalmente do poder soberano de Deus). Eles deveriam confiar que somente pelo poder de Deus é que poderiam expulsá-lo. Ele é o único que pode fazer tal coisa, não são ritos, cerimônias, ou mesmo invenções e estratagemas humanos que podem livrar um homem das garras do diabo. 
Em Marcos 9: 28 vemos que há graus (esta casta) de maldade e depravação entre os demônios caídos, assim como há graus de depravação e maldade entre os homens, chegando a níveis tão extremos de depravação, doenças e domínio total do diabo, como a possessão demoníaca (II Pedro 2: 12), por isso somente com oração e jejum é que os tais podem ser vencidos, ou seja, nosso preparo espiritual é um fator importante quando testificamos, oramos e pregamos o evangelho. Deve haver uma dependência total no que diz respeito ao poder de Deus, pois somente Ele é que pode salvar e regenerar tais pessoas. Há em certos casos que demonstram que somente através de uma dependência extraordinária de Deus é que podem ser resolvidos. 
Os Casos reais de possessão demoníaca. 
Hoje em dia, os casos reais de possessão demoníaca, que podem ser indiscutivelmente considerados, não são comuns. Primeiro porque não convém ao diabo, pois se apresentar como “anjo de luz” lhe é mais conveniente, a não ser naqueles países ou culturas aonde tal fenômeno não é de fato estranho ou assustador. Todos os não convertidos são seus servos ou escravos, e por isso ele não têm a necessidade de agir de forma contraproducente, tomando-os fisicamente. Eles o servem melhor sem este fenômeno. 
Tanto hoje em dia, quanto no passado, Deus não permitia que satanás agisse sem o seu consentimento. Vemos que Deus tem restringido ao diabo quanto a este tipo de manifestação demoníaca na dispensação do evangelho, e não permitido tantos casos. 
Os verdadeiros filhos de Deus não podem entrar em contato com uma pessoa endemoninhada sem que Deus o permita, pois isso não lhes ajudaria ou mesmo seria necessário. No Novo Testamento isso sempre ocorria no contexto do evangelismo. 
Fenômenos característicos das pessoas endemoninhadas no Novo Testamento são as seguintes: 
1. Poder Físico extraordinário (Lucas 8: 29) 
2. Uma tendência à mutilação, autodestruição e suicídio (Marcos 9: 22) lançando-se no fogo, água (Mateus 17: 15). 
3. Em todos os casos havia uma resistência fortíssima ao evangelho. 
4. O corpo e a voz eram usados como instrumentos do diabo. 
5. Algumas enfermidades aparentemente não tinham nenhuma causa física. 
6. Enfermidade mental, múltiplas personalidades. 
Quando ocorrem tais casos? Nem todos os que começam com o sexo ilícito terminam como sodomitas, com bebidas alcoólicas e terminam como bêbados, com drogas e terminam dependentes. Na maioria dos casos de possessão demoníaca há uma brecha, uma porta aberta, alguma disposição. Espiritismo, Vudu e Macumbaria, são algumas formas evidentes disso. Devemos lembrar que quando Jesus expulsou os demônios daquele(s) homem(s) na cidade dos Gadarenos, eles pediram permissão para entrarem nos porcos e não serem lançados no abismo (Lucas 8: 31-32). Portanto, se eles têm que pedir permissão para entrar em animais, muito mais nos seres humanos. 
Será que um crente em Cristo, filho de Deus, nascido de novo, pode ser possuído pelo demônio? A resposta é NÃO!!!! Pois para que tal coisa ocorresse, o diabo teria que ser mais poderoso do que Deus, o Espírito Santo, e o Filho - Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo (I João 4: 4). 
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir (Romanos 8: 38). 
Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (I Cor. 6: 19). 
Mas vós sois dele (Deus), em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção (I Cor. 1: 30). 
Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca (I João 5: 18). 
Até que ponto um Crente em Cristo pode ser oprimido, controlado ou “supostamente” escravizado por um demônio? Não se trata de possessão demoníaca, mas algo menor como um espírito de depressão, opressão. Hoje há muitos ministérios dirigidos a “cura e libertação” de “crentes” supostamente oprimidos, dominados e deprimidos por algum espírito. Tais ministérios estão totalmente equivocados, errados, torcendo o ensino das Escrituras no que diz respeito à doutrina de Deus, ensinando assim o dualismo. 
Tanto Romanos 6 (vs. 14; 17; 18; 20; 22), quanto I João, ensinam que todo verdadeiro convertido já está liberto do poder, domínio e escravidão do pecado. Portanto, estes ministérios de libertação estão diretamente afrontando a doutrina da salvação, pois se tais pessoas ainda são dominadas pelo pecado, demonstram claramente que necessitam de conversão. Se satanás vai e vem, fazendo o que bem quer, significa que aquela casa foi varrida e adornada, mas Cristo nunca habitou nela (Mateus 12: 44). O que tais pessoas precisam não é de uma cerimônia de exorcismo, de cura ou libertação, aonde são ensinados que satanás é o culpado pelos seus pecados e ações, mas de ouvirem o evangelho e se arrependerem dos seus pecados, livrando-se assim do domínio que o pecado exerce sobre os seus corpos (Romanos 6: 6 e 17). Se somos guiados pela carne, então não somos convertidos (Romanos 8: 14). O verdadeiro salvo luta para mortificar a carne (Romanos 7, Rom. 6: 16) e vivificar a obra do Espírito (Colos. 3: 15). O pecado, o velho homem, a velha natureza, que ainda permanece no crente, é mortificada a cada dia, mas o crente já está limpo, regenerado (João 13: 10-11; 15: 3). O diabo pode ter lugar na vida do salvo quando este é desobediente, negligente, ou rebelde, caso contrário, somente por permissão de Deus, como no caso de Jó. (Efésios 4: 27 - Não deis lugar ao diabo - Tiago 4: 7 - Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós - I Cor. 10: 13 - Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar). 


Exercício em Piedade I Tm 4.7-8


“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade; Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” I Tm. 4.7-8 
Atentemos brevemente ao significado da palavra “piedade”. Para termos piedade em nosso andar Cristão será necessário entendermos o que biblicamente é ser piedoso. A palavra “piedade” vem da palavra grega “eusebeia”, e esta é a junção de duas palavras: “eu” que significa “bom ou correto”, e “sebomaie” que significa “adorar”. Portanto, piedade é adorar bem ou corretamente. Possuir piedade quando se adora a Deus bem e de maneira correta como está proposta nas Escrituras, não é seguir os desejos do seu próprio coração e consciência; mas é seguir o ensino da sagrada Palavra de Deus, a qual permanece para sempre no céu. Não é necessário estimular a emoção, sensacionalismo, mistificação ou atualizar os modismos. Deus é eterno, e a Sua Palavra é eterna, o mesmo, ontem, hoje e para sempre. Assim, o caminho de piedade é estabelecido eternamente e devemos nos esforçar nela. 
Quando Caim e Abel adoraram diante de Deus, Caim adorou incorretamente, e Abel adorou corretamente. Deus aceitou a adoração de Abel mas rejeitou a de Caim por Caim não obedecer o mandamento Divino para com a adoração. Com vingança, injustiça procurou matar a justiça. É possível matar um homem justo, mas não é possível matar a justiça de Deus. Adoração aceitável diante de Deus requer adoração de forma correta! Deus não é forçado a aceitar aquilo que dizem a adoração ser quando vem das imaginações ímpias do homem. 
Piedade “tem a ver com as relações reais, verdadeiras, espirituais e internas com Deus” enquanto religião, “tem a ver com as ações externas nas cerimônias e observações religiosas, as quais podem ser feitas pela carne.” (E. W. Bullinger). João Gill, referindo-se à piedade escreveu: “Isto é nada mais que a devoção interna da mente e zelo espiritual no serviço a Deus; é a disposição santa da alma para com Deus.” Um relacionamento espiritual e real para com Deus produzirá ardente e santo zelo para corretamente adorar. O servo deve exercitar a si mesmo constantemente na Palavra de Deus para não desviar-se em sua adoração. 


- ESTUDOS SUPLEMENTARES - Epístola Aos Gálatas O Período de Transição do Judaísmo para o Cristianismo


O período de transição do Judaísmo para o Cristianismo 
João Batista veio, talvez no ano 26, e batizou o Mesias. Deu-se no ano 70 a destruição de Jerusalém e o estado teocrático, subordinado ao império romano, sede do templo, dos seus sacrifícios e sacerdócio, o centro da vida judaica da Palestina e da Diáspora mundial. Este período de menos de dez lustros foi o mais importante na história da raça humana. Uma fase de sua natureza peculiar passa despercebida à média dos leitores do Novo Testamento. Não avaliam que nesta época quase tudo é extraordinário e excepcional, senão os elementos essenciais da experiência cristã comuns a todos os crentes, em todos os tempos e lugares. É indispensável avaliar certos elementos peculiares aquela situação para entender a vida cristã primitiva, os problemas que surgiram na carreira apostólica e que recebem atenção nas epístolas, mas que para nós já não são problemas, antes são quase incompreensíveis em nosso meio ambiente. 
Há uma diferença abismal entre nossa vida, nosso costumes e o que lemos de Jesus e os Doze. Basta enumerar dez fatos elementares da conduta de Jesus, nenhum dos quais se verifica em nossa vida. 
1. Jesus foi circuncidado de acordo com a lei levítica e o costume sabático, Luc. 2:21, João 7:22. Não há um crente hodierno em dez mil que, neste respeito, siga o exemplo de Jesus. 
2. Nosso Senhor assistia o culto judaico numa sinagoga, cada sétimo dia da semana. Eu nunca estive senão em um culto realizado numa sinagoga e foi numa noite de sexta-feira, um discurso popular que me atraiu. Os prezados leitores já tomaram parte em um culto de sinagoga? Provavelmente não. Mas quão diferentes somos neste respeito, do nosso Salvador. 
3. Jesus, em conformidade com a Lei (Ex.23:14-17), peregrinava a Jerusalém três vezes por ano, como faziam milhões de judeus de todo o mundo civilizado. Nunca estive em Jerusalém e nem sei observar a Páscoa, Pentecostes ou o Dia de Expiação, como Jesus fielmente os observava. 
4. Jesus acompanhava os sacrifícios de bois, bodes, aves, cereais etc. e teve sua parte nisto e pagou uma taxa pela manutenção do templo. Nunca vi animal sacrificado, nem sangue aspergido sobre um altar e sobre os adoradores, nem paguei um centavo para manter o culto israelita. 
5. Jesus não comeria à mesa com qualquer um de nós nem nos teria evangelizado, nos dias de sua carne, se não fossemos também judeus, com talvez raras exceções predestinadas à graça especial por motivos do propósito divino, Luc. 4:25-26, Mat. 10:2-6. 
6. Nosso Mestre guardava o sábado, se bem que não as tradições acumuladas sobre o dia original, e, mediante dois ensinamentos, preparou o povo para a abolição do sábado: (I) a declaração de que o Filho do Homem era “Senhor do sábado também”, o sábado entre todos os demais elementos preparatórios, de revelações anteriores; (II) em citar o Decálogo ele aumentou a ênfase sobre a moral, dizendo ao moço rico: “não furtarás” e “não defraudarás,” quando o Decálogo tem apenas um dos dois mandamentos; ele, porém, sempre omitia o mandamento sobre o sábado, pois sabia que haveira de caducar. 
7. Jesus obedecia às autoridades judaicas e mandou obedecê-las, Mat. 23:3. Nós outros jamais obedecemos a judeu nenhum, nem ao menos por estar sentado na cadeira de Moisés. 
8. Jesus por a mesma do banquete evangélico para os filhos de Israel. Com relutância cedeu mesmo umas migalhas aos “cachorrinhos” gentios. Mat. 15:26. Semelhante linguagem em nós seria presunçosa, hipócrita e intolerável. 
9. Jesus fez pelo menos uma reforma, e esta duas vezes, no judaísmo. Expulsou do templo a comercialização do sistema sacrificial. Nós não o reformamos, pois Deus o abandonou quando rasgou, de cima a baixo, o véu do Santíssimo lugar. 
10. Jesus observou a páscoa e se fez o cordeiro pascoal, a realidade da qual as pálidas festas cerimoniais eram sombras. Logo, tendo a realidade, o corpo, não buscamos voltar ao regime das sombras. Col. 2:17. 
Para que continuar? A vida religiosa de Jesus era completamente diferente da nossa. Suponho que qualquer leitor dessas palavras, sendo evangélico, seria excomungado da sua igreja se mesmo de leve praticasse estas coisas que eram a praxe invariável da religião do judeu Jesus. 
Ora, os apóstolos e a igreja primitiva de Jerusalém viviam nitidamente uma vida judaica no templo, nas suas orações, sacrifícios e festas. Atos 2:46; 3:1, 11; 4:1, 5; 6:9, 15. Paulo também agia com judeu leal nas sinagogas e no templo em Jerusalém, Atos 13:42, 44; 18:4; 19:8; 20:16; 21:17-26; 23:5, 6; 28:17-28. Citamos apenas um destes casos. Tiago, na ocasião do última visita de Paulo a Jerusalém, disse-lhe: “Bem vês, irmão, que milhares há que têm crido entre os judeus E TODOS SÃO ZELOSOS DA LEI; e têm sido informados a teu respeito de que ensinas todos os judeus que estão os gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem seus filhos nem andem segundo os nossos ritos.” Paulo concorda com Tiago que o boato é calúnia, e, para demonstrar que é, associa-se com um voto cerimonial de quatro homens judeus e paga as despesas no templo. Assim ficou demonstrado, como Tiago queria, que Paulo “andava retamente, guardando a lei” quando estava na Palestina, na jurisdição desta lei. Já passara algum tempo desde que escrevera a Epístola aos Gálatas, quando ele assim guardou reverentemente a lei e os seus ritos. Como explicar isso? 
A explicação é muito simples. A lei de Moisés era a lei civil e religiosa da Palestina, com umas tantas restrições impostas pelo império romano. Na Palestina, Paulo e os demais judeus estavam tão subordinados a esta lei mosaica com nós no Brasil estamos subordinados às leis da constituição e legislação brasileiras. Se qualquer um de nós conseguisse morar na cidade do Vaticano, ficaríamos sob a lei canónica. Numa teocracia a lei civil e a lei religiosa se confundem. Israel era um teocracia. Os sacerdotes eram políticos. Os judeus eram cidadão e deviam obediência aos que se sentavam na cadeira de Moisés. Jesus e Paulo impunham obediência a estas autoridades, na Palestina. Outrossim, cada sinagoga era uma colónia da teocracia, em qualquer parte do império romano e podia açoitar judeus rebeldes, e o sumo sacerdote mandava “apóstolos” de Jerusalém a estas colónias subordinadas ao sacerdócio e ao sinédrio. Saulo de Tarso fora um apóstolo perseguidor, órgão desta autoridade quando foi a Damasco. Paulo ficou sempre relacionado com a sinagoga, nas cidades romanas, e, chegando em Roma preso, convocou em primeiro lugar a colónia judaica, da qual automaticamente fazia parte até que se efetuasse uma separação formal. 
Como um maometano no Brasil é obrigado a observar o domingo, embora seu “sábado” seja a sexta-feira, e como um judeu fecha sua loja no domingo, embora tenha seu culto judaico nos sábados e Pentecostes e luas novas, etc., assim o crente judeu, como judeu, na terra dos judeus obedecia fielmente à lei judeus – sábados, dízimos, festas, ritual – e como cristão obedecia aos mandamento de Cristo e ao ensino apostólico – o dia do Senhor, o primeiro dia da semana, a igreja, o batismo, a ceia, os cultos separados para o povo crentes, a obra de evangelizar o mundo e todo o dever cristão. 
Um crente, porém, nunca teria qualquer obrigação palestiniana da lei teocrática, peculiar ao povo de Israel. Desde o momento de crer, sua vida cristã nada teria de judaísmo, mas somente seus deveres cristãos. Usaria o Velho Testamento para conhecer a promessa do Messias e as lições práticas e devocionais de sua história e poesia, mas não para praticar seu cerimoniosíssimo. 
De 70 d. C. em diante, perece a teocracia e o Pentateuco já não é lei civil para pessoa alguma, quer judeu ou crente. Daí em diante ninguém observa sábado ou ritos judaicos por obediência às autoridades públicas, mas unicamente por um dos dois motivos: (I) ou ele é judeu, nascido ou prosélito, e observa o ritual religioso de sua grei; (II) ou ele é vítima de alguma enganada e enganadora seita judaizante nominalmente cristã. Volta para o terreno da velha aliança nacional de Israel, agindo como judeu (falso) para ganhar mérito (fingido) num sistema cristão (espúrio) de salvação pelas obras (mortas). A Epístola aos Gálatas é o antídoto para este veneno e deve ser dada em doses fortes aos fracos da fé para evitar a terrível moléstia judaizante. 
Uma das verdades mais elementares no estudo das Escrituras é a ideia de revelação progressiva. O que é dever num livro da Bíblia, para seus contemporâneos, passa a ser crime, em outro livro da Bíblia, para seus contemporâneos. O bíblico torna-se anti-bíblico, na marcha da revelação para novas ou mais amplas verdades, até cheguemos à perfeita revelação em Jesus Cristo e sua adequada interpretação, no Novo Testamento. 
Para os israelitas era dever matar todo o povo de Canaã, logo ao entrar na terra da Promissão. Eram idólatras, prevalecia a responsabilidade, universalmente aceita, da solidariedade da família e da tribo. Logo, a única maneira de exterminar a idolatria era exterminar os idólatras. Se o Japão, porém, ao conquistar a China, fizesse isto, ficaríamos pasmados e furiosos. E com razão. A ideia de solidariedade de família ou nação passou. Jeremias e Ezequiel anunciaram a doutrina da responsabilidade pessoal. Fizeram larga exegese e uso da nova aliança com sua forte ênfase sobre o valor da personalidade, a competência de cada alma perante Deus sob sua graça, e o individualismo no terreno da experiência da salvação. O que fora bíblico passou a anti-bíblico. 
A poligamia era bíblica nos dias de Davi e Salomão. Agora é anti-bíblica. Assim o divórcio, tão promíscuo e sem freios no judaísmo dos dias de Jesus. Assim o completo sistema levito. Paulo repudiou-o totalmente na Epístola aos Gálatas. E na aos Colossenses ele declarou que Cristo tinha “cancelado o escrito da dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o que nos era contrário, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz.” Col. 2:14, 15. Pode haver dúvida? Era dívida. Já não é. Cristo o “removeu inteiramente.” Cristo o cancelou. Não tem mais valor do que os pregos enferrujados e a madeira podre das três cruzes que se ergueram no Calvário. 
Por isto, escrevi há pouco este estudo de “Três Verdades sobre a Lei”, (“No Jornal Batista”): 
Nossa distinção moderna entre lei cerimonial e lei ética não existe na Bíblia. A própria lei de Moisés a ignora. No mesmo contexto fala, no mesmo instante, sobre o Anjo de Jeová e sobre a proibição de cozer uma cabrita no leite da cabra mãe. Os escribas já descobriram os grandes mandamentos da Lei. (Mar. 12:30-33). Quer no Velho quer no Novo Testamento, porém, não há uma separação entre a lei moral e a lei cerimonial. O Evangelho e suas Escrituras cristãs substituíram completamente a legislação mosaica, tanto moral como cerimonial. Rom. 10:4, no original, não tem verbo. “Cristo, término de lei, para todo o crente concernente a justiça. A palavra enfática é término. Cristo terminou a lei, como a morte termina a vida terrestre. No terreno da justiça perante Deus a lei já não tem função alguma. Cristo é tudo. 
I. Há, porém, uma hostilidade especial no Novo Testamento a uma parte da Lei – às suas ordenanças. “Alguns homens, descendo da Judéia, ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos. Tendo tido Paulo e Barnabé uma grande contenda e discussão com eles…” resultou a história narrada em Atos 15. À pregação de um rito com condição de ser salvo, Paulo se opôs tenazmente. A linguagem de Lucas é forte, violenta mesmo. Tudo estava em jogo. Paulo se fez revoltoso, fez parar toda a marcha de sua obra missionária, perturbar toda a paz do cristianismo mas não consentiu em semelhante ideia fatal ao Evangelho. “Contenda” é a mesma palavra usada a respeito do “motim” de Barrabás, em Marcos 15:7. Paulo fez motim para salvar o Evangelho. Outrossim, levou um incircunciso, Tito, a Jerusalém e intransigentemente obrigou a cristandade toda a reconhece-lo como plenamente cristão, sem o rito mosaico. Desafiou os judaizantes em sua própria fortaleza e conseguiu que fossem publicamente repudiados como “falso irmão”. Qualquer pessoa que realmente pense em seu coração ser necessário um rito para a salvação é “falso irmão”. Não é salvo nem sabe o abc do Evangelho. “Aos quais nem por uma hora estivemos em sujeição, para que a verdade do Evangelho permanece entre vós”, (Gál. 2:5). Os católicos e muitos protestantes caíram no mesmíssimo erro fatal de pensar que o batismo é rito regenerador ou justificador. Com todo o vigor de pulmões e cérebro, devemos fazer “motim” contra esse romanismo traiçoeiro. Um rito é tão impotente para salvar quanto é qualquer outro. 
Outra passagem em que se vê esta franca hostilidade às ordenanças da lei é Col. 2:14-23. Cristo cancelou na cruz o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, “removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz.” Dos cravos da cruz os ritos caducos, cerimónias, sábados e ouros “rudimentos do mundo”. São contas velhas, pagas, canceladas, arquivadas nos pregos do Calvário. 
Há, porém, uma mentalidade legalista que não se satisfaz com esta disposição de legislação mosaica caduca que Jesus repudiou. Tira da cruz estas dívidas que Jesus pagou e cancelou e vai procurando cobrá-las a nós. Consertam essa papelada furada. Passam as mãos sobre suas rugas e dobras, carinhosamente. Avivam com tinta forte e letra apagada e morta. Tomam o véu do templo cerimonial que as mãos divinas rasgaram e o costuram e penduram de novo no santuário do seu pensamento, e fazem da Lei a corte dos sacerdotes, para impedir a entrada franca do crente no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus. Os sabatistas fazem isto aberta e sem-cerimoniosamente, renovando dívida do sábado que Jesus cancelou e removeu. Desfazem por tal meio, impiamente, a obra de Jesus no Calvário. 
Mas disfarçado e não menos perigoso é o plano dos romanistas, e de muitos protestantes. Estes consentem, sim, que tais ordenanças estejam arquivadas ali na cruz, “canceladas” e “inteiramente” removidas. Inventam, porém, uma cerimónia equivalente e perpetuadora. O “sábado cristão” fica em lugar do sábado verdadeiro. Igreja nacional vem em substituição da Assembléia de Israel. O batismo infantil é proposto para substituto de circuncisão, a ceia em lugar da páscoa. Sacerdotes ou presbíteros das tribos de Israel terão seus sucessores em padres, ou presbíteros com funções que o Novo Testamento proíbe. A igreja local se governará segundo a norma da sinagoga. O altar e os sacrifícios antigos aparecerão de novo, resumidos na missa e nas vestimentas da casta sacerdotal romana, ortodoxa ou anglicana. E assim, de mil maneiras, obstinados inimigos da simplicidade do Evangelho, desfazem o escândalo da cruz, reabilitam o que Jesus repudiou, cosem farrapos de legalismo “cristão” (?) sobre as rupturas no velho pano de Moisés; botam o vinho novo em odres velhos e põem de novo sobre a cerviz o judo judaico, ou judaico-romanista, o qual Pedro classificou de insuportável. Outra passagem em que esta hostilidade é fraca se acha em Efés. 2:15: “Tendo abolido na sua carne a lei dos mandamentos contidos em ordenanças.” 
E para que servem as Epístolas aos Romanos e aos Gálatas em nossas Bíblias se, a despeito do seu claro ensino, ainda obstinadamente queremos ser legalistas, cerimonialistas, ou ritualistas? 
II. Lado a lado com o repúdio das ordenanças da lei, como mundanismo e carnalidade, há nas mesmas Escrituras cristãs ênfase repetida, sobre o cumprimento da moral da lei no crente. 
A passagem clássica sobre isto é Rom. 8. A lei era impotente pelo seu próprio legalismo e pela fraqueza de nossa carne, ou natureza não regenerada e anti-espiritual. Não pode realizar sua missão, vencer sua meta, alcançar seu alvo. Assim os versículos 2 e 3. 
Mas, no 4, Jesus se mostrou omnipotente e vencedor, no sentido de que “a exigência justa da Lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Deus pela transformação operada em nós pela sua graça nos transferiu para “as regiões celestes em Cristo Jesus” (Efés. 2 ) onde andamos segundo o Espírito. Sem nos gabarmos de nossa perfeição, podemos afirmar que o Espírito consegue no crente o que a Lei era impotente para conseguir no judeu, “A justa exigência da Lei” é viável pelo poder do Espírito, e somente assim. 
Notai a frase – “a justa exigência”. A Lei fez exigências que são eternamente justas: o monoteísmo, o culto em espírito sem imagens, a reverência e veracidade no falar, a honra aos pais, o respeito ao valor e à segurança da vida humana, a pureza sexual, o direito de propriedade particular adquirida com justiça, o testemunho veraz e imparcial, e a atitude mental que regista em nossa consciência os direitos do próximo, sem por sonho pensar em roubar ou cobiçar o olhei-o. Estes e outros elementos morais, no Decálogo, bem como outras doutrinas do Pentateuco, são “justas exigências da Lei” e tem o pleno apoio de Novo testamento em cada página de sua autoridade. Cristo pessoalmente renova a vários desses ensinamentos, mas exclui o mandamento do sábado, Paulo formalmente repudia o inteiro sistema sabático. Não e agora uma “justa exigência”. Ninguém pode guardá-lo senão na primitiva civilização judaica; e ali era dificílimo. E nosso cristianismo. São os homens mas santos que trabalham mais intensamente no domingo. O cristianismo não tem sábado nem sabatismo. O sábado era um dia de decanos, de vadiar em casa ou nas imediações da casa. não foi originariamente um dia semanal de culto. “O dia do Senhor” é um dia de culto e atividade cristã. Vem encher satisfatoriamente mais valores que o antigo sábado, quanto ao culto, à abstenção de labores desnecessários neste dia, à espiritualidade e meditação na igreja e no lar, e ainda as obras de necessidade, beneficência, caridade e evangelização. Não há identidade ou continuidade do sábado no “dia do Senhor”. O cristianismo preserva a semana (I Cor. 16:2) e ordena deveres no seu primeiro dia, mais repudia o sábado – sistema, dia e espírito. Só no terreno das exigências justas, as provisões da moral e santidade, é que o Evangelho renova, realiza, aumenta e completa a moral da Lei. Jesus não revogou a lei moral. Moisés dera uma revelação parcial e preparatória da lei moral, encaixada indiscriminadamente numa vasta legislação cerimonial, dietética e teocrática – visando apenas o povo de Israel. Cristo completou e universalizou a moral e separou do sistema levítico. 
III. Deveres a moral do Evangelho supera a da Lei. Estende, expande, alarga, alonga, aprofunda, aplica e espiritualiza a moral primitiva. 
Eis a razão por que a Lei toda findou em Cristo. Cristo e Paulo hostilizam, repudiam, cancelam e removem inteiramente as ordenaras da Lei. Logo esta arte não vinga no cristianismo. A outra parte, “justa exigência,” Jesus e os apóstolos cumprem, desenvolvem, alargam, alongam e aplicam. Logo nossa legislação cristã é a vontade ampla e perfeita de Cristo Jesus, revelada e interpretada pelo círculo apostólico no Novo Testamento. Há passagens em que o verbo traduzido “cumprir” significa “completar, encher”. Assim Cristo completou e edifício da moral, e encheu-o do seu Espírito todo-poderoso e removeu os andaimes cerimoniais e preparatórios. 
Quem quererá residir no andaime, podendo morar no edifício completo? Quem regredirá da enciclopédia para a cartilha? Quem voltará da sua maioridade para vestir suas caducas saias infantis? Quem, estando livre, pedirá escravidão? 
O Espírito cumpre no homem espiritual o que a Lei pode exigir, mas foi impotente para conseguir na vida humana. “O pecado não terá domínio sobre vós: visto que não estais debaixo da Lei (impotente) mas debaixo da graça” (moralmente transformadora e espiritualmente eficaz para realizar na vida e elevada moral que ensina). Rom. 6: 14. O Velho Testamento tem para nós valiosos elementos de história, profecia, devoção, exemplos, provérbios, sabedoria e filosofia. Porém, não é lei no cristianismo. (Ao citar o artigo há certa repetição que parece inevitável, e uns acréscimos necessários para esclarecer a ideia). 
Certamente, todo o leitor da Bíblia que não esteja física e espiritualmente cego há de notar que a Bíblia tem duas partes, dois Testamentos. Colher, à toa, passagens isoladas, de qualquer parte das Escrituras, indiscriminadamente, é maneira de enganar-se a si mesmo e aos outros. Jesus disse que seu ensino não seria remendos novos sobre os velhos panos rotos do judaísmo. Paulo pregou que a Lei findou e foi cravada na cruz. Quando a Epístola aos Hebreus foi escrita a questão era trágica, urgentíssima, para os judeus crentes. Já se aproximava rapidamente o dia quando ninguém podia ser judeu e cristão perante as autoridades de Jerusalém e das sinagogas. “Dizendo: nova aliança, ele tem feito antiquada a primeira; mas aquilo que se está tornando antiquado e envelhecendo, perto está de desaparecer.” Estas palavras foram escritas perto de 70 d.C. quando os cristãos unanimemente se retiraram de Jerusalém para Pela. Saíram, ficando com Jesus, “fora do acampamento, levando seu opróbrio”. Heb.13:13. Já não tinham aqui uma cidade permanente, pois Jerusalém estava para cair e com a capital caiu a teocracia, o sistema levítico, a oferta de sacrifícios sobre altares, todo o cerimonialismo mosaico. Isto, na véspera da campanha de Tito, já “estava se tornando antiquado, envelhecendo, prestes a desaparecer.” De fato, caducou. Quando João, o amado apóstolo, escreveu seu Evangelho, muitos anos depois, falou dos judeus como francamente inimigos de Jesus e seus discípulos. “Os judeus,” nos lábios de João, em 90 d. C., tem a mesma significação que tem para nós, uma religião completamente diferente da nossa, sem a menor confusão ou comunhão. Mas Paulo e Tiago foram bons judeus até ao fim de suas vidas, especialmente dentro da jurisdição territorial da teocracia. Nenhum gentio, porém, no primeiro século, jamais esteve legitimamente, sob a Lei. 
Nossa norma não é a prática de Moisés perante o Sinai, de Israel no deserto ou em Canaã, ou de Jesus na Palestina ou da primitiva igreja em Jerusalém. As Escrituras, quer no Velho Testamento, quer no Novo, que manifestam uma atitude judaica, isto é, de judeus como judeus em relação à teocracia sacerdotal e cerimonial, simplesmente não tem aplicação à nossa vida. O período de meio século de transição passou. Já a separação se fez. Voltar para o judaísmo, ainda que no mínimo, é apóstatas da fé. É irmanar-se com os insensatos Gálatas na sai loucura. 


- ESTUDOS SUPLEMENTARES - Epístola Aos Gálatas As Versões e os Problemas de Tradução


ESTUDOS SUPLEMENTARES 
As Versões e os Problemas de Tradução 
(Principalmente para exegetas e futuros tradutores) 
A religião cristã está na aurora de uma atividade literária no Brasil. Apareceram as traduções do Novo Testamento pelos Franciscanos e dr. José Basílio Pereira em 1912, na Banhia, a de D. Fr. Joaquim de Nossa Senhoria de Nazaré em 1935, em São Paulo, e a do dr. Humberto Rohden em 1936, sendo esta a primeira de autoria católica que visa reproduzir em português o sentido do texto grego. As Bíblias de Figueiredo e as Novo Testamento, de autoria católica, até 1936, tinham a fraqueza de ser traduções de uma tradução, versões da Vulgata. 
A exaltação do espírito do Apóstolo torna sua linguagem abrupta, enérgica e, às vezes, lacunar. Traduzi-la é quase um feito de alpinista que passa por saltos de um a outro penhasco. 
Em Gál. 2:6-10, por exemplo, há uma só sentença, na Versão Brasileira, que aliás segue a pontuação (?) começou declarações sem terminá-la e introduziu parênteses complicados. 
Nas versões no vernáculo até agora dadas ao lume notamos as seguintes infelicidades ou inexatidões principais: 
A VERSAO ROHDEN 
(I) Principiamos com a mais nova, a tradução do texto grego pelo ex-padre dr. Humberto Rohden. O leitor só pode aproveitar bem, lendo o comentário com o Novo Testamento Rohden na mão. 
O primeiro tradutor católico de Novo Testamento Grego sente grande liberdade em verter o original. Acrescenta e omite palavras e idéias do original. Faremos um estudo detalhado de sua versão. “Paulo, constituído apóstolo”, v. 1. O acréscimo “constituído”, limita à fase inicial da carreira apostólica o divino apoio que Paulo quis associar a tudo quanto se relacionasse com a sua experiência e ministério apostólico. “Em companhia de todos os irmãos” esconde a limitação da linguagem aos colegas de Paulo e muda a relação da frase à sentença. É acréscimo “Vos sejam dadas”, v. 3, e “se imolou”, v. 4, é uma tradução ousada do verbo deu. A preposição grega ajuda a idéia de expiação mas não permite substituir o verbo imolar em lugar de dar. 
É inexata a tradução chamou à graça. A graça envolvia os gálatas na chamada, não foi um alvo adiante deles. Chamou na graça. “Quando não há outro”, de Rohden, substitui “o que não é outro” (igual), de Paulo, e perde o valor do contraste propositado entre as duas palavras gregas “outro”. “Pregasse”, v. 8, não representa a qualidade da sentença condicional de Paulo, que é futura ou geral – “Se nós ou um anjo pregar”. Também no v. 9, erra o verbo, que é: “se alguém vos está pregando outro evangelho”, ou “costuma pregar”, não “se alguém vos anunciar”. A referência é aos fatos, à realidade na Galáxia, não a uma hipótese vaga. “Asseguro-vos”, 1:11, deve ser “Declaro-vos”, ou “vos faço conhecer”. “O Evangelho não é obra de homens”, 1:11. Homem é singular e obra não é tradução de substantivo algum no original. É um esforço para verter uma preposição com a palavra obra. No v. 12 o eu enfático é omitido; e a conjunção, parte da força do negativo e a voz e a significação do verbo são mudadas para coisa parecida, e uma frase é mudado completamente em sentença, sem violar seriamente o sentido. No v. 13 vemos a omissão da conjunção, a mudança do tempo passado para o presente e do verbo ouvistes” para “conheceis”, e o substantivo conversação ou conduta para “a vida que eu levava”. Seria difícil tomar mais liberdade com um versículo. 
O v. 14 nos da, na linguagem do ex-padre Rohden: “de idade do”. Esta monotonia é desnecessária, porque o grego tem “no”, não “do”, e dá sentido melhor dizendo “mesma idade”. O v. 15 muda a declaração “mas quando aprouve” para “aprouve então”, assim corta em duas uma longa sentença grega. 
“Carne e sangue”, trocando a conjunção e acrescentando os artigos definidos. 
O v. 17 inocentemente acrescenta ter com. O v. 19, Tiago, em grego é “o (bem conhecido) irmão do Senhor”. Não veja vantagem em diluir isto para “Tiago, irmão do Senhor”. O v. 20 omite e muda, sem alterar seriamente o sentido. O v. 22 acrescenta outro caso do emprego da palavra cristão ao seu limitadíssimo uso no N. T., e sem razão, pois Paulo expressa muito mais pela frase “as igrejas da Judéia que estavam em Cristo” do que o dr. Rohden expressa com a pálida paráfrase: “as igrejas cristãs”. Perde-se algo de linda doutrina e introduz e magnífica uma palavra que a Bíblia não salienta. 
Capítulo 2 verso 1 omite a palavra que liga esta sentença com a outra. Estas referências foram amadas pela mente lógica de Paulo e são um elemento de estilo. Não sei por que o novo tradutor insiste em omiti-las tantas vezes. Que diminuísse o número, quando há várias na mesma sentença grega e difíceis de tradução exata, ao bem do estilo em português, vá lá. Mas a omissão de elos do pensamento é incompreensível. 
O V. 2. O espírito tendencioso aparece pela primeira vez na versão quando se traduz “mormente aos que gozavam de autoridade”. O título dado pelo tradutor ao parágrafo é: “Aprovação do evangelho paulino pelos apóstolos”. Nem diz: pelos outros apóstolos. Sem dúvida o ilustre tradutor sabe que Paulo nem disse isto nem o teria dito neste contexto por consideração alguma. Aqui se faz grave injustiça a Paulo. Ele não foi “mormente”, mas “particularmente”, “à parte aos que pareciam”, que pode ser traduzido “aos que eram de nomeada”, mas dificilmente pode ser torcido a significar “mormente aos que gozavam de autoridade”. Para conseguir ler isto numa epístola tão contrária às pretensões papalinas, o ilustre romanista introduziu-o na tradução sem que existisse no texto original. O v. 2. A representação de que o apóstolo temia haver “andado à toa” é um tanto frívola e não é fiel ao grego. 
O v. 4 muda completamente a construção para dar com facilidade a idéia, plano viável em passos complicados, usado, porém, demais pelo padre Rohden. 
O v. 5 muda a construção, traduz hora por momento e “a verdade do Evangelho” fica “a pureza do Evangelho”. Não haverá propósito nesse plano? O interprete católico vai insistir em que não havia ponto de doutrina na questão sobre uma fase da qual Paulo chegou mais tarde a repreender a Pedro. Logo, omitamos bem no princípio a palavra “verdade” e introduzamos “pureza”, para justificar a asserção que se irá fazer, de que o erro de Pedro estava no terreno de disciplina e não de doutrina, de “pureza” do Evangelho e não da verdade fundamental. Qual a razão para não seguir ao grego, como, aliás, o próprio padre o verteu fielmente, dizendo para o seu louvor, em outro trecho adiante? 
De novo vemos introduzida a idéia de “autoridade” dos três sobre Paulo, precisamente o que a epístola nega, e o que motivou sua produção. E onde Paulo diz que os três não lhe acrescentavam nada, o advogado zeloso de Roma acrescenta de soslaio uma palavra traiçoeira contra Paulo. Sua versão é: “Os que tinham autoridade a nada mais me obrigaram”, como se já o tivessem obrigado a alguma coisa mas não acrescentaram outra imposição autoritária. A frase é dúbia quando deve se clara, pois trata-se da essência da epístola. É má obra traduzir tendenciosamente, com sentido ambíguo, possível de contradizer a evidente idéia do autor inspirado. O v. 7 tem o mesmo descuido, a mesma prontidão de dar uma idéia qualquer parecida com a do original. O verbo confiava está num tempo errado e o que é declarado ser confiado é o evangelho, não “a evangelização”, e o mesmo evangelho confiado a Paulo por ser herança da incircuncisão, o mudo gentio, e a Pedro como possesão do mundo judaico. É inteiro descuido traduzir “a Pedro tocavam os circuncisos”. 
No v. 9 o grego é mais forte que “deram-nos as mãos fraternalmente”. Foi a mão direita, em solene pacto de sociedade numa tarefa comum. De novo vemos o tradutor, pelo título do parágrafo, impor idéia radicalmente contrária ao que o apóstolo escreveu. Que audácia foi dar o título: “Autorização por parte de Pedro”, a um passo cujas primeiras palavras são: “Tendo Cefas chegado a Antioquia, repreendi-o publicamente porque era culpado!” Bela autorização! Ser culpado e repreendido é dar autorização a quem o repreendeu, hein? Isto é escravidão eclesiástica, diante das arbitrariedades da Comissão Bíblica do Vaticano que obriga o tradutor católico a dizer diametralmente o contrário do que significa a linguagem empregada na epístola. O que lemos é, na realidade, a desautorização formal e pública de Pedro por Paulo, no tocante à sua incoerência, de pendor anti-evangélico, em Antioquia. 
Verso 12. É tolice falar de Pedro “comer com os pagãos”. Isto não foi a questão. Os crentes gentios, batizados e dentro da igreja, certamente não eram pagãos! 
“Os da circuncidados”, no original, significa mais do que “os da circuncidados” na tradução, pois indica serem partidários da posição judaizante, do judaísmo fabricante de prosélitos. 
Verso 13. O tradutor verte com inteira independência do original. Oxalá mostrasse tanta independência dos eclesiásticos quanto demonstra em relação à Palavra de Deus! Como pode o autor ler as palavras de Paulo: “Se procurasse agradar aos homens, não seria servo de Cristo”, sem as faces lhe arderem? A verdade é menos pungente, tratando-se de agradar a uns clérigos do vaticano em plena deslealdade contra a Palavra de Deus? 
No v. 14 o tradutor substitui Pedro onde devia escrever Cefas. Qual a razão? Verso 15. O tradutor abandona as aspas do discurso proferido a Pedro e faz Paulo dizer a uma porção de leitores gentios: “Nós somos judeus…” Pode haver uma coisa mais improvável? Ele faz isto para salvar os ouvidos de Pedro – ou dos católicos na sua indevida exaltação de Pedro – de escutar palavras duras, porém necessárias, rompe a continuação natural da cita e abre novo parágrafo para matar a impressão deixada pela linguagem veraz do apóstolo aos gentios. Vejam-se as notas. No verso 16 ele despreza o significado do artigo grego. Ninguém é justificado por obras de espécie alguma, obras de nenhuma lei, seja qual for – lei levítica, lei canônica, lei cerimonial, tradições dos homens quer do sinédrio judaico, quer dos concílios eclesiásticos da Igreja Católica. Todo o regime de lei é afastado do caminho de salvação. O grego indica isto, mas o padre não é fiel ao que devia traduzir. No verso 17 a pergunta retórica de Paulo toma forma errada na tradução, pois a partícula grega impõe, na própria pergunta, uma forma de linguagem que indique, antes de declarar a resposta, que esta havia de ser negativa. Questão de estilo, mas o estilo de Paulo revela imediatamente seu horror ao pensamento considerado, e o estilo do tradutor o esconde. No verso 18 Paulo é bem definido, usando um pronome demonstrativo, na sentença que o dr. Rohden verte como adágio. E “prevaricador” é fraco. Transgressor é o que Paulo disse, e é que Pedro se tornou. No verso 19 se despreza uma conjunção, a ausência do artigo grego e o tempo grego do último verbo. 
No verso 19 não é exato dizer: “Com Cristo estou cravado na cruz.” Cristo não está cravado em nenhuma cruz. Paulo disse: “Tenho sido crucificado com Cristo.” Não é nenhum ascetismo perpétuo. Foi um ato histórico, no passado, com que Paulo se identificou, e os efeitos permanecem na atualidade. Este é o sentido do perfeito, e não se expressa por um simples presente, senão em raros casos de frases idiomáticas. Verso 21. Por que o tradutor não usou aqui imolou? Não se acha no original, é verdade, nem se deve usar na tradução, mas o verbo aqui é mais forte do que aquele de 1:4 que ele traduziu: imolou. Verso 21. “Não falo em desabono da graça”, é fraco. A falta indiretamente a Pedro foi a de anular, frustrar, encostar, rejeitar, em efeito, a graça de Deus na hipocrisia praticada em Antioquia. A tradução do padre Rohden dilui a ofensa e a afasta de Pedro, escondendo a idéia que Paulo tornou claríssima e enfática. Também, pelo uso indevido do artigo, torna definida e limitada a lei de Moisés a referência apostólica, quando não tem artigo a palavra “lei” e a doutrina se aplica a todo o legalismo, seja qual for a lei. Capítulo 3:1. É inexato traduzir por “quando” um pronome relativo que significa “aos quais”. Os gálatas não ficaram fascinados pelo erro quando Cristo foi “pintado aos olhos” crucificado, mas sim muito mais tarde quando o movimento judaizante ia entrando nas igrejas. No verso 2 é introduzido o romanismo pela tradução: “Recebeste o Espírito… pela submissão à fé?” A idéia romanista é que a fé consiste em opiniões – idéias doutrinárias que estejam em submissão cega aos dogmas proclamados pelos concílios eclesiásticos. O padre tradutor aqui reduz a atitude salvadora à submissão à fé, frase ambígua que, para seus fiéis, se presta para apoiar o sistema romanista de salvação pelas obras, sacramentos, penitência, etc. ora, é precisamente esta idéia que Paulo quis repudiar, e a tradução tendenciosa impõe sobre sua própria linguagem um conceito que lhe era abominável. Paulo Poe em contraste obras (quaisquer) de lei, (seja qual for), - como meio de obter o Espírito da graça –, e um ouvir de fé. O Espírito foi recebido pelos gálatas ao ouvirem o Evangelho e ao crerem no Salvador Jesus. Assim foi quando foi salvo Cornélio, o primeiro converso gentio. “Enquanto Pedro falava, veio o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.” E o Espírito sempre vem assim, no momento de ser aceita a palavra sobre Cristo, em atitude de fé salvadora. Certamente, ouvir pode significar obedecer, em certos contextos. Mas é para combater a idéia de justificação pela obediência que foram escritas a Epístola aos Gálatas e as demais desta controvérsia, especialmente a aos Romanos. É traiçoeiro, pois, introduzir na tradução precisamente a idéia que Paulo combatia no original. 
Paulo não está inventando uma lei canônica, ou de credos fortificados com anátemas, decálogo de dogmas eclesiásticos, uma submissão cega a um crença imposta pelo clero. Esta afastando precisamente tudo isto. É no momento de atenção ao Evangelho de Cristo, quando nasce a fé, unindo-se com o ouvir, Heb. 4:2; que então o Espírito divino é dado ao homem crente, na regeneração, na justificação, e na santificação, João 1:12, 13; Rom. 3:28; Atos 26:18. O preclaro vigário de Petrópolis conseguiu obscurecer tudo isto na sua versão através deste parágrafo inteiro. É erro de soberba humana escrever “espírito” com minúsculo. A salvação não começa pela iniciativa do espírito humano mas sim pelo Espírito de Deus. Discutimos isto adiante onde a mesma afensa é freqüente. 
A declaração: “Justamente como Abraão creu a Deus e foi-lhe imputado por justiça”, v. 6, é adicionado, no mesmo parágrafo, no original, a fim estabelecer uma analogia entre nós, que recebemos o Espírito pelo ouvir da fé, e Abraão, que recebeu a justiça pelo ouvir da fé. Deus falou, Abraão ouvir e creu e isto lhe foi imputado por justiça. Mas a palavra de analogia: justamente como”, o padre traduz: “É o caso de Abraão.” Então ele tira a sentença do seu parágrafo onde está o zênite da argumentação e a transfere para o parágrafo seguinte. Um tradutor tem assim muitos recursos para impor sua idéia, ou matar a idéia bíblica, por uma tradução tendenciosa e um arranjo de pontuação e parágrafos que resulte na confusão daquilo no original é bem claro. 
No verso 10 os dois verbos do original são verbo grego ser, mas a tradução Rohden os verte se guiam e estão sujeitos. Não é ruim, mas toma sempre liberdade, e estas liberdades presunçosas, às vezes, se tornam ruins. A citação é engenhosamente encurtada, também. No verso 11 vemos um esforço de dar ao tempo futuro o valor de um aoristo incoativo: “O justo alcança a vida pela fé.” Mas a Escritura considera a vida inteira do justo, não apenas alcançada pela fé, mas vivida pela fé desde o princípio ao fim, como toda a história do cap. 11 da Epístola aos Hebreus mostra – alcançaram pela fé sua vida e pela fé operaram suas proezas que os tornaram eminentes entre o povo de Deus e pela fé morreram. Se o padre soubesse usar este aoristo incoativo em outros verbos onde cabe, seria bom; não, porém, neste verbo de um tempo futuro linear. O ponto aqui é precisamente sobre a coerência de começar pela fé e continuar pela fé, não mudar da fé inicial para um regime de obras a fim de gozar o Espírito. A mesma falta volta na tradução: “Quem observar estes preceitos alcançará por eles a vida”. Verso 12. Não é só começo mais sim a continuação, pela vida inteira, que depende de observar mandamentos, num regime legalista. O v. 13 omite “todo” e enfraquece o verbo remiu, para “livrou”. Não é grande coisa, mas o acúmulo destas pequenas faltas é como uma fenda numa represa. Acaba num desastre. O verso 14 remove a idéia de propósito em nossa maldição assumida por Cristo. Foi “para que recebêssemos pela fé o Espírito prometido”. A cláusula final desaparece na tradução, e em sue lugar lemos, em outro parágrafo a seguir: “Assim é que”. E há outras modificações arbitrárias na estrutura da sentença. Esta vez é claro que o Espírito é recebido pela fé. Por que não remover a confusão no parágrafo anterior? O verso 15 introduz uma concepção perturbadora: “Ninguém declara nula nem acrescenta clausula ao testamento duma pessoa exarado na forma de lei.” Não há palavra que possa sugerir lei. O Evangelho não é outra lei, e digamos a verdade enfaticamente. A referência é à aliança da graça. E esta não é testamento, pois Deus não morreu; logo é um contrato entre o Deus vivo e a semente de Abraão. É um contrato cuja natureza é a de uma promessa, unilateral; e seria a perda de todo o sentido deixá-la degenerar em outra “lei”. Aí mesmo é o caminho da degenerescência do romanismo. Mesmo que a palavra “lei” entre casualmente na tradução, como cremos, é uma infelicidade aqui. O verso 22 diz: “Para que a promessa fosse dada aos crentes, proveniente de sua fé em Jesus Cristo”, mas a sentença ficou arbitrariamente invertida, na tradução: “para que os crentes participassem da promessa mediante a fé em Jesus Cristo”. Há esta mania de mudar, em toda a versão que estamos examinando. O verso 23 reza: “estávamos obrigados a guardar a lei porque a fé ainda estava por ser revelada”. Devia ser: “estávamos conservados debaixo da guarda da lei; encerrados para fé vindoura, prestes a ser revelada.” A figura é da lei como escravo, guardando o menor, para seu destino maduro, a fé sendo a próxima maioridade. A época histórica da lei, concebida como pedagogo, guardando e levando os judeus para o Evangelho, é uma idéia bem diferente da tradução: “estávamos obrigados a guardar a lei.” A lei é a guarda, no velho regime, o escravo-tutor. Passou esta fase de revelação parentética, “vindo a fé”, isto é, o regime de fé, a era de revelação parentética, “vindo a fé”, isto é, o regime de fé, a era de revelação cuja nota saliente é a fé – o cristianismo puro. 
Não se há esconderijo propositado na tradução do verso 26. “Graças à fé em Jesus Cristo, todos vós sois filhos de Deus. Sim, todos os que fostes batizados em Cristo vos revestistes do Cristo.” O que o padre entende por isto é claro, pois na mesma página, numa de suas notas, diz: “é o batismo que nos faz todos iguais, filhos de mesmo Deus.” Isto é paganismo sacramentário, puro paganismo batizado (?). O que Paulo declara categoricamente é: “Todos vós sois filhos de Deus mediante a fé”. “A inversão das partes da sentença principiando com graças à fé”. Como dizem tantos e tão frivolamente, “graças a Deus…”, desorienta o leitor. Não se pode esconder a idéia da preposição usada pelo apostolo. Significa que a fé, não o batismo, é o meio da regeneração. A criança somente se reveste depois de nascer: o batismo vem depois da regeneração, quando o batizando confessa a Cristo e professa a sua fé, sempre a condição imprescindível de ser batizado. A versão do padre engenhosamente escondeu o meio da regeneração, que, nas notas, seria pagamento atribuída ao ato físico de um batismo infantil inconsciente. Subterfúgio indigno, visando esconder a verdade evangélica pela superstição sacramentalista do batismo infantil. 
O último versículo do capítulo omite, na tradução, o enfático vocábulo VÓS. Vós, (os crentes gentios da Galáxia), se sois de Cristo, então de Abraão sois somente, herdeiros segundo a norma da promessa, e não: “E, se sois de Cristo, como descendentes de Abraão, também sois herdeiros segundo a promessa”, linguagem que confunde totalmente a idéia da sentença, pois poderia referir-se aos judeus. Mas o vós enfático indica os gentios gálatas. 
Capítulo 4. Os verbos no verso 9 passam a tempos e modos que não representam o original. 
O tradutor faz do v. 10 uma pergunta: “que ligueis importância a dias, meses, festividades e anos?” Nenhum bom texto grego adota esta pontuação. Foi feito para enfraquecer o claro pensamento de Paulo de que é perda de tempo um cristianismo ritualista? 
Verso 12. O ponto da exortação apostólica é o tempo do verbo, presente linear. “Continuai a estar como eu,” ou “Sempre me imitai (nas coisas fundamentais), pois eu sempre estou como vós”, ou “sempre vos acompanho (nas coisas secundárias): suplico-vos”. A versão Rohden não satisfaz – “Rogo-vos, meus irmãos, que vos torneis iguais a mim; pois que eu também me torno igual a vós.” 
O v. 13 erra em omitir a conjunção, no arranjo frouxo da sentença e ao traduzir a frase grega, a primeira vez: “da primeira vez” e ao terminar a sentença com estas palavras: “e que grande provação vos exigiu o meu estado físico”. No original não existem as palavras “que”, “grande”, “exigiu” – uma paráfrase inepta, não uma tradução. Ora, o v. 14, no grego, principia com esta frase “a tentação” (provação), objeto direto dos verbos do mesmo versículo. O dr. Rohden isolou o objeto e inventou um verbo e rematou a sentença. Então, em lugar do objeto real, inventa dois objetos diretos dos verbos da sentença arbitrariamente introduzida. É inépcia, ou foi sono que se apoderou do tradutor e de seus revisores, todos, nesta altura? O v. 14 também traduz a palavra anjo: “mensageiro”. Às vezes significa “mensageiro”, mas não aqui. O v. 15 inverte a relação do verbo principal e o particípio, dando contudo a idéia louvávelmente. O v. 16 tem um tempo perfeito grego, difícil de traduzir idiomaticamente. O padre não teve êxito. O v. 17 na primeira parte tem um acréscimo, como que tirando do ar a referência ou o sujeito escondido do verbo, de modo a dar a idéia e esclarecer a quem ela se aplicava. Tais surtos de gênio se revelam frequentemente neste tradutor, sendo viva e correta a impressão deixada, se bem que não seja tradução em sentido algum. 
O v. 19 rudemente quebra em duas uma sentença que o grego tem doce harmonia e unidade. O v. 21 acrescenta, por hábito, um verbo supérfluo. No v. 23 o verbo no tempo perfeito dá a idéia de que a distinção entre o nascimento de Ismael e o de Isaque se fez e permanece até agora. É o ponto da alegoria. Mas é dificílimo transmiti-lo sem uma paráfrase e o gênio do dr. Rohden não logrou êxito simplesmente com “nascera”. Também a promessa é concebida como meio da geração sobrenatural, idéia igualmente essencial à alegoria, mas ausente da versão Rohden. 
No v. 24, não há razão para dizer: “os dois testamentos”. São “duas alianças”, e visto que há diversas alianças na história bíblica, é inexato, e contrário ao grego (que está sem artigo), verter “os dois”. Inverteu-se a construção da sentença. Conservando-se a palavra “aliança”, é feminina, como Agar, e naturalmente se traduzira; “dá a luz filhos”. Mas o padre-mestre tradutor verte “testamento” o usa o verbo “gera”, como de um pai. As alianças evangélicas e legalista são “mães” de seus adeptos, idéias desagradável ao clero, que ambiciona constituir seu eclesiasticismo como a mãe – “a santa madre igreja”! É uma das invencionices de Roma. 
No v. 27 o contraste dos tempos é propositadamente forte, mas se perde na tradução. O artigo é omitido sem razão antes de “marido”. A aliança espiritual, a Jerusalém celeste, tem “o mando”, com quem a Jerusalém carnal se considerava casada e a única esposa. No v. 28, o dr. Rohden tem “nós”, onde o texto Nestlé (mas não o de Westcott e Hort) tem vós. Este é mais claro, pois se aplica exclusivamente aos gálatas crentes, enquanto “nós” poderia ser ambígua referência a Paulo e os judeus. Preposição usada com Isaque ergue uma norma ou padrão. E é segundo a norma de Isaque, a norma de um nascimento sobrenatural por meio da promessa, que somos os filhos da promessa. “promessa” é enfática, no original, mas não há nenhum esforço para mostrar estas coisas, na tradução. 
O v. 29 é bem defeituoso ao falar de “nascer do espírito”. O texto Nestlé tem até maiúscula no grego – nascemos “do Espírito.” O v. 31 tem o artigo definido a respeito da aliança que é a nossa mãe, mas omite o artigo no contraste. Não é de mulher escrava – de aliança legalista alguma – que nós somos filhos. O padre Rohden verteu o substantivo sem o artigo da mesma maneira que o definido. 
CAPÍTULO 5. Em 5:1, “levou” é fraco e inexato, e “para liberdade” é bem enfática no grego, mas desaparece na tradução que estudamos. O v. 3 transtorna a estrutura da sentença, que é mais clara no original do que na tradução. “A lei inteira”, diz o original. 
O v. 4 é uma declaração geral sobre a classe judaizante e suas vítimas. “aqueles entre vós que estão no processo de se justificar no terreno de lei”, ou “Quantos de vós estão vos justificando na esfera de lei”, “ficaram desligados de Cristo, decaíram da graça.” A versão Rohden transforma a sentença em condição, acrescenta artigo à palavra lei, acrescenta a idéia incoativa ao presente linear, verte um tempo passado como presente, e deu significado perder ao verbo decair. Haverá propósito dogmático nesta tradução? A versão de D. Fr. Joaquim é muito melhor: “Estais já separados de Cristo, os que vos justificais pela lei: decaístes da graça.” 
O v. 5 é apenas uma declaração do tradutor, não traduz a sentença de Paulo. O apóstolo afirmou: “Porque nós (enfático) pelo Espírito estamos avidamente aguardando uma esperança de justiça procedendo de fé”, ou “a justiça anelada”. Esta declaração tão viva, superlativa, calorosa fica traduzida friamente: “pois é pelo espírito e em virtude da fé que aguardamos a desejada justificação”. Por esta manobra, o advogado de dogmas romanistas (1) adia a justificação para o futuro – depois das chamas do purgatório, talvez –; (2) perde de vista o Espírito e deixa a luta se travar no impotente espírito humano; (3) ignora o contraste forte do “nós” enfático – nós, Paulo e os verdadeiros crentes, versus os “falsos irmãos” que estão na senda de justificação por obras legalistas, (4) dizendo “a fé” talvez pense em dogmas, (5) outrossim, esconde o real propósito de Paulo que é a justiça de Deus em todos os seus aspectos judiciais e práticos. Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.” Paulo manifesta esta fome e sede aqui, não da experiência passada de justificação mas da realização do alvo justo na vida. Pelo Espírito, e procedendo da fonte de fé, é que o crente realiza a promessa de Jesus e se torna progressivamente justo. Meu Dicionário grego define esta palavra: “retidão, justiça, integridade, ‘vida correta em pensar, sentir e agir’ (Thayer)”. O crente foi justificado quando creu, e como cavalo cujo pescoço fica estendido na carreira em direção à meta, “Nós (evangélicos) àvidamente aguardamos o fruto do Espírito, o rio caudaloso que mana da nascente de fé, no sentido de uma vida justa.” O romanismo impossibilita o tradutor de ver isto ou de querer transmitir a idéia apostólica aos leitores. É mania do autor rebaixar para a esfera do espírito humano o que Paulo atribui ao Espírito de Deus. Não há desculpa. O próprio texto Nestlé usa maiúscula no grego. 
O v. 6 fala de “a fé que opera pela caridade”. O primeiro fruto do Espírito é muito mais do que a pálida virtude de caridade, tão degenerada no pensamento católico-espírita hoje em dia. 
O v. 10 perde o forte “eu”, na tradução. A despeito da tendência do fermento para alastra-se, EU, Paulo, me oponho a essa tendência e serenamente deposito e confirmo minha confiança com referência a vós, em união com Cristo, que não tereis como hábito de pensamento ‘nada outro’, nada diferente – “nada além”. Quão inadequada a mera declaração: “Confio que nunca mais mudeis de sentimento.” Mas quem é que não muda? Haviam de se petrificar? Não é certo traduzir: “aquele que vos perturbou será castigado”; mas sim “aquele que vos está perturbando (pres. Linear), carregará com sua condenação” ou “seu juízo”. O v. 11 muda a idéia da sentença condicional, perde o eu enfático, e pergunta: “ainda me veria perseguido?” quando o que Paulo realmente perguntou é: “por que ainda estou sendo perseguido?” Tradução e original bem diferentes. O v. 12 “Oxalá se exterminassem de vez” é inexato. Vede o Texto. 
O v. 13 acrescenta “meus” e omite o “vós” enfático de Paulo. “Não considereis a liberdade como carta branca para os prazeres carnais” é um dos surtos de gênio do padre Rohden que tornam sua tradução um deleite em certos trechos, a despeito de seus graves erros, em outros. Todavia, não são “prazeres carnais” que se contemplam aqui, mas uma religião carnal, o cerimonialismo, o partidarismo, a superstição, como se vê nas obras da carne mencionadas a seguir. A carnal idade impera em muitos terrenos além de prazeres. 
O v. 14 perde a força do tempo, também. “Servi continuamente uns aos outros por meio do amor” – não “caridade (espiritual)”. O v. 14. “A lei inteira” diz o grego, “conserva-se realizada, na sentença: Amarás…” Se o clero consente traduzir o mandamento: “amarás” por que não traduz também o que se mandou: amor?Mandando amar, Deus não exigiu o amor? Para que esconder sua vontade? Não podemos ceder à catnalidade a palavra que encerra a essência da moral. Toda a lei não se conserva realizada numa fraca e pálida caridade católica ou espírita – Deis exige nosso amor, em toda a sua intensidade para si, para nosso próximo, para sua vontade, e é traição à revelação divina assumir uma atitude de falsa modéstia, fictício pudor clerical, e repudiar a maior palavra ética do vocabulário bíblico. Se existe na palavra amor qualquer sugestão carnal, é devido ao clero celibatário e suas vítimas, indevidamente orientadas para reservar seu amor para a carne e dar a Deus apenas uma fria “caridade”. É indispensável redimir nossa geração e suas Bíblias desse nervosismo clerical que nas suas versões manda amar, sem admitir o amor a Deus e ao próximo. 
O v. 15 tem no original forte contraste de tempos: “Continuando a morder e devorar – eis que de vez fostes mutuamente aniquilados!” 
O v. 16 de novo recua do poder do Espírito divino para a impotência do espírito humano. A palavra espírito se encontra nesta epístola 18 vezes, e a referência é ao Espírito de Cristo 16 vezes. Mas o padre Rohden é de um sistema legalista que enaltece o espírito humano como capaz de boas obras e até de mérito superior. Logo ele desonra a terceira pessoa da Trindade, a cada passo tirando-lhe seus atributos e os doando ao espírito humano. No testo grego Nestlé, que ele declara traduzir, há maiúsculas em todas estas passagens. A mudança para letra minúscula é tendenciosa, dogmática, sectária, mas se verifica na versão Rohden em 3:3; 4:29; 5:5, 16, 17, 18, 22 25; 6:8. Será a mão negra italiana de tal Comissão Bíblica? É um prejuízo à moral, à verdade e à espiritualidade eliminar assim nove vezes o Espírito de Deus de sua devida graça, soberania e operosidade na vida cristã, entronizando o espírito humano no lugar usurpado. Paulo, com forte ênfase, disse: “Eu, porém, (em contraste com essa “carta branca” dada à carne) afirmo: No Espírito é que deveis perpetuamente dirigir a vossa vida (pres. linear) e absolutamente não (fortíssimo negativo) consumareis o ardente desejo da carne.” Grande promessa e sublime segredo de poder moral, obscurecido pela incredulidade de tradutores céticos clericais! No v. 17 – “A carne (os restos de nossa natureza não regenerada e santificada) luta contra o Espírito” – não contra o espírito, padre enganado! O espírito humano em suas fraquezas faz parte da “carne”, no sentido paulino do vocábulo, pois lemos da “mente da carne”, Rom. 8:7. Col. 2:18; e da “vontade da carne”, João 1:13. Logo “a carne”, nesta figura apostólica, não é mera matéria. Tendo “vontade”, “mente”, e “intenso desejo”, tem os atributos do espírito humano, indevidamente depravados por nosso estado decaído. A carne é “o jovem Melancthon que era fraco demais” para enfrentar, sem o Espírito, “o que era fraco demais” para enfrentar, sem o Espírito, “o velho Adão”. O v. 17 adiciona, na versão Rohden, “tudo” ao texto. Paulo disse que esta luta interna tinha da parte dos combatentes o propósito para que “não possais praticar continuamente (pres. linear) estas coisas que viveis anelando (pres. linear)”. Aniquilam-se mutuamente na vida dividida entre os impulsos da carne e do Espírito. Ficou isso friamente reduzido à admissão hesitante: “De maneira que não podeis fazer tudo quanto quereríeis”. O v. 18 diz na Versão Rohden: “Se vos guiardes pelo espírito, já não estais sujeitos à lei.” Mas por que não? Uma lei – seja qual for – só fala à parte material, física, de nossa personalidade? Não fala diretamente ao espírito humano? O que Paulo afirmou foi que a direção eficaz do Espírito veio substituir e rematar caducos regimes de lei como diretora da vida humana. A palavra deve ser Espírito, não espírito, e lei não deve ter artigo. 
O v. 19 omite no texto principal uma das obras da carne e cita no texto alternativo da Vulgata mais uma do que Paulo menciona. O apóstolo enumera quinze. O padre Rohden dá quatorze ou dezesseis (Duas em parênteses). A tradução poderia ser melhor. No v. 21 Paulo não diz apenas “repito”, aliás não diz isto de forma alguma. Sua declaração foi: “Digo de antemão o que já vos preveni.” É essencial à idéia paulina o sentido linear do tempo presente do verbo: “Os que continuamente cometem, vivem cometendo, tais coisas, não herdarão o reino de Deus.” 
No v. 22 Paulo enumera nove frutos do Espírito; o padre, porém, menciona doze (nos parênteses que revelam o texto da Vulgata) e traduz “caridade” em lugar de “amor”, alegria em lugar de gozo, paciência em lugar de longanimidade, fé em lugar de fidelidade, e continência em lugar da mais ampla graça de temperança ou domínio próprio. 
Verso 23. “Contra as tais coisas”, não “contra estas”, não há lei. Ou talvez seja “contra os tais”, os que têm este fruto na vida. 
No verso 24, em lugar de “Os que são de Cristo crucificaram a sua carne com as paixões e concupiscências” seria mais exato e claro traduzir: “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões, etc.” 
O V. 25 de novo deposita no “espírito” toda a confiança que Paulo vota ao Espírito. Cegueira que pasma! Também, não é que “recebemos a vida”, mas “vivemos” (linearmente) – todo o curso da vida cristã é no espírito. 
No v. 26 Paulo diz: “Não nos tornemos (continuamente) vangloriosos, (constantemente) provocando e invejando uns aos outros.” Ficou apenas: “não cobicemos a glória vã”, seguido por verbos independentes. 
CAPÍTOLO 6:1. “Meus irmãos”. Não é uma sentença. Omite-se o advérbio significativo: “mesmo se um homem for surpreendido num delito”. Corta a sentença no meio, enfraquecendo a idéia, por respeitar o tempo presente linear do verbo “atendendo” ou “considerando.” “Suportai as fraquezas uns dos outros” é uma fraqueza! Paulo mandou muito mais, no v. 2: Perdeu-se na tradução quase tudo da exortação apostólica. O v. 3 não tem forma de cláusula relativa. V. 4. Obra, no original, é singular e convém ficar no singular. É a complexa obra da vida, não minúcias da prática, que deve ser meditada aqui – a tradução do resto de ordem o pessimismo mostrado no v. 5: “cada um tem fardo bastante com as suas próprias misérias.” Não há vislumbre desta idéia no grego. 
Paulo não manda “repartir de todos os seus bens” – boa cobiça clerical para aumentar o patrimônio da santa madre igreja, v. 6. Mandou que o ensinado constantemente faça sócio, co-participante consigo, o seu pastor e mestre, em todas as coisas boas. V. 8. De novo, o espírito expulsa o Espírito de seu devido lugar na vida cristã. Ninguém colhe a vida eterna, de seu próprio espírito Heresia fundamental e fatal aí, padre-mestre! 
O v. 9 despreza os verbos do original. 
O v. 10 tem 17 palavras no original e apenas 10 na tradução. O eminente vigário-literato cansou tão perto do fim da jornada? Omitiu quase a metade da sentença, mas achou ensejo de acrescentar ao original mutilado a palavra “irmãos”, em lugar de “domésticos” da fé. 
O v. 11, outra vez, mostra o padre em seu estilo melhor. No v. 14 o dr. Rohden traduz: “por quem o mundo está crucificado para mim, etc.” Pode ser. As versões católicas em todas as línguas seguem a Vulgata e traduzem assim. Os evangélicos variam entre “por quem” e “pela qual”. Vede as notas. 
Verso 15. “Nada vale o incircunciso”, é sentimento alheio ao pensamento de Paulo. Vale muito, embora sua negativa incircuncisão e partidária oposição ao rito são tão fúteis para alcançar mérito, quanto é o próprio rito combatido. 
O v. 16, “Israel”, por favor, não “israelitas”. 
Em resumo, a versão do dr. Rohden dá esta impressão: que o autor estudou a epístola no grego, assimilou a idéia geral da sentença a ser vertida, então traduziu a idéia na sua mente, sem cuidadosa fidelidade ao original, caindo naturalmente sua versão, muitas vezes, na linguagem familiar da Vulgata, e, às vezes, sendo desnaturalmente forçada nos limites estreitos e dogmáticos das exigências da Comissão Bíblica da Cúria Romana. Ele não tem liberdade de corrigir tais erros coletivos, impostos que autoridade do grupo oficial de sua grei. Muitos dos descuidos manifestados, porém, poderiam desaparecer em futuras edições e esperamos que assim seja, pois é motivo de grande alegria ver o clero brasileiro virando-se com seriedade e cultura para a Palavra de Deus. 
O Novo Testamento de D. Fr. Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, revisto pelos padres da Pia Sociedade de S. Paulo e publicado em São Paulo, apenas tem 49 dos 161 erros apontados acima na Versão Rohden. Destes esmos 161 erros enumerados, a Versão Figueiredo tem 45; a Versão Franciscana 53; a Versão Almeida 42; e a Versão Brasileira, 22. 
A Versão Figueiredo, que circula entre os evangélicos, porém, já não é genuína. Numa comparação entre a Bíblia Figueiredo, com publicada pelas Sociedades Bíblicas e a Versão Católica da mesma tradução, publicada em 1864 com aprovação do Arcebispo da Bahia, noto diferenças fundamentais e que acho repreensíveis. Nós temos versões evangélicas e não temos, absolutamente, direito de ir lentamente modificando a versão católica do Padre Figueiredo, usando-a depois para iludir aos católicos, sob o pretexto de que lhes estamos oferecendo uma Bíblia católica. Este processo não é ético, subtrair o que não nos agrada numa obra clássica católica, e afirmar que é Bíblia católica autêntica. É para seguir este hábito pouco sincero que muitas pessoas ainda se prejudicam, usando a péssima versão do Padre Figueiredo, uma versão que trouxe inúmeros males sobre os evangélicos no Brasil e da qual é tempo de libertar-nos. Já nos trouxe o prejuízo de tornar nosso primeiro dicionário bíblico uma monstruosidade ortográfica. O uso de semelhantes versões é deslealdade à Palavra de Deus e sua distribuição em forma truncada e mutilada; é bem perto da mesma hipocrisia que Pedro praticou em Antioquia – dissimulação para agradar os preconceitos da maioria. Somente na pequenina Epístola aos Gálatas, 6 das 1248 páginas da obra, contei as seguintes mudanças: 21 mudanças de palavras, omissão de duas palavras e de todas as análises de capítulos, o acréscimo de uma palavra, e 161 mudanças de ortografia e pontuação. O ponto mais notável, de séria mudança de idéia, é que o Padre Figueiredo em Gál. 3:3; 4:29; 5:5, 16, 17 (duas vezes), 18, 22, 25 (duas vezes) e 6:8 (duas vezes) atribuiu ao “espírito” do homem o que os seus editores evangélicos mudam arbitrariamente e atribuem ao Espírito de Deus. Evangelizam assim, fundamentalmente, a teologia do notável sacerdote de Roma. Se o padre Figueiredo ainda estivesse vivo e pudéssemos persuadi-lo a repudiar essa demasiada confiança no ‘espírito’ humano e transferir tamanha fé, do homem para o Espírito de Deus, seria louvável. Mas representar um padre como crendo o que não acreditava é uma trica abominável. Circular uma versão mutilada a fim de enganar a população católica é supor que o fim justifica os meios. Mil explicações deste estratagema de proselitismo manhoso jamais explicarão como um evangélico sequer seja capaz de aprovar semelhante processo, insincero ou ignorante. Se queremos usar Bíblias católicas com os católicos, estas existem no mercado, e é lícito comprá-las e usá-las. Mas fiquemos no terreno da elementar moral. Se há tantas modificações como notei em 6 páginas, quantas não haverá nas outras 1242 páginas da mesma Bíblia! 
Não deixa de ser instrutiva a psicologia dos tradutores católico-romanos. O Novo Testamento do dr. Humberto Rohden sendo que é vertido do grego, parece que seria o mais exato e livre dos erros do romanismo. É, todavia, o mais eivado destes erros. O padre sabia que sua obra seria suspeita pelos seus colegas e superiores. Portanto, não somente obedeceu servilmente à “Comissão Pontifica DE RE BIBLICA” mas incorporou no seu esboço e nas suas notas as mais ousadas e fantásticas idéias em defesa do romanismo. Ele já era criticado em sua grei; e seu nervosismo psicológico diante do tipo tradicional de clero é compreensível e nos inspira compaixão. 
Ora, os outros três tradutores católicos, embora estejam traduzindo a Vulgata, estão alerta contra criticismo, mas criticismo vindo de outra fonte. Esperavam que suas versões seriam criticadas pelas fraquezas inerentes numa versão Vulgata, tradução de uma tradução de outra tradução, pelo menos em partes do Velho Testamento desta Bíblia oficial do romanismo. Esperando estas críticas, os tradutores clericais já se preveniram contra elas, dando da Vulgata uma versão tão isenta de divergência do Novo Testamento grego quanto lhes fosse possível. Logo nem sonharam em tomar as liberdades com o linguagem de Paulo que o dr. Rohden toma, a cada passo e inconscientemente. Isto resulta numa fidelidade estudada e severa das versões franciscana e do D. Fr. Joaquim de N. S. de Nazaré, no sentido de harmonia nas versões em português com o grego, visto através da Vulgata. E os franciscanos, nas notas, informam aos seus leitores o que diz o grego, mesmo quando a Vulgata diz outra coisa no texto traduzido. 
Duas atitudes psicológicas bem diferentes! Avalie o padre Rohden também que sua versão será criticada exaustivamente do ponto de vista de sua inépcia ou descuido em relação ao texto grego, se bem que somos gratos admiradores de seu gênio de tradutor, em inúmeras passagens. Assim entre a cruz da Comissão “DE RE BÍBLICA” e o caldeirão de competente criticismo de sua erudição grega, ele agirá com mais prudência e maior êxito no futuro. 
Não pretendo chamar atenção aos erros de todas estas versões, tarefa ingrata e volumosa. O que já foi dito, a tradução e as notas mostrarão as principais faltas nas demais traduções no vernáculo. Quero apenas chamar atenção aos erros da Versão brasileira, nossa versão das Escrituras incomparavelmente melhor, do ponto de vista de fidelidade ao original. Sua lealdade ao mais antigo texto grego, e sua isenção da influência maligna da Vulgata, fazem que seus erros sejam faltas de interpretação, obrigadas em verter o original de acordo com a teoria adotada, ou timidez em dar a verdadeira idéia de certos tempos do verbo grego, ou do artigo ou falta de artigo no original. Onde há uma destas faltas na Brasileira, há dez do mesmo gênero nas versões inferiores. 
A Versão Brasileira erra, como as demais versões, em seu descuido do artigo grego. Tora definidos substantivos que Paulo determinou deixar indefinidos em 1:1 (homens), (mortos); 1:10 (homens) bis; 1:11 (homem); 1:12 (revelação); 2:8 (apostolado); 2:9, destras; 2:16 (homens) e (lei) (obras) (lei); 2:17 (obras, lei); 2:19 (lei) bis; 2:21 (lei, justiça); 3:2 e 5 (obras, lei, mensagem, fé); 3:7, 8, 9 (fé); 3:10 (obras, lei, maldição); 3:11 (lei, fé); 3:12 (fé); 3:13 (madeiro); 3:15 (aliança); 3:18 (lei, promessa, bis); 3:19 (mão); 3:21 (lei); 3:22 (pecado); 3:23 (lei); 3:24 (fé); 3:29 (promessa); 4:4 (lei); 4:5 (lei); 4:21 (lei); 4:24 (escravidão); 4:25 (monte); 4:27 (marido); 4:28 (promessa); 4:31 (escrava); 5:4 (lei); 5:5 (fé); 5:6 (circuncisão, incircuncisão, fé); 5:18 (lei), outros (5:21) homem (6:7); circuncisão, incircuncisão (6:15). A gramática grega reconhece como definidos substantivos sem o artigo em dadas circunstâncias, e sentimentos abstratos e outros idiomas exigem o artigo em português inde não é idiomático expressá-lo em grego. Concedendo liberdade em tais casos, ainda restam muitos em que perdemos a idéia de Paulo quando adicionamos um artigo inoportuno. 
Esta versão, deixa, porém indefinidos substantivos que na mente de Paulo foram bem definidos e devidamente expressos com o artigo: 1:4 (pecados); 1:5 (glória); 1:7 (Cristo); 1:19 (irmão); 2:5 (sujeição); lei (3:21); amor (5:13); Cristo (6:2); NOSSO Senhor (6:14). Reconheço, cordialmente, que o artigo tem funções bem diferentes nos dois idiomas, grego o português. Numa versão para uso popular e público, eu me conformaria com o idioma português onde a idéia genérica ou abstrata em português usa o artigo, e em grego o omite. Acho bem, todavia, indicar, ao bem dos estudantes, o grego mui fielmente, neste respeito, e julgarão onde o português expressa com o artigo a mesma idéia que o grego expressa com sua ausência. Somente em tais casos, porém, acho lícito à introdução do artigo nas passagens enumeradas acima. Temos a obrigação de transmitir a Palavra de Deus, na meramente de imaginar uma frase agradável aos ouvidos de um estilismo ou literatice exagerado e sem respeito à Palavra de Deus. 
Sua tradução errada, insuficiente ou demasiada de vocábulos, ao meu ver, inclui mundo (1:4), servo (1:10), fui (1:17), nenhum (1:19), entre (2:5), eles (2:10), me (2:18), do (2:20), se e por (2:20), subministra (3:5), acaso (3:5), fiel (3:9), estas (3:12), por (3:13), como (3:15), deu (3:18), que é pois (3:19), porventura (3:21), todas as coisas (3:22); homem… mulher (3:28), enquanto, (4:1), cumprimento (4:4), adoção de filhos, (4:5), enviou (4:6); mais (4:7), por (4:7) guardais (4:10), temo-me (4:11), rogo (4:12); mas vós (4:13); uma alegoria (4:24), na verdade (4:24), fossem além (5:12), toda resume (5:14), pelo (5:16), cobiça – satisfareis (5:16); luta (5:17); caridade (5:22), andamos (5:25); e… olha (6:1); sejas tentado (6:1); sua (6:5); a seu tempo (6:9). 
Faz falta ao sentido não se haver traduzido o pronome demonstrativo e o pronome reflexivo (2:18), a conjunção (3:4 17; 4:6, 28; 5:3, 12 13; 6:1, 16). 
Ao traduzir verbos, esta versão erra nos seguintes passos: “pregasse” (1:8), “pregar” (1:9), “ouviram” (1:23), “sido confiado” (2:7), “era condenado” (2:11), “Torno a edificar” (2:18), tivesse sido… teria sido (3:21), se tornou… para conduzir (3:24), estávamos guardados (4:3), conhecendo… sendo conhecidos (4:8), torneis… me tenho tornado (4:12), disse (4:16), serdes (?) (4:18), são… alegoria (4:24), os verbos de 4:27 em vivo contraste entre aoristo e presente linear; sujeiteis (5:1), se circuncida (5:3), guardar (5:3), estais separados (5:4), vos justificais (5:4), impedia (5.7), chama (5:8), confio (5:10), está desfeito (5:11), fossem além (5:12), consumais (5:15); andai (5:16); tornemos (5:26); restaurai (6:1); prove (6:4). 
Os seguintes perfeitos do verbo grego expressam tanto mais que a tradução protocolar! Não me posso conformar que conteúdo tão precioso da Escritura fique sepultado em nossa inépcia de tradutores ou mesmo na incapacidade do idioma para reproduzir o que Paulo tão lindamente disse sem paráfrase: 2:19; 3:1, 10, 13, 17, 18, 24, 4: 16, 22, 23, 27; 5:10, 11, 14; 6:14. 
Há prováveis erros ou infelicidades de construção de sentenças em 1:11, 12, todo o versículo 20, 2:6; 2:18; 2:20; 3:31; 4:11; 4:12; 4:18; 5:16. 
O estudante interessado da epístola pode facilmente comparar esta crítica das traduções estudadas, com a versão deste comentário, e as notas que a acompanham, e assim verificar o lado positivo da crítica feita. Seria demasiadamente enfadonho entrar aqui na discussão detalhada das razões de aceitar ou rejeitar tantas maneiras de verter tantas palavras, pois seria equivalente a conservar os andaimes de nossa obra e reconstruir os de outrem, para comparação. 
Como as Sociedades Bíblicas, orientadas por aqueles que prezam um texto e uma tradução que são inferiores, mudaram a linguagem e a idéia de Figueiredo, assim fizeram igualmente com Almeida. Tenho uma velha Bíblia do “padre João Ferreira A. D’ Almeida, ministro pregador do santo evangelho em Batávia”, publicada em Nova York em 1857. Comparando-a com uma Bíblia “pelo padre João Ferreira D’ Almeida, edição revista e corrigida”, de 1920, noto 56 mudanças no Capitulo 1 da Epístola aos Gálatas. Parece que ainda há outras mudanças nas impressões mais recentes. Mudaram Igreja e idade para Igreja e idade, Evangelho para evangelho, etc. 
Em quatro passos onde a Versão Almeida estava certa em 1856, os que tomaram para si a autoridade destas mudanças arbitrárias, modificaram a linguagem exata e adotaram um tradução errada, no primeiro capitulo desta epístola. Por estes dados podemos julgar a extensão da arbitrariedade revelada em toda a obra. Limito-me a perguntar: se era lícito mudar para pior a Versão Almeida em tantos passos, não será lícito remover de vez milhares de seus erros? Concordo, de boa vontade, que na quase totalidade destes erros não se mudam doutrinas fundamentais. Queremos nossas Bíblias, todavia, bem exatas e o ministério evangélico no Brasil já é capaz de dar-nos uma Bíblia acurada e leal ao texto e sentido grego e ao espírito do vernáculo. 
Alguém talvez encontre na minha versão desta epístola algum erro apontado em outras versões. Não o nego, pois luto, às vezes desesperadamente, para transmitir no vernáculo toda a idéia do texto inspirado. Mas é precisamente para que outros lutem maior êxito com o mesmo problema que os seminários teológicos evangélicos do Brasil estão preparando exegetas capazes e dotados da cultura em sua própria língua, de modo a doarem ao Brasil uma versão ao mesmo tempo antiga, quanto ao texto seguido, e moderna e correta, quanto à linguagem com que traduz e adorna este texto no vernáculo. 
Suponho que a Versão Brasileira jamais alcançará no Brasil a posição que merece pela sua fidelidade ao original. Missionários pioneiros, acostumados às frases baseadas no texto inferior usado pelos tradutores ingleses de 1611, gostaram dos erros parecidos de Almeida e os gravaram na memória desta geração de pastores. As Casas Publicadoras e professores das escolas dominicais exigem uniformidade em a juventude em decorar a mesma versão em nossos dias. Meus filhos foram obrigados, na escola dominical, a decorar passagens segundo Almeida, erradas em alguns pontos, que já haviam aprendido certas segundo a Versão Brasileira. Tudo conspira para conservar a predileção pela Versão Almeida, de geração em geração. Certamente, porém, os estudantes sérios da Bíblia devem ter um auxílio relativamente perfeito, na Versão Brasileira corrigida, ou em uma nova versão a ser feita. Mas podemos aproximar-nos da meta e é um dever do ministério culto do Brasil produzir ainda uma versão geralmente aceitável. E se os preconceitos não permitirem tanto, então a despeito da inércia ou tolerância popular, haja traduções que orientem estudantes e investigadores, enriquecendo a exegese brasileira como Moffatt, Weymouth, a Sra. Helena Montgomery, Goodspeed e outros enriqueceram sobremaneira, com as suas novas traduções, a interpretação da Bíblia em linguagem da atualidade no mundo anglo-saxão.