Conferencista Edimilson Garcia

terça-feira, 8 de abril de 2014

Deus é Soberano na Oração

Sermão 9
Texto: 1ª João 5:14
“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
INTRODUÇÃO
1. Há uma tendência universal de elevar a criatura e rebaixar o Criador
2. Esta tendência também se vê na oração
3. Fala-se muito no elemento humano, que temos que reivindicar as promessas
4. Não há lugar para as exigências, para os direitos e para a glória de Deus
5. Afirma-se que a oração muda as coisas, pode modificar Deus; pode mover o céu! Mentira!
6. Porque Deus é Soberano Absoluto:
1 Samuel 2:6-8 - “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo.”
7. A oração não muda o propósito de Deus
8. O propósito de Deus ocorrerá mesmo sem a nossa oração
9. Deus não irá mudar seu propósito porque Ele é imutável:
Tiago 5:17 - “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”
Malaquias 3:6 - “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”
10. O propósito divino é sábio
Romanos 11:33-36 - “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.”
11. O propósito divino é eterno (Ef.3:11)
Salmo 119:142 - “A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade.”
Salmo 119:144 - “A justiça dos teus testemunhos é eterna; dá-me inteligência, e viverei.”
Salmo 148:6 - E os confirmou eternamente para sempre, e lhes deu um decreto que não ultrapassarão.
Eclesiastes 3:14 - Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
Isaias 14:24-27 - O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará. Quebrantarei a Assíria na minha terra, e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte deles e a sua carga se desvie dos seus ombros. Este é o propósito que foi determinado sobre toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem pois a fará voltar atrás?”
12. Nossas orações é que devem estar de acordo com o propósito divino
1 João 5:14 - “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
13. Deus decretou os fins e os meios. Se Deus decretou um fato e que Ele ocorra através da oração de petição, Ele efetuará o fato, mas também concederá espírito de súplica. Lutero disse: “A oração não visa a vencer a relutância de Deus, mas a aprender-lhe a disposição favorável.”
I. A ORAÇÃO TEM O PROPÓSITO DE TRAZER HONRA A DEUS
1. Pelo reconhecimento de seu domínio universal
2. Pelo reconhecimento de sua bondade, poder, imutabilidade, graça e soberania
3. Pelo reconhecimento de ser Ele o Autor de toda dádiva boa e perfeita.
II. A ORAÇÃO TEM O PROPÓSITO DE CUMPRIR A VONTADE DIVINA
1. A vontade dele é que cresçamos na graça:
2 Pedro 3:18 - “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.”
2. A vontade dele é que nos humilhemos perante Deus:
Tiago 4:10 - “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.”
1 Pedro 5:5-7 - “Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
3. A vontade dele é que cheguemos à presença de Deus:
Hebreus 4:16 - “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça...”
4. A vontade dele é que exercitemos nossa fé:
Hebreus 10:22 - “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé...”
5. A vontade dele é que o nosso amor seja fortalecido:
Salmo 116:1 - “Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica.”
6. A vontade de Deus é que sejamos cooperadores de sua obra:
1 Coríntios 2:5-9 - “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.”
9. Paulo orava pelo seu povo (Rm.10:1), mesmo sabendo que muitos não iriam salvar-se. Por quê? Porque Paulo orava pela salvação dos eleitos:
Romanos 10:1 - “Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação.”
Romanos 11: 1-6 - “Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.”
III. A ORAÇÃO TEM O PROPÓSITO DE CONCEDER BENÇÃOS
1. Mas se todas as coisas vêm “dele e por meio dele e para ele” (Rm.11:36), então por quê orar?
2. Se tudo já foi determinado, então para que orar?
3. Igualmente perguntamos: Qual é a necessidade de chegar-se alguém a Deus para dizer-lhe aquilo que Ele já sabe?
4. A oração não tem o propósito de dar informações a Deus, mas expressar nosso reconhecimento de que Ele sabe o que precisamos:
Mateus 6:8 - “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.”
5. O desígnio da oração é este: ela não tem o propósito de alterar a vontade de Deus, mas antes que ela seja cumprida.
6. Cristo sabia que seria exaltado pelo Pai, mas mesmo assim orou:
João 17:5 - “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”
7. A vontade de Deus é imutável, e não pode ser alterada por nossos clamores. Nem as orações mais fervorosas podem alterá-la:
Jeremias 15:1 - “Disse-me, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não estaria a minha alma com este povo...”
CONCLUSÃO
1. As crenças populares reduzem Deus à função de servo, cumprindo nossas ordens que enviamos através da oração.
2. O que necessitamos é que Deus nos encha o coração com seus pensamentos, e então os seus desejos serão nossos, e assim pediremos de acordo com sua vontade, e seremos ouvidos.
3. Rogar algo a Deus “em nome de Jesus” significa rogar-lhe algo em sintonia com sua vontade, ou com a natureza de Cristo.
4. Pedir “em nome de Cristo” é como se o próprio Cristo estivesse fazendo a petição.
5. Só podemos pedir a Deus aquilo que Cristo pediria.
6. Quando rogamos pela salvação de um pecador, estamos reconhecendo a soberania divina! “Um calvinista é arminiano de pé, e um arminiano é calvinista de joelhos, porque os calvinistas apelam para a vontade do homem e sua escolha quando pregam, e os arminianos reconhecem que tudo depende de Deus quando oram. Devemos orar como se tudo dependesse de Deus, e pregar como se tudo dependesse do homem.” (Reverendo Samuel Falcão, Predestinação, Casa Editora Presbiteriana, São Paulo, 1981, p.26).
7. Quando oramos pela salvação de alguém, um pecador morto em delitos e pecados, estamos pedindo a Deus que o ressuscite espiritualmente. Se pudéssemos ressuscitar mortos, nós mesmos converteríamos os pecadores, e não haveria necessidade de rogarmos a Deus.
8 Vejamos o que J. I. Packer diz sobre a oração:
“Você ora pedindo a conversão de outras pessoas. Porém segundo quais termos você intercede por elas? Você limita-se a pedir que Deus as leve a um ponto em que possam salvar-se a si mesmas, independentemente dele? Não penso que você costuma fazer isso. Penso que o que você faz é orar, em termos categóricos, que Deus queira, de maneira simples e decisiva, salvar as pessoas; que Ele queira abrir os olhos do entendimento delas, abrandando os seus corações, renovando a natureza delas, e impulsionando suas vontades para que recebam o Salvador. Você pede que Deus opere nas pessoas tudo quanto for necessário para a salvação delas. Você nem pensaria em salientar, em sua oração, que você não está realmente pedindo de Deus que Ele leve as pessoas à fé, por reconhecer que isso é algo que Ele não pode fazer. Nada de coisas dessa ordem! Quando alguém ora em favor de pessoas não-convertidas, ora com base no pressuposto que está ao alcance do poder de Deus levar os pecadores à fé. E implora a Deus para que ele faça precisamente isso, e a sua confiança, na oração, repousa sobre a certeza de que Ele é poderoso para fazer o que lhe é pedido. E realmente Ele é poderoso para isso. Aquela convicção, que anima as nossas intercessões, é a própria verdade de Deus, escrita em nossos corações pelo Espírito Santo. Quando você ora, portanto, você sabe que Deus é quem salva; você sabe que o que faz os homens voltarem-se para Deus é a própria atuação graciosa de Deus que os atrai a si. E quando você ora, o conteúdo das suas orações é determinado por esse conhecimento. Portanto, pela sua prática de intercessão, não menos do que pelas suas ações de graças por sua conversão, você reconhece e confessa a soberania da graça de Deus. E o mesmo fazem todos os crentes, em todo lugar.” (J. I. Packer, Evangelismo e Soberania de Deus, Fiel, p.15).

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